• África do Sul
    20:0011 JUN
    2
    0
    Grupo A
  • Chéquia
    03:0012 JUN
    2
    1
    Grupo A
  • Bósnia
    20:0012 JUN
    1
    1
    Grupo B
  • Paraguai
    02:0013 JUN
    4
    1
    Grupo D
  • Suíça
    20:0013 JUN
    1
    1
    Grupo B
  • Marrocos
    23:0013 JUN
    1
    1
    Grupo C
  • Escócia
    02:0014 JUN
    0
    1
    Grupo C
  • Turquia
    05:0014 JUN
    2
    0
    Grupo D
  • Curaçao
    18:0014 JUN
    7
    1
    Grupo E
  • Japão
    AGORA14 JUN
    2
    1
    Grupo F
  • Equador
    00:0015 JUN
    Grupo E
  • Tunísia
    03:0015 JUN
    Grupo F
  • Cabo Verde
    17:0015 JUN
    Grupo H
  • Egipto
    20:0015 JUN
    Grupo G
  • Uruguai
    23:0015 JUN
    Grupo H
  • Nova Zelândia
    02:0016 JUN
    Grupo G
  • Senegal
    20:0016 JUN
    Grupo I
  • Noruega
    23:0016 JUN
    Grupo I
  • Argélia
    02:0017 JUN
    Grupo J
  • Jordânia
    05:0017 JUN
    Grupo J
  • RD Congo
    18:0017 JUN
    Grupo K
  • Croácia
    21:0017 JUN
    Grupo L
  • Panamá
    00:0018 JUN
    Grupo L
  • Colômbia
    03:0018 JUN
    Grupo K
  • África do Sul
    17:0018 JUN
    Grupo A
  • Bósnia
    20:0018 JUN
    Grupo B
  • Catar
    23:0018 JUN
    Grupo B
  • Coreia do Sul
    02:0019 JUN
    Grupo A
  • Austrália
    20:0019 JUN
    Grupo D
  • Marrocos
    23:0019 JUN
    Grupo C
  • Haiti
    01:3020 JUN
    Grupo C
  • Paraguai
    04:0020 JUN
    Grupo D
  • Suécia
    18:0020 JUN
    Grupo F
  • Costa do Marfim
    21:0020 JUN
    Grupo E
  • Curaçao
    01:0021 JUN
    Grupo E
  • Japão
    05:0021 JUN
    Grupo F
  • Arábia Saudita
    17:0021 JUN
    Grupo H
  • Irão
    20:0021 JUN
    Grupo G
  • Cabo Verde
    23:0021 JUN
    Grupo H
  • Egipto
    02:0022 JUN
    Grupo G
  • Áustria
    18:0022 JUN
    Grupo J
  • Iraque
    22:0022 JUN
    Grupo I
  • Senegal
    01:0023 JUN
    Grupo I
  • Argélia
    04:0023 JUN
    Grupo J
  • Usbequistão
    18:0023 JUN
    Grupo K
  • Gana
    21:0023 JUN
    Grupo L
  • Croácia
    00:0024 JUN
    Grupo L
  • RD Congo
    03:0024 JUN
    Grupo K
  • Canadá
    20:0024 JUN
    Grupo B
  • Catar
    20:0024 JUN
    Grupo B
  • Brasil
    23:0024 JUN
    Grupo C
  • Haiti
    23:0024 JUN
    Grupo C
  • México
    02:0025 JUN
    Grupo A
  • Coreia do Sul
    02:0025 JUN
    Grupo A
  • Alemanha
    21:0025 JUN
    Grupo E
  • Costa do Marfim
    21:0025 JUN
    Grupo E
  • Países Baixos
    00:0026 JUN
    Grupo F
  • Suécia
    00:0026 JUN
    Grupo F
  • Estados Unidos
    03:0026 JUN
    Grupo D
  • Austrália
    03:0026 JUN
    Grupo D
  • França
    20:0026 JUN
    Grupo I
  • Iraque
    20:0026 JUN
    Grupo I
  • Espanha
    01:0027 JUN
    Grupo H
  • Arábia Saudita
    01:0027 JUN
    Grupo H
  • Bélgica
    04:0027 JUN
    Grupo G
  • Irão
    04:0027 JUN
    Grupo G
  • Inglaterra
    22:0027 JUN
    Grupo L
  • Gana
    22:0027 JUN
    Grupo L
  • Portugal
    00:3028 JUN
    Grupo K
  • Usbequistão
    00:3028 JUN
    Grupo K
  • Argentina
    03:0028 JUN
    Grupo J
  • Áustria
    03:0028 JUN
    Grupo J
  • 2B
    20:0028 JUN
    1/16 de Final
  • 2F
    18:0029 JUN
    1/16 de Final
  • 3 A/B/C/D/F
    21:3029 JUN
    1/16 de Final
  • 2C
    02:0030 JUN
    1/16 de Final
  • 2I
    18:0030 JUN
    1/16 de Final
  • 3 C/D/F/G/H
    22:0030 JUN
    1/16 de Final
  • 3 C/E/F/H/I
    02:0001 JUL
    1/16 de Final
  • 3 E/H/I/J/K
    17:0001 JUL
    1/16 de Final
  • 3 A/E/H/I/J
    21:0001 JUL
    1/16 de Final
  • 3 B/E/F/I/J
    01:0002 JUL
    1/16 de Final
  • 2J
    20:0002 JUL
    1/16 de Final
  • 2L
    00:0003 JUL
    1/16 de Final
  • 3 E/F/G/I/J
    04:0003 JUL
    1/16 de Final
  • 2G
    19:0003 JUL
    1/16 de Final
  • 2H
    23:0003 JUL
    1/16 de Final
  • 3 D/E/I/J/L
    02:3004 JUL
    1/16 de Final
  • Vencedor Match 75
    18:0004 JUL
    Oitavos-de-Final
  • Vencedor Match 77
    22:0004 JUL
    Oitavos-de-Final
  • Vencedor Match 78
    21:0005 JUL
    Oitavos-de-Final
  • Vencedor Match 80
    01:0006 JUL
    Oitavos-de-Final
  • Vencedor Match 84
    20:0006 JUL
    Oitavos-de-Final
  • Vencedor Match 82
    01:0007 JUL
    Oitavos-de-Final
  • Vencedor Match 88
    17:0007 JUL
    Oitavos-de-Final
  • Vencedor Match 87
    21:0007 JUL
    Oitavos-de-Final
  • Vencedor Match 90
    21:0009 JUL
    Quartos-de-Final
  • Vencedor Match 94
    20:0010 JUL
    Quartos-de-Final
  • Vencedor Match 92
    22:0011 JUL
    Quartos-de-Final
  • Vencedor Match 96
    02:0012 JUL
    Quartos-de-Final
  • Vencedor Match 98
    20:0014 JUL
    Meias-Finais
  • Vencedor Match 100
    20:0015 JUL
    Meias-Finais
  • Loser Match 102
    22:0018 JUL
    3º/4º Lugar
  • Vencedor Match 102
    20:0019 JUL
    Final
  • Mundial 2026

    Virgil Van Dijk: como o miúdo que chegava tarde aos treinos e assinou o seu testamento na cama do hospital se tornou líder dos Países Baixos

    Virgil Van Dijk: como o miúdo que chegava tarde aos treinos e assinou o seu testamento na cama do hospital se tornou líder dos Países Baixos
    Alexander Scheuber - UEFA

    O central neerlandês sempre teve características únicas, mas as más influências (das quais se livrou cedo) e a fama de preguiçoso acabaram por afastar o interesse dos gigantes do seu país. Esteve às portas da morte e chamou a atenção do mundo do futebol no Celtic, antes do salto para a Premier League. Quase nunca chamado às seleções jovens dos Países Baixos, é hoje capitão da seleção principal, que esta terça-feira define o apuramento para os oitavos de final do Euro frente à Áustria (17h, Sport TV). O perfil de Van Dijk, por quem o conheceu e treinou. Em dia de estreia dos Países Baixos no Mundial, a Tribuna Expresso recorda este texto originalmente publicado a 24 de junho de 2024

    Arthur Renard

    Depois de uma respeitável carreira que o levou a clubes como o RBC e o Willem II, Frank Brugel ganhou uma inesperada e grande influência no futebol neerlandês depois de se retirar dos campos. Quando começou a levar o seu filho Jordy aos jogos dos juniores no clube local WDS’19, houve um rapaz da mesma equipa que, rapidamente, chamou a sua atenção. Jordy, um guarda-redes como o pai, não sofria muitos golos, mas talvez isso também se devesse ao jogador que tinha à sua frente. Aquele pequeno defesa central chegava a avançar durante os jogos, proporcionando à jovem equipa um sentido de ataque e golos. Parecia estar em todo o lado. O seu nome: Virgil van Dijk.

    Brugel ainda trabalhava para o Willem II e percebeu imediatamente que o jovem poderia ser uma mais-valia preciosa para a sua academia. “Naquela época o Virgil já tinha um corpo atlético, por oposição aos outros rapazes da equipa. Tinha um toque muito bom, era hábil e rápido. Era o pilar da defesa, mas também podia decidir jogos. Era uma alegria vê-lo.”

    Os olheiros do Willem II também ficaram convencidos e convidaram Van Dijk para um treino de captação. O clube tinha uma academia de renome, com jogadores jovens a estrear-se na equipa principal. Além disso, o clube jogou na Liga dos Campeões naquela época, uma conquista única que lhe deu publicidade internacional. Assim, Van Dijk ficou feliz quando recebeu um convite de vindo de Tilburg.

    Central é o capitão dos Países Baixos neste Euro 2024
    Franco Arland/Getty

    Pouco tempo depois da sua chegada, Jan van Loon foi contratado como diretor da academia do clube. O atual chefe de desenvolvimento das camadas jovens do clube indiano Bengaluru FC, que também foi treinador principal na academia do Arsenal, lembra-se bem dos primeiros tempos do jovem defesa. “Na verdade, não havia um avançado que tivesse hipóteses contra ele. Era fisicamente forte e tinha um talento natural para roubar a bola ao adversário exatamente no momento certo. Sempre teve esse tipo de consciência, ninguém o ensinou. Em termos de posição, a forma como defendia espaços e respondia aos movimentos dos adversários e dos colegas de equipa, era muito impressionante. Essa é uma qualidade específica, como se sentisse intuitivamente como é que se tem de defender.”

    “Lembro-me que, nos jogos, às vezes lhe dizíamos: ‘Cuidado Virgil, tens um adversário atrás de ti.’ Ele ficava super relaxado, do tipo: ‘Sim, OK, não se preocupem.’ Ele sabia exatamente o quão rápido o adversário era. Podia estar a 15 metros de distância, mas ele conseguia diminuir essa distância. Lembro-me de jogos contra o Ajax, onde ele marcava o melhor jogador. Dizíamos: ‘assegurem-se de que ele não toca na bola’, por assim dizer, e era exatamente isso que o Virgil fazia”.

    No entanto, durante os anos que Van Dijk esteve no Willem II, ainda havia espaço para melhorar, diz Van Loon. “De vez em quando podia parecer lacónico, um pouco relaxado de mais. Talvez, por vezes, alguns treinadores das camadas jovens até achassem que era preguiçoso”.

    “Também se dava com pessoas que talvez não tivessem a melhor influência sobre ele, mas é muito bom tudo ter acontecido naquela altura, porque, enquanto jovem, desenvolveu competências interpessoais e conseguia avaliar bem o caráter das pessoas, escolhendo as que poderiam ser boas para ele. Os jovens jogadores cometem erros, precisam disso. Se isso tivesse acontecido pela primeira vez aos 24 anos, não estaria onde está agora”.

    Van Loon continua: “Desenvolveu uma habilidade para reunir à sua volta pessoas que seriam as melhores para a sua carreira. Pedia atenção extra aos melhores funcionários, porque instintivamente sentia que o poderiam tornar num melhor jogador. Isso era muito especial. Também o vi em jogadores como o Bukayo Saka, o Eddie Nketiah e o Frenkie de Jong, que também estava na academia do Willem II. O Virgil também procurava as melhores pessoas para o ajudar na escola, como fazia no clube. No Willem II, havia um fisiologista do exercício, por exemplo, que sabia relacionar especificamente o treino de força com o papel do defesa central. Quando os exercícios acabam o Virgil dizia: ‘não, vamos continuar mais um bocado’. Ali podíamos ver a sua motivação interior, embora outros treinadores tivessem a impressão de que ele era preguiçoso”.

    Nos primeiros anos de carreira criticavam-no por parecer preguiçoso
    VI-Images

    Outro alegado problema era a sua gestão de tempo, já que Van Dijk chegava por vezes tarde aos treinos. Chegou ao ponto de alguns treinadores questionarem se o jovem defesa deveria ou não permanecer no clube. Quando Van Loon se dedicou mais ao jovem, teve uma visão reveladora da vida pessoal de Van Dijk. “Os pais estavam divorciados e, por vezes, ele tinha de tomar conta dos irmãos mais novos. Às vezes tinha de os ir buscar à escola e dar-lhes o almoço, antes de apanhar o autocarro para o clube. Isso significava que podia chegar atrasado de vez em quando e se eu lhe perguntasse o porquê, ele explicava sempre, em detalhe, o que tinha acontecido. Uma vez lembro-me que o irmão mais novo lhe pediu pão com manteiga de amendoim e ele teve de ir ao supermercado comprar, por isso perdeu o autocarro. Esse período moldou-o tanto como ser humano como como jogador de futebol”.

    Van Loon garantiu que Van Dijk ficava na academia, mas não controlava quando lhe ofereceriam um contrato profissional. Nos escalões mais altos do clube, demoravam para lhe fazer uma proposta. “Dentro do clube não havia uma opinião unânime sobre ele e acho que Virgil sentiu que as opiniões dos técnicos estavam divididas”. Isso deu uma oportunidade única a outros clubes e, quando o FC Groningen lhe fez uma oferta, o jogador decidiu aproveitar a oportunidade, apesar do Willem II lhe ter feito depois uma proposta. O defesa sentiu que o seu próprio clube demorou muito para lhe fazer uma proposta e também gostou da oportunidade de dar um novo passo na sua carreira.

    As dificuldades iniciais no Groningen

    A transferência significava que Van Dijk tinha de ir viver a 160 km da casa da mãe, indo do sul para o norte dos Países Baixos. Além de se adaptar a um novo ambiente, também precisou de tempo para se ajustar ao seu novo clube. Ele próprio ficou surpreendido por não ter jogado muito tempo na equipa de reservas depois da sua chegada. Dick Lukkien, atual treinador da equipa principal, chegou como treinador da equipa B do Groningen ao mesmo tempo que Van Dijk. “Eram óbvias as qualidades que tinha, mas também era claro que não estava realmente em forma”, lembra Lukkien. “No Willem II tinha jogado muitos jogos tanto pelos sub-19 como pela equipa B e estava meio sobrecarregado. Isso ficou claro em certas sessões de treino em que aumentámos a intensidade”.

    Van Dijk no Groningen, de onde deu o salto para o Celtic
    VI-Images

    Nos primeiros meses, o que lhe foi pedido foi, principalmente, para treinar e descansar. Isso tornou a relação um pouco fria no início e fez com que o jogador ficasse de pé atrás. “Talvez eu seja bastante direto na minha abordagem, mas se vejo talento, faço tudo para que o jogador atinja esse potencial”, explica Lukkien. Mais tarde, quando Van Dijk começou a jogar pelas reservas, chamaram-no à atenção pela atitude aparentemente descontraída nos jogos, o que, por vezes, o levava a cometer pequenos erros. “Às vezes, dava muito espaço ao seu adversário direto. Muitas vezes recuperava com a sua velocidade, mas dissemos-lhe: ‘se quiseres chegar ao topo, tens de acabar com isso’. Também assinalámos que devia fazer uma maior ligação ao meio-campo quando estivéssemos com a posse de bola, uma vez que por vezes criava um vazio que dava à outra equipa demasiado espaço caso recuperassem a bola. Isso também tem que ver com o estado de alerta e a capacidade de ler os jogos, mas, a esse respeito, ele desenvolveu-se de forma impressionante.

    Lukkien ilustra como Van Dijk dominou essa habilidade em particular. “No Liverpool podemos ver que está a pensar à frente, contemplando constantemente o que pode acontecer em campo. Se o Mo Salah está a atacar, o Virgil está ocupado a pensar no que tem de acontecer caso Salah perca a bola. Ele examina todos esses cenários. No Groningen também trabalhámos isso, como prever diferentes situações de jogo”.

    Depois de Van Dijk e Lukkien terem passado mais tempo no campo de treino, ficaram mais próximos e o jogador deu passos importantes no seu desenvolvimento. Rapidamente estreou-se na equipa principal. Alguns jogos mais tarde, Van Dijk foi convidado a jogar de início num jogo importante de play-off contra o ADO Den Haag, em maio de 2011. Com dois golos, contribuiu bastante para a vitória espetacular por 5-1 do seu clube e ganhou nome. Lukkien lembra-se bem dessa ocasião. “Esse foi o momento em que todos ficaram a conhecer Virgil van Dijk...”

    De certa forma, nada mudou. O defesa central ainda vai para a frente, como na final da Taça da Liga contra o Chelsea, nesta época, que Van Dijk decidiu com um bom golo de cabeça no prolongamento. Reminiscente dos seus dias no WDS’19, o jogador cobre diferentes partes do campo, sendo uma ameaça aérea com um conjunto de características especialmente definidas. É como ter um avançado extra nessas situações.

    A doença grave detetada quase à última

    Em Groningen, Lukkien também ficou a conhecer Van Dijk fora do campo e ficou impressionado com a sua atitude assertiva. “Também falámos sobre os seus planos futuros e lembro-me que tinha uma ideia clara do que queria”. É possível ver a franqueza do jogador numa entrevista ao jornal “Dagblad van het Noorden” em 2011, onde falou abertamente sobre as suas ambições. “O que é que eu quero? O Barcelona. Esse é o meu objetivo final e vou trabalhar arduamente para o conseguir. Quero alcançar o máximo possível. [Gerard] Piqué é o meu exemplo. Ele também era defesa. Sim, realmente vejo o Barcelona como um objetivo. Tenho muita confiança em mim mesmo, sei o que posso fazer. Sou jovem, sou titular de um bom clube e só vou melhorar se continuar a jogar a este nível elevado”. É preciso dizer que o Barcelona era a equipa de topo do mundo na altura e tinha acabado de ganhar uma segunda Liga dos Campeões sob o comando de Pep Guardiola, sendo que o Liverpool nem sequer competia ao mesmo nível.

    É o esteio da defesa do Liverpool desde 2018
    GABRIEL BOUYS

    Na sua primeira época completa na equipa principal, Van Dijk conseguiu impressionar, mas antes do final daquela temporada de 2011/12, surgiu outro desafio, desta vez de uma forma completamente diferente. Ficou doente e, no espaço de apenas alguns dias, uma dor de estômago aparentemente inofensiva acabou por ser uma coisa muito séria. Lukkien lembra-se bem desse momento. “A determinada altura o Virgil estava doente, mas não sabíamos o quanto, pensávamos que tinha uma gripe. Quando estava em casa, depois de alguns dias, estava com muitas dores e foi ao hospital local, mas não detetaram nenhum problema e mandaram-no para casa. Mas a dor agravou-se e quando a mãe viajou para o ver, percebeu o quão mau era o seu estado de saúde. Juntos foram a outro hospital, o que acabou por ser crucial, já que não ia aguentar nem mais meio dia. Estou muito feliz pela sua mãe ter agido tão bem. Acho que ela sentiu intuitivamente que algo estava realmente errado”. Durante a segunda hospitalização, os médicos descobriram uma apendicite, em combinação com uma peritonite e envenenamento renal, e decidiram operá-lo de imediato.

    A cirurgia correu bem, em parte por causa da sua forte condição física, mas os médicos disseram-lhe que teve sorte e explicaram que pessoas em baixo de forma ou mais velhas não teriam sobrevivido. Mas mesmo após a cirurgia, a sua condição permaneceu crítica e Van Dijk precisou ficar internado. Meses depois, falou ao semanário neerlandês “Voetbal International” sobre esse período muito intenso.

    “Ainda me lembro de estar deitado naquela cama. A única coisa que eu conseguia ver eram tubos a sair de dentro de mim. O meu corpo estava partido, eu não podia fazer nada. Naquele momento, pensei nos piores cenários possíveis. Pela primeira vez na minha vida, o futebol era um problema secundário. A minha vida estava em risco. Eu e a minha mãe rezámos a Deus e discutimos possíveis cenários. A dada altura tive de assinar uns papéis. Uma espécie de testamento. Se morresse uma parte do meu dinheiro iria para a minha mãe. Claro que ninguém queria falar sobre isso, mas tínhamos de o fazer. Poderia ter acabado...”

    Van Dijk sobreviveu, mas o seu corpo estava fraco e nas semanas seguintes ainda estava vulnerável. Lukkien diz: “Fiquei chocado com o que tinha acontecido e quando ele voltou para o clube tinha passado de homem a uma pessoa franzina. Mas felizmente conseguiu recuperar rapidamente. Naquela época não voltou a jogar, mas foi capaz de iniciar a nova campanha no verão”.

    E a partir dessa nova época Van Dijk continuou o seu rápido desenvolvimento. Dentro e fora do campo ficou mais forte e começou a parecer um produto acabado. O seu desenvolvimento foi seguido por clubes estrangeiros, entre os quais o Brighton. Houve também contacto com alguns clubes da Europa de Leste, com grandes recursos, mas Van Dijk preferiu seguir um caminho mais gradual e considerou que um clube de topo neerlandês era o melhor passo a seguir. Mas não havia qualquer interesse concreto do Ajax, do Feyenoord ou do PSV, talvez devido à sua aparentemente despreocupada atitude em campo ou ao seu estilo defensivo “não neerlandês”. Nos Países Baixos ninguém estava muito convencido talvez por Van Dijk não ter jogado muito pelas seleções nacionais das camadas jovens. O interesse do Celtic parecia uma boa alternativa, sendo que a oportunidade de jogar na Liga dos Campeões e na liga escocesa ser um possível trampolim para uma mudança para a Premier League mais tarde. Van Dijk decidiu que esta seria a melhor opção.

    No Celtic houve a perceção imediata de que tinham conseguido um grande negócio. Kris Commons, que jogou com Van Dijk nas duas épocas que esteve em Parkhead, lembra-se da primeira vez que viu o neerlandês num treino. “Pensei: ‘como conseguimos ter um jogador tão bom?!’ Era visível como era bom. Estava à vontade com a bola, fisicamente forte, tecnicamente soberbo, um especialista no pontapé livre e bolas longas e a sua leitura do jogo era realmente impressionante. Durante esse primeiro treino, também me lembro do treinador Neil Lennon dizer ao adjunto Garry Parker: ‘Acho que ele pode jogar no meio-campo’”.

    “O Virgil levou-nos a outro nível. Ele preenchia todos os requisitos, tinha tudo. Podia receber a bola com o pé direito, mas também o fazia facilmente com o pé esquerdo e estava muito ciente do que estava a acontecer à sua volta. Todos na equipa estavam espantados!”, diz ainda.

    Ainda assim, Commons conseguiu vencer Van Dijk no prémio de jogador do ano em 2013/14, uma conquista que se deveu, principalmente, aos seus muitos golos naquele ano. Mas o médio ofensivo não se surpreendeu ao ver Van Dijk sair do Celtic depois de duas épocas. “Ele precisava de seguir em frente. E deixou o Celtic com a bênção de todos, pois é um tipo muito simpático. Quando o Virgil foi para Southampton também achei que era apenas mais um trampolim. Nunca pensei que ficaria até ao fim do contrato, que lá ficasse por quatro ou cinco anos”.

    Central leva sete dezenas de internacionalizações pelos Países Baixos
    Soccrates Images

    Na verdade, isso não aconteceu. Na janela de transferência de inverno da época 2017/18, Van Dijk conseguiu a sua desejada mudança para o Liverpool e foi em Anfield que se tornou um defesa de classe mundial. Nos seus primeiros dois anos e meio, ganhou a Liga dos Campeões, a Premier League e o Campeonato do Mundo de Clubes e terminou em segundo lugar nos Prémios da FIFA de 2019.

    Van Loon viu como Van Dijk continuou a crescer na Inglaterra. “Se olhar para o tipo de jogador que Virgil se tornou no Liverpool, vejo alguém que entende melhor o que é importante e o que não é importante. Adaptou-se a situações novas e mais desafiantes, como assumir mais responsabilidades pelos resultados das suas equipas, à medida que lida com maiores expetativas a nível de clubes e de seleções. Tornou-se capitão e a forma como lida com a equipa técnica e a imprensa é muito impressionante. Vejo como é bom a falar com os meios de comunicação social. Podemos ver a sua inteligência, que é algo que desenvolveu internamente, porque não tirou nenhum curso superior”.

    Van Loon explica que Van Dijk é um tipo de jogador que se consegue ajustar muito rapidamente, algo que também foi evidente na forma como voltou de uma lesão do ligamento cruzado anterior que sofreu em outubro de 2020. “É um tipo de pessoa que lida melhor com mudanças, lesões e deceções, como ficar em segundo lugar, por exemplo. Consegue facilmente lidar com novas circunstâncias, rapidamente redefinindo o seu modus operandi”.

    É por isso que o treinador das camadas jovens acha que Van Dijk ainda pode jogar ao mais alto nível nos próximos anos: “Porque continua a desenvolver-se e consegue ajustar o seu jogo a novas circunstâncias, como fez durante toda a sua carreira”.

    Van Loon está feliz com a maneira como a carreira de Van Dijk tem progredido até agora: “Eu, como tantos outros, estou muito orgulhoso do que ele alcançou”. Brugel, o homem que descobriu Van Dijk, é um deles e reconhece os pontos que Van Loon referiu anteriormente. “A sua personalidade desenvolveu-se de forma muito forte. Ele era um pouco introvertido até aos 20 anos, mas quando o vejo agora, vejo como é maduro e com um discurso fluente. Tornou-se um líder, forte fisicamente, bem articulado e uma extensão do treinador em campo. A sua forma de jogar não é muito diferente do que no passado. Jogava de uma forma muito característica na sua juventude e é exatamente igual ao que joga agora, mas é bom ver como evoluiu de menino para homem”.

    O orgulhoso Brugel, agora account manager no Willem II, sabe que as suas observações não estavam muito erradas há 25 anos.

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