Ao 42º jogo do Mundial, chegou a primeira maratona de quase 4 horas. Foi o França-Iraque, um jogo que Mbappé nunca esquecerá
As nuvens cinzentas de Filadélfia que atrapalharam o jogo por cima de Mbappé, que não lhe dificultaram a chegada aos 16 golos em Mundiais
Hannah Peters - FIFA
O Mundial estava a decorrer com uma estranha normalidade até ao intervalo do França-Senegal, em Filadélfia, se ter prolongado durante duas horas devido às tempestades. Entre as duas partes, não faltou tempo para descansar. A equipa gaulesa foi competente em ambas. Kylian Mbappé bisou no jogo 100 pela seleção e só tem Messi pela frente na lista de melhores marcadores do torneio
Nunca as pausas em cada parte foram tão redundantes como no França-Iraque. Um dilúvio fez mira ao estádio de Filadélfia e a movimentação do público, a cobrir-se com capas para o efeito, parecia ser o início de uma fuga ao apocalipse. A conveniência de momentos para hidratação foi por isso substancialmente reduzida. No fim da primeira parte, os gauleses adotaram o ritual do râguebi, em que os jogadores correm até aos balneários. A vontade de vestir uma roupa seca era grande.
O Mundial de Clubes, há um ano, serviu também para preparar toda a gente para o que podia acontecer na competição de seleções. Só que a tardia aparição das intromissões do mau humor do tempo - demorou 42 jogos -, fez os mais ingénuos acreditarem que o clima não ia fazer das suas. Enganaram-se. O pontapé de saída foi dado às 22h de Lisboa e o último apito ouviu-se por volta das 1h50. Um comprimento temporal digno de uma partida de ténis à melhor de cinco sets.
O intervalo foi bem mais longo do que o estipulado. No ecrã do estádio, surgiu um aviso que indicava aos adeptos para se abrigarem nas zonas cobertas das bancadas devido à ameaça de que a trovoada e os ventos fortes se juntassem a uma chuva ainda mais intensa. Quando foi decretada a interrupção, a França vencia por 1-0. Foi preciso esperar mais de duas horas para voltar a ver ação. Os jogadores reaqueceram e, no final, os Les Bleus somaram a segunda vitória (3-0) no grupo I.
O França-Iraque esteve interrompido devido a uma tempestade
Anadolu
O França-Iraque esteve interrompido devido a uma tempestade
Anadolu
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A França está longe de estar centrada em Kylian Mbappé, a cumprir a centésima internacionalização. Sobressair entre tão equiparada companhia é obra, até porque o capitão não marca apenas em situações onde o ponta de lança de uma equipa dominadora tem apenas que encostar.
Foi reconfortante ver um pouco de futebol de rua a acontecer. O defesa iraquiano Merchas Doski tentou passar a bola por entre as pernas do avançado e perdeu-a. Mbappé quis-se vingar e completou o drible. Deu seguimento à ousadia com um remate, de pé esquerdo, para o fundo da baliza.
Desta vez, ao contrário do sucedido frente ao Senegal, Ousmane Dembélé tombou para a direita onde esteve mais desenvolto. Michael Olise atuou como número dez, o que também não lhe assenta nada mal. Bradley Barcola surgiu como novidade à esquerda.
Perante uma disparidade de talento tão grande face ao Iraque, a arrumação do mesmo torna-se relativa. O contraste ficou demonstrado no disparate de Zaid Tahseen, central que, sem pressão por se tratar de um pontapé de baliza, mediu mal o passe para o guarda-redes e entregou o bis a Mbappé.
O atacante do Real Madrid chegou ao 16º golo em Mundiais. Igualou Miroslav Klose que, até ser ultrapassado por Messi no Mundial 2026, era o melhor marcador da história da competição. Um feito soberbo, portanto.
Para Michael Olise e Ousmane Dembélé, nenhum espaço parece demasiado pequeno e nenhum ângulo de passe parece impossível. O divertimento da parelha conduziu o Bola de Ouro ao 3-0. De um lado, um jogador que só joga com o pé esquerdo. Do outro, um ambidestro. O contraste funcionou.
A segunda parte, que decorreu sem incidentes, foi poupada à separação feita pela pausa de hidratação. Assim sendo, o encontro fluiu até ao final e a França confirmou que também estará na fase a eliminar.