Cabo Verde apresenta o “Miaminazo” ao Uruguai e volta a pontuar no Mundial
Kevin Pina a festejar o primeiro golo de sempre de Cabo Verde em Mundiais
Alex Slitz
Kevin Pina marcou o primeiro golo de sempre de Cabo Verde em Mundiais e Hélio Varela fez o do empate (2-2): frente ao Uruguai, num jogo em que esteve mais atrevida do que no jogo de estreia, a seleção de cabo-verdiana manteve o seu conto de fadas, partindo para a última jornada com tudo em aberto para a qualificação
E eis que, no final da segunda jornada da fase de grupos do Mundial, Cabo Verde tem dois pontos, dois empates frente a seleções campeãs mundiais, contra os dois pesos pesados do Grupo H. Depois da Espanha, anulada pela organização defensiva cabo-verdiana, agora foi o Uruguai a ser travado, num misto de erros e de maior audácia da equipa de Bubista, que até marcou primeiro e soube depois reagir à reviravolta dos sul-americanos.
No final, o 2-2 penaliza bem mais o Uruguai, que na última jornada terá pela frente a Espanha, enquanto Cabo Verde terá, no encontro com a Arábia Saudita, história à espera: pontuar pode significar a fase seguinte.
Num duelo em Miami que foi rasgadinho no início, com duas equipas agressivas nos duelos, o Uruguai arrancou, sem surpresa, com mais ímpeto, mas sem criar oportunidades na baliza de Vozinha, que lá ao fundo assistiu a história a ser feita, quando aos 21’ Kevin Pina, de livre direto, ainda bem longe, enviou uma bomba para dentro da baliza do Uruguai, o primeiro golo de sempre de Cabo Verde em Mundiais.
Ryan Mendes a disputar a bola
Anadolu
Ajudou a barreira uruguaia, de apenas dois elementos, que se abriu num movimento divergente para ver a bola de Lenini, como é conhecido, passar. Muslera tão-pouco esteve bem. Cabo Verde agradeceu.
Mas o Uruguai iria para o intervalo em vantagem, conseguindo dar a volta no momento mais confortável de Cabo Verde no jogo. Primeiro por Maxi Araújo, no segundo golo do jogador do Sporting no Mundial, a fazer a recarga depois de um corte mal direcionado de Sidney Cabral, que foi embater no poste da baliza de Vozinha.
Já nos descontos da 1ª parte, num raro lance de falta de concentração da linha defensiva cabo-verdiana, apareceu o 2-1: Ugarte lançou desde longe para a área, Maxi Araújo ganhou o lance de cabeça e a bola seguiu para Agustin Canobbio que, sem marcação, só necessitou de um toque subtil para afastar a bola do guarda-redes de Cabo Verde.
Hélio Varela levado em ombros pelos colegas depois de marcar o segundo golo de Cabo Verde
Alex Slitz
Na 2ª parte voltou a haver surpresa: aos 61’, Mathías Olivera fez um atraso atabalhoado para o guarda-redes e Muslera respondeu com uma saída destemperada à bola. Aproveitou o recém-entrado Hélio Varela, homem que partilha o sobrenome com um dos maiores mitos da história do futebol uruguaio, Obdulio Varela, um dos heróis do Maracanazo de 1950. Com um toque, Varela tirou Muslera do lance e com um segundo toque fez o empate.
Depois do golo, veio novo período por cima de Cabo Verde. Jamiro Monteiro quase marcou na meia-distância, com a bola a beijar as redes superiores, e vários ataques rápidos acabariam desaproveitados. Os minutos finais seriam de investidas contínuas do Uruguai, com o eixo da defesa cabo-verdiana (mais um grande jogo de Pico e Diney) a aguentar o forte. O jogo tornou-se partido, a pedir golos, mas o resultado não se alteraria.
É mais história para Cabo Verde, que não se cansa dela e que chega à última jornada com todas as hipóteses em aberto. Que continue a festa na Praia.