“O mundo inteiro viu isto”: adeptos da RD Congo comemoraram o empate com Portugal
Adeptos da República Democrática do Congo a festejarem em Houston durante o jogo com Portugal
DESIREE RIOS/The New York Times
Num estádio com capacidade para quase 70.000 pessoas, os adeptos congoleses foram amplamente superados em número pelos adeptos de Portugal, que transformaram o NRG Stadium num verdadeiro mar vermelho. Mas os adeptos da equipa menos favorita fizeram-se ouvir
Jesus Jiménez/The New York Times
HOUSTON — Na tarde de quarta-feira, em frente ao NRG Stadium, em Houston, Jerry Tshipamba exibia um sorriso radiante de orgulho depois de ver a RD Congo empatar com Portugal.
Portugal, liderado por Cristiano Ronaldo, está entre os favoritos à vitória no torneio e era amplamente esperado que vencesse o jogo. Depois de Portugal ter marcado aos seis minutos, parecia que a equipa poderia vencer por uma larga margem, mas os congoleses marcaram mesmo antes do intervalo, empatando o jogo.
O golo foi o primeiro da República Democrática do Congo num jogo do Mundial, e o empate rendeu à equipa o seu primeiro ponto no torneio.
“Conseguimos segurá-los, dar-lhes mesmo luta, e o mundo inteiro viu isto”, disse Tshipamba, de 38 anos. “Isto não vai ser uma brincadeira. Se enfrentares a RD Congo, prepara-te para correr e para lutar, porque vamos dar-te uma lição.”
Tshipamba, que nasceu e cresceu no Congo, viajou de Los Angeles para ver a sua equipa jogar ao vivo.
“Já há muito tempo que esperávamos isto”, disse ele. “Acreditámos muito nos nossos jogadores.”
Num estádio com capacidade para quase 70.000 pessoas, os adeptos congoleses foram amplamente superados em número pelos adeptos de Portugal, que transformaram o NRG Stadium num verdadeiro mar vermelho. Mas os adeptos da equipa menos favorita fizeram-se ouvir.
“Congo! Congo!”, gritavam, vestidos com as suas camisolas azul-claras.
Quando Yoane Wissa, avançado congolês, empatou o jogo com um cabeceamento nos minutos de compensação antes do final da primeira parte, os adeptos congoleses explodiram em aplausos, abafando os gemidos dos adeptos portugueses e os suspiros de espanto dos demais.
A última vez que a seleção congolesa disputou um Mundial foi em 1974, quando o país ainda se chamava Zaire. Nesse torneio, a equipa perdeu os três jogos da fase de grupos, sem marcar nenhum golo e sofrendo 14.
Os adeptos da RD Congo viram a sua equipa surpreender Portugal, no primeiro ponto conquistado pela equipa em Mundiais
DESIREE RIOS/The New York Times
O desempenho da equipa na quarta-feira deu aos congoleses um motivo para comemorar no meio de um ano difícil, em que o seu país se tornou o epicentro de um surto de Ébola que já causou a morte de quase 200 pessoas na África Oriental.
Antes do torneio, o governo dos EUA ordenou que a seleção congolesa ficasse em isolamento durante 21 dias, sob pena de lhe ser negada a entrada no país.
Na quarta-feira, essas preocupações pareceram dissipar-se, pelo menos por breves instantes, à medida que os últimos minutos do jogo se esgotavam e os adeptos congoleses se tornavam cada vez mais barulhentos.
Após o jogo, Elektra Mpeti, de 20 anos, da Flórida, posou para uma fotografia à saída do estádio com a sua camisola branca do Congo, para guardar uma recordação desse momento.
“É uma verdadeira bênção ver que eles conseguiram”, disse Mpeti. O Congo vai defrontar a Colômbia na terça-feira, em Guadalajara, no México, num jogo que também deverá colocar à prova a seleção masculina congolesa.
Mpeti afirmou estar esperançosa de que a sua equipa tenha um bom desempenho. “Eles vão continuar a destacar-se, a demonstrar o orgulho congolês”, afirmou ela: “Acho que não nos vão desiludir.”
Tshipamba diz que a Colômbia não será um adversário fácil, mas que a seleção do RD Congo pode aproveitar o impulso do seu impressionante empate na quarta-feira.
“Vamos fazer o mesmo com todos os outros adversários”, afirmou Tshipamba. “O que importa é o respeito e o trabalho árduo, e talvez as pessoas precisem de nos respeitar agora porque vêem do que somos capazes.”