E eis que a Inglaterra parece ter encontrado uma equipa que faz jus a Harry Kane
Avançado do Bayern Munique marcou o décimo golo em Mundiais
Maja Hitij - FIFA
Em 2018, Inglaterra e Croácia encontram-se na meia-final. Desta vez, cruzaram-se logo no arranque do grupo L. Menos decisivo, mas igualmente entusiasmante. O início de segunda parte foi fulcral para que a seleção dos Três Leões entrasse a vencer (4-2) num torneio em que, afinal, talvez se pode apresentar melhor do que seria de esperar. Com um bis no meio da enxurrada de golos, Harry Kane igualou Gary Lineker no topo da lista de melhores marcadores ingleses em Mundiais
Para os colecionadores de um nível superior aos que se empenham em terminar a caderneta de cromos, a camisola de Harry Kane é um artigo altamente apetecível. A espetacularização do Mundial também aporta detalhes curiosos. No braço, a camisola do avançado tinha um detalhe exclusivo: o autocolante que indicava que aquele tecido estava colado ao Bota de Ouro. Obrigado pela discreta e elegante indicação, mas estávamos em vias de comprovar o portentoso estado de forma do avançado por outras vias.
O adjetivo “soberbo” foi inventado para descrever exibições como esta. Foi um regalo ver Kane baixar no terreno, quase para as entranhas dos centrais para servir de ligação e ainda chegar a tempo ao ataque a tempo de finalizar. Ao atingir os 10 golos em Mundiais, igualou Gary Lineker no topo da lista de ingleses que mais vezes marcaram na competição. A exibição fez justiça ao recorde.
Por vezes, o golo parece ter ainda mais vontade que o marquem do que o jogador ao qual acaba por se atracar. Harry Kane falhou a grande penalidade. O longilíneo Livakovic travou-o, mas foi rápido demais a avançar. Na repetição, o jogador do Bayern Munique inaugurou um marcador que se revelaria irrequieto. Porém, o grande feito só seria atingido com a traulitada que deu ao canto de Declan Rice, que lhe serviu o bis.
Luka Modric saiu cedo e cometeu uma grande penalidade
NurPhoto
Durante uma hora, o jogo foi eletrizante, sem que nenhuma equipa se estabelecesse territorialmente. As duas andavam cá e lá. Destacava-se Noni Madueke no meio do frenesim. A Croácia, sempre a preferir ataques mais alongados, estrebuchou e muito. Martin Baturina, de fora da grande área, marcou um golaço. Menos vistosa, mas bem trabalhada foi a articulação entre Mario Pasalic e Ivan Perisic da qual usufruiu Petar Musa. Foi do antigo avançado do Benfica a autoria do 2-2 preservado até ao intervalo.
Até aqui, a Croácia tinha conseguido responder à altura. Importa não esquecer que as duas seleções se opuseram na meia-final, em 2018, aspeto revelador do seu nível. No entanto, durante o arranque da segunda parte, a Inglaterra não teve acompanhamento. Existiam sempre três leões a atacar os espaços libertados por Kane. Um deles era Jude Bellingham (os outros Anthony Gordon e Noni Madueke). Envolvido na procura da profundidade, embalou para o 3-2.
O Mundial 2026 talvez tenha demorado uns aninhos a mais para que ainda pudéssemos ver algumas lendas no auge, Luka Modric incluído. Vê-lo sair aos 58 minutos com a Croácia em desvantagem e após ter cometido uma grande penalidade assim o indica.
Livakovic parou quase tudo, mas não o remate de Bellingham
Eddie Keogh - The FA
Livakovic intrometeu-se nas situações perigosas que a Inglaterra não parou de criar. A partir do banco, Thomas Tuchel fez uma demonstração de força ao refrescar o ataque com Bukayo Saka e Marcus Rashford. Inevitavelmente, o segundo acabaria por alargar ainda mais a vantagem.
Noutros torneios, a Inglaterra passou por momentos em que o poderio de Harry Kane não era acompanhado pela restante equipa. O arranque do Mundial 2026 mostrou uma seleção que faz jus à principal figura. Se continuar assim, não será nada entediante.