Mundial 2026

“A FIFA pretende que todas as seleções compitam como previsto“: o Irão queria jogar o Mundial no México, mas sem êxito

As cores da bandeira do Irão a serem projetadas no Kennedy Center, em Washington, aquando do sorteio da fase de grupos do Mundial de futebol de 2026
As cores da bandeira do Irão a serem projetadas no Kennedy Center, em Washington, aquando do sorteio da fase de grupos do Mundial de futebol de 2026
Hector Vivas - FIFA

Foi a embaixada iraniana no México quem avisou que havia negociações para mover as partidas da equipa asiática de Los Angeles e Seattle, para onde estão agendadas, para outro dos co-anfitriões do torneio. Não obstante, essa porta parece ter sido fechada, ainda que, a menos de 100 dias do arranque do Mundial, se adensem as dúvidas

“A FIFA pretende que todas as seleções compitam como previsto“: o Irão queria jogar o Mundial no México, mas sem êxito

Pedro Barata

Jornalista

Desde que os Estados Unidos e Israel realizaram uma ofensiva contra o Irão, seguida da resposta iraniana, o Mundial 2026 colocou-se como uma das muitas consequências da situação militar no Médio Oriente. O imbrólgio era evidente: um conflito armado entre o principal país anfitrião e uma das seleções já qualificadas.

Com encontros agendados para Los Angeles e Seattle, a especulação floresceu. E, diga-se, a incerteza tem crescido pela informalidade com que muitos responsáveis têm lidado com a comunicação em torno do debate, com permanentes ziguezagues.

Se o Irão, num primeiro momento, manifestou desejo de estar presente na competição, Donald Trump lidou com a dúvida com o registo discursivo do costume: "Realmente, não me importa", chegou a dizer o presidente dos Estados Unidos.

Infantino, procurando medir o dossiê, mas com a conhecida proximidade — e favoritismo — face a Trump, assegurou que o inquilino da Casa Branca lhe disse que o Irão seria "bem-vindo" no Mundial.

Mais tarde, do Médio Oriente chegaram mais notícias pouco nítidas. O ministro do desporto de Teerão chegou a garantir que a seleção nacional não iria ao Mundial, antes de uma outra mensagem garantir que, fosse qual fosse a decisão, ela viria do Irão, não da Casa Branca.

Finalmente, a última cadeia desta informalidade foi protagonizada pela embaixada do Irão no México. Na rede social X, e atribuindo declarações ao presidente da federação de futebol iraniana, a representação diplomática no país num dos co-anfitriões do Mundial assegurava que o Irão não iria aos Estados Unidos, no verão, porque Trump não garantia a segurança da seleção.

Consequentemente, o Irão estaria, segundo a mesma fonte, a "negociar com a FIFA a passagem dos jogos para o México". Adiantava-se, até, que já estava a ser trabalhada a questão dos vistos da equipa, para a entrada em território mexicano.

De acordo com o sorteio, os asiáticos entrarão em campo a 15 de junho, em Los Angeles, perante a Nova Zelândia, voltando a jogar, no mesmo recinto, mas contra a Bélgica, a 21 de junho. A 26 de junho está calendarizado um embate perante o Egito, em Seattle.

Ainda assim, a FIFA parece descartar esta mudança de planos. Citada pelo The Athletic, fonte da entidade máxima do futebol comentou a pretensão do Irão: "A FIFA está em contacto regular com todas as federações participantes, incluindo o Irão. A FIFA pretende que todas as seleções compitam como previsto, de acordo com o calendário anunciado a 6 de dezembro de 2025", é a mensagem que vem de Zurique.

A menos de 100 dias do pontapé de saída, uma alteração de estádios é, assim, uma hipótese remota. O Mundial tem data de arranque a 11 de junho e final a 19 de julho, divindindo-se entre Estados Unidos, Canadá e México. Com ou sem Irão? Ninguém parece saber.


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