Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, diz que trocar o Irão pela Itália no Mundial é “especulação“
Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, ao lado de Donald Trump
Chip Somodevilla
Um dos braços-direitos de Donald Trump na administração norte-americana explicou que “o problema com o Irão nunca seriam os seus atletas“, dizendo não saber “de onde surgiu isto“ após a sugestão de um representante do presidente de que a Itália substituísse o Irão no Mundial. “O que não podem fazer é trazer um bando de terroristas da Guarda Revolucionária Islâmica para o nosso país, fazendo-se passar por jornalistas e preparadores físicos“, disse Marco Rubio
Os Estados Unidos, um dos países anfitriões do Mundial de futebol que decorre este verão, não estão a tentar excluir o Irão da competição, garantiu na quinta-feira o secretário de Estado, Marco Rubio.
Rubio reagiu depois de um responsável norte-americano ter sugerido que a Itália, que não se qualificou, poderia substituir o Irão, país devastado pela guerra.
“O problema com o Irão não seriam os seus atletas. Seriam algumas das outras pessoas que eles querem trazer, algumas das quais têm ligações à Guarda Revolucionária Islâmica“, frisou Rubio aos jornalistas.
“Não sei de onde surgiu isto. É especulação de que o Irão possa decidir não vir e que a Itália o substituiria“, acrescentou o chefe da diplomacia norte-americana.
As cores da bandeira do Irão a serem projetadas no Kennedy Center, em Washington, aquando do sorteio da fase de grupos do Mundial de futebol de 2026
Embora a guerra no Médio Oriente lance dúvidas sobre a participação do Irão, um conselheiro de Donald Trump disse ao Financial Times, na quinta-feira, que sugeriu a Trump e ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, o improvável cenário de substituir o Irão pela Itália no torneio coorganizado pelos Estados Unidos, Canadá e México, de 11 de junho a 19 de julho.
As autoridades italianas já descartaram a possibilidade de repescagem para os tetracampeões mundiais, que não conseguiram qualificar-se para o seu terceiro Mundial consecutivo depois de terem sido eliminados na final da repescagem europeia pela Bósnia e Herzegovina no final de março.
“Se os jogadores iranianos decidirem não vir por conta própria, é porque decidiram não vir“, continuou Rubio.
“O que não podem fazer é trazer um bando de terroristas da Guarda Revolucionária Islâmica para o nosso país, fazendo-se passar por jornalistas e preparadores físicos“, sublinhou.
O Irão garantiu a qualificação para a competição, embora tenha solicitado a transferência dos jogos da fase de grupos para fora do território norte-americano após o início do conflito na região.
Donald Trump, presidente dos EUA, durante o sorteio da fase de grupos do Mundial que decorreu em dezembro de 2025
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmou durante uma visita ao centro de treino da seleção iraniana na Turquia, em março, que todos os jogos vão ser disputados conforme previsto, oferecendo ajuda à equipa na preparação para o torneio.
O regulamento da FIFA estabelece que, em caso de desistência de uma seleção classificada, o organismo tem liberdade para designar o substituto.
“Se uma federação participante desistir ou for excluída do Mundial da FIFA 2026, a FIFA decidirá a seu inteiro critério sobre o assunto e tomará as medidas que considerar necessárias. A FIFA poderá decidir, em particular, substituir essa federação por outra“, estabelece o regulamento do torneio.
Isto poderia permitir substituir o Irão por uma seleção que não pertença à Confederação Asiática de Futebol (AFC, na sigla em inglês), apesar de a vaga corresponder à AFC.
Em 30 de abril, a FIFA reúne as 211 federações nacionais no 76.º congresso ordinário da organização, em Vancouver, no Canadá. No Congresso da FIFA, não consta da ordem de trabalhos uma possível substituição da seleção iraniana.
O Mundial, que se realiza nos Estados Unidos, México e Canadá, terá início a 11 de junho. O Irão disputa o primeiro jogo a 15 de junho, em Los Angeles (Califórnia), contra a Nova Zelândia.