Mundial 2026

Palavra de Infantino: “O Irão virá ao Mundial, isso é certo“

Gianni Infantino, presidente da FIFA, a assistir ao particular entre o Irão e a Turquia, em março
Gianni Infantino, presidente da FIFA, a assistir ao particular entre o Irão e a Turquia, em março
Anadolu

Mesmo que ainda esteja a decorrer a guerra entre o Israel, Irão e EUA, um dos anfitriões do Campeonato do Mundo e onde a seleção iraniana tem agendados os seus jogos, o presidente da FIFA assegurou que o país vai competir no torneio

O Irão vai participar no Mundial de 2026 de futebol, afirmou o presidente da FIFA, a menos de dois meses do início do torneio coorganizado pelos Estados Unidos, apesar da guerra entre os dois países.

"O Irão virá, isso é certo", declarou Gianni Infantino, na quarta-feira, durante uma conferência económica organizada pela emissora norte-americana CNBC em Washington.

"Esperamos que até lá [o início da competição, a 11 de junho], a situação já seja pacífica, o que ajudaria muito", explicou o dirigente suíço.

"Mas o Irão tem de vir, representam o seu povo, qualificaram-se, os jogadores querem jogar", disse Infantino.

O presidente da FIFA visitou a seleção iraniana durante um estágio em Antalya, na Turquia, no final de março, e assistiu ainda à vitória da equipa sobre a Costa Rica (5-0), num jogo particular disputado sem adeptos.

Na altura, o vice-presidente da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI), Mahdi Mohammadnabi, garantiu que os persas “vão cumprir todas as decisões da FIFA”, mas advertiu que “cada país anfitrião da competição “assumiu compromissos e deve respeitá-los”.

A 23ª edição do Campeonato do Mundo realiza-se de 11 de junho a 19 de julho e conta pela primeira vez com 48 seleções, numa inédita organização tripartida entre Canadá, México e Estados Unidos, sede dos três jogos dos iranianos no Grupo G, formado também por Bélgica, Egito e Nova Zelândia.

Apurado pela sétima vez, e quarta seguida, o Irão defronta os neozelandeses e os belgas em Los Angeles, em 16 e 21 de junho, respetivamente, e fecha a primeira fase diante dos egípcios, no dia 27 do mesmo mês, em Seattle.

O Irão é um dos países cujos residentes estão impedidos de entrar nos Estados Unidos pela administração do Presidente norte-americano Donald Trump, que já prometeu isentar jogadores, equipas técnicas e outros funcionários antes do torneio.

No entanto, Trump também desaconselhou a presença da seleção iraniana e disse que os jogadores poderiam não estar seguros nos Estados Unidos (EUA).

Em 28 de fevereiro, os EUA e Israel lançaram uma vaga de bombardeamentos contra o Irão, que matou Ali Khamenei, líder supremo do país asiático desde 1989.

Em 11 de março, Gianni Infantino disse ter recebido garantias de Donald Trump, com quem tem uma relação próxima, de que o Irão terá permissão para entrar nos Estados Unidos.

"O desporto deve estar fora da política", reafirmou o presidente da FIFA, na quarta-feira.

"Tudo bem, não vivemos na Lua, vivemos no planeta Terra. Mas se mais ninguém acredita em construir pontes e mantê-las intactas e unidas, então somos nós que vamos fazer esse trabalho", explicou Infantino.

O dirigente afirmou ainda que o maior Mundial alguma vez organizado, em três países e com 48 seleções, será "um sucesso" se for "bem-sucedido do ponto de vista da segurança, ou seja, sem incidentes, e do ponto de vista do futebol, com grandes jogos e futebol emocionante".

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