Mundial 2026

Ancelotti avisara: o problema era o físico, não o talento. Neymar vai ao Mundial

Os festejos de adeptos brasileiros, ao sair o nome de Neymar, no anfiteatro onde Carlo Ancelotti anunciou os 26 convocados do Brasil para o Mundial
Os festejos de adeptos brasileiros, ao sair o nome de Neymar, no anfiteatro onde Carlo Ancelotti anunciou os 26 convocados do Brasil para o Mundial
Buda Mendes

A erupção de festejos na sala disse tudo: a grande questão no Brasil era se Neymar ia, ou não, ao Campeonato do Mundo. Apesar de não jogar pelo Brasil há quase três anos, Carlo Ancelotti convocou o atacante do Santos que, aos 34 anos, vai participar no torneio pela quarta vez

Não houve pergunta colocada mais vezes a Carlo Ancelotti ao longo dos últimos meses: iria Neymar ao Mundial? Por fim, na segunda-feira, respondeu que sim, vai mesmo, dizendo o nome do jogador e criando uma micro-demonstração do quão fervilhante era o tema para os brasileiros: no anfiteatro do Rio de Janeiro onde anunciou os convocados para o torneio, recheado com jornalistas e civis, irrompeu um coro de festejos durante alguns segundos. Parecia que uma amostra do país celebrava ali um golo marcado.

Neymar Júnior não joga pela seleção desde outubro de 2023, frente ao Uruguai, quando o seu joelho deu de si e o precipitou rumo a um baixio na carreira que o motivou a sair da Arábia Saudita e regressar ao Brasil com a clara intenção de tentar ser o Neymar do Santos e não apenas fazer do clube de novo o Santos do Neymar. Teve sucesso dúbio à exceção da atual época, vai com seis golos e quatro assistências em 15 jogos.

Enquanto não atinou, Ancelotti foi dizendo, calma e tranquilamente, que ao craque de 34 anos ninguém tem um dedo a apontar quanto ao indubitável talento, dizendo sempre que a real questão estava no seu corpo, se era capaz de se repor numa forma física condizente com a exigência de um Campeonato do Mundo. Escolhendo Neymar como um dos 26 jogadores para o torneio, o italiano não terá mais dúvidas.

Tão carismático quanto o jogador em causa, aprumado de gravata e fato, Ancelotti encetou uma repetição de um ato já por si protagonizado: “A avaliação de todo o ano era só a parte física, tema físico. Nos últimos jogos ele tem jogado com continuidade e tem possibilidade de melhorar a sua condição neste período até ao primeiro jogo do Mundial. Pensámos que, a partir daí, pela experiência neste tipo de competição, pelo carinho do grupo, pode criar um ambiente melhor e ajudar a equipa a conseguir o melhor.” Terá faltado outra ressalva: o talento de Neymar, ainda inigualável no Brasil.

Neymar tem 34 anos e não joga pela seleção do Brasil desde outubro de 2023
Sports Press Photo

Tão carismático quanto o jogador em causa, aprumado de gravata e fato, Ancelotti encetou uma repetição de um ato já por si protagonizado: “A avaliação de todo o ano era só a parte física, tema físico. Nos últimos jogos ele tem jogado com continuidade e tem possibilidade de melhorar a sua condição neste período até ao primeiro jogo do Mundial. Pensámos que, a partir daí, pela experiência neste tipo de competição, pelo carinho do grupo, pode criar um ambiente melhor e ajudar a equipa a conseguir o melhor.” Terá faltado outra ressalva: o talento de Neymar, ainda inigualável no Brasil.

Selecionador há um ano, o italiano nem por isso tem catapultado o escrete a altitudes distintas à dos recentes predecessores no cargo, logrando cinco vitórias, dois empates e três derrotas nas 10 partidas feitas. Mas a postura senhorial e o seu método europeu num contexto peculiar - é o quarto estrangeiro a treinar a seleção brasileira - já fizeram com que o seu contrato fosse renovado até 2030.

A Confederação Brasileira de Futebol quis atalhar caminho para garantir já a permanência do sexagenário cheio de títulos no futebol (são cinco Ligas dos Campeões, duas pelo AC Milan e três no Real Madrid), venha o que vier do Mundial. O sucesso não dependerá somente de Ancelotti, nem no campo estará preso a Neymar. Quero ser claro, limpo e honesto. Ele vai jogar se merecer jogar. Temos treino e o relvado vai dizer se vai jogar. Tenho uma ideia da equipa que será titular e vamos decidir. O Neymar tem o mesmo papel que os outros jogadores. Acho importante não colocar toda a expetativa num só jogador”, disse o treinador , de 66 anos.

Conhecida a lista com 19 jogadores que alinham em campeonatos estrangeiros e sete no Brasileirão, a “Globo”, centrando-se num só nome, detalhou que no final da semana passada Ancelotti falou, em pessoa, com Neymar pela primeira vez em quase um ano, explicando-lhe as condições em que o chamaria ao Mundial se o jogador com mais golos (79) pelo Brasil as acatasse: o capitão não será ele, a equipa titular imaginada não o inclui, parcimónia nas redes sociais e um ambiente de trabalho mais exigente, diferente ao que o jogador conhecia nos tempos em que tinha a braçadeira de líder.

Neymar terá dito que sim. E o único país presente em todas as edições do torneio, o único pentacampeão, empurrado por um povo indiferente à qualidade da sua seleção para exigir, a cada quatro anos, a conquista do mais cobiçado dos troféus no futebol, irá com o seu ainda menino bonito ao Campeonato do Mundo. Este Brasil já não é o Brasil de Neymar, veremos o Neymar do Brasil ainda o pode ajudar. O país está no Grupo C com Marrocos, Haiti e Escócia.

A lista dos 26 convocados do Brasil:

Guarda-redes: Alisson (Liverpool), Ederson (Fenerbahçe) e Weverton (Gremio).

Defesas: Danilo (Flamengo), Wesley (Roma), Alex Sandro (Flamengo), Douglas Santos (Zenit), Marquinhos (PSG), Gabriel Magalhães (Arsenal), Bremer (Juventus), Leo Pereira (Flamengo) e Ibáñez (Al-Ahli).

Médios: Casemiro (Manchester United), Bruno Guimarães (Newcastle), Fabinho (Al-Ittihad), Lucas Paquetá (Flamengo) e Santos (Botafogo).

Avançados: Vinicius Júnior (Real Madrid), Raphinha (Barcelona), Gabriel Martinelli (Arsenal), Luiz Henrique (Zenit), Igor Thiago (Brentford), Endrick (Lyon), Matheus Cunha (Manchester United), Neymar (Santos) e Rayan (Bournemouth).

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