O 10 argentino entrou no Mundial com três golos frente à Argélia
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No redondo jogo 200 pela seleção, em Kansas City, esse argentino já só “focado em desfrutar” apesar de a sua “essência ser competir” voltou a iluminar o caminho da Argentina: Messi arrancou a noite a ver Miroslav Klose à distância pelo terceiro Mundial seguido, acabou-a igualando o alemão como melhor marcador da competição
Eram cento e noventa e nove jogos, o primeiro desses um arrebatar brusco, feito com a barriga, aos solavancos e trambolhões, de quem mandava no futebol argentino: havia um rapaz tímido, pequeno de figura, em Barcelona mas nascido argentino, a quem os catalães deram hormonas de crescimento e os espanhóis queriam furtar, malandros, tocava agir rápido. Organizou-se um jogo particular de chofre no vermelho e branco do estádio em La Paternal, bairro de Buenos Aires, no mesmo pasto onde décadas atrás se estreou o deus mais humano. Não se deve esquecer o passado para que ele se possa repetir.
A primeira internacionalização de Lionel Messi, em 2004, feita aos pontapés no recinto do Argentinos Juniors batizado de Diego Armando Maradona, aconteceu para garantir que ele, já argentino, seria da Argentina, do povo que desconfiou, que maldisse até 2022, quando rebocou a seleção até à terceira estrela na camisola e o divino apareceu no Catar. E já está, então sim ganhou tudo, deu a alegria das alegrias aos argentinos enlouquecidos com outro argentino canhoto e logo um argentino de quem durante tanto tempo duvidavam da argentinidade.
No redondo jogo duzentos pela seleção, em Kansas City, esse argentino já só “focado em desfrutar” apesar de a sua “essência ser competir” voltou a iluminar o caminho da Argentina: Messi marcou três golos, os campeões mundiais ganharam à Argélia e as suas intermitências na estreia nos EUA foram rasuradas pelo pincel impressionista do seu mais que tudo. “O mais bonito é ver como está feliz”, realçou Alexis MacAllister, dizendo que a seleção “tem de jogar para ele”, um tipo a dias dos 39 anos, “se sentir cómodo”. Rodrigo de Paul garantiu que Lionel “não pensa em recordes, mas acaba por os conseguir todos”.
Messi e o seu guarda-costas em campo, Rodrigo De Paul, festejam com a taça lá ao fundo
Masashi Hara
Messi arrancou a noite a ver Miroslav Klose à distância pelo terceiro Mundial seguido, acabou-a igualando o alemão. São 16 golos em 27 partidas, difícil esta crer que não conseguirá mais festejos neste torneio, os deste tipo, fora os outros: vivia ele há 18 anos e 358 dias quando marcou, em 2006, tornando-se o mais novo de sempre a fazê-lo pelo país em Mundiais; na noite de exacerbação argentina em Kansas City, aos 38 anos e 357 dias virou o mais velho também.
No mesmo dia do par de golos de Erling Braut Haaland, dos dois de Kylian Mbappé, jovens na fibra da juventude, mais uns supostos reis da próxima geração, o pé esquerdo de Messi emulou-se, duplicou golos à Messi antes da sua chuteira direita encostar o restante e neste Mundial ondeLa Pulga chegou mais difícil de se ver — joga no pouco mediático futebol dos EUA, longe do interesse do adepto comum —, sendo mais incógnita quanto ao seu estado, mostrou que o seu físico a findar, a sua explosão ida, não diminuem o seu impacto num jogo.
Vinte e dois anos após o primeiro encontro que fez pela Argentina, o seu 200 pela seleção repôs o mundo, mesmo aquelas partes do mundo que não ligam muito à bola, mas que o Mundial chama à receção, a falar dele. Pudera: aquele rapaz para quem o seu país teve de ir à pressa inventar um jogo particular para o agarrar é o homem a quem hoje querem abrandar o tempo.
Na sua 200ª vez pela seleção, no primeiro dia do seu sexto Mundial, o primeiro a jogar em tantos, Lionel Messi é o melhor marcador da história dos Campeonatos do Mundo.