Capitão de Portugal já tem o seu recorde ao seu sexto Mundial
Carmen Mandato - FIFA
Voltou a redefinir limites ao tornar-se no primeiro jogador a marcar em seis Mundiais, 20 anos depois de o ter feito pela primeira vez, e abriu caminho à vitória de Portugal contra o Usbequistão. Cristiano Ronaldo foi escolhido pela redação da Tribuna Expresso como a figura do jogo da segunda jornada do Grupo K, onde uma ala esquerda imparável e um engenheiro também estiveram em alta
Uma boa parte da reserva nacional de palavras foi nos últimos dias gasta em considerações sobre Cristiano Ronaldo. Nada do que possa vir a fazer apaga o passado do capitão de Portugal, o que tanto é válido para a exibição penosa contra a República Democrática do Congo, como para uma carreira inteira de títulos e recordes. A exibição contra o Usbequistão foi sobretudo o exercer do direito de resposta.
Quando alguém se sente vilipendiado por algo que tenha publicamente visado a sua imagem, deve poder contra-argumentar e o justo é que lhe seja dado o mesmo espaço onde surgiram as críticas merecedoras de réplica. No relvado, Cristiano Ronaldo atentou contra a sua reputação. No mesmo relvado, Cristiano Ronaldo recuperou parte dela.
Reparou-se que ao marcar o primeiro golo do jogo o avançado sentia ter dado uma bicada aos haters. Muitas emoções estoiraram naquele momento, sentimentos armazenados para lá do limite de capacidade do disco rígido. Diga-se que o próprio não se tem prestado a grandes desabafos, fazendo de outros jogadores os testas de ferro nos contactos com a imprensa - esta noite foi uma exceção.
Os colegas de equipa também tiveram uma sensação de alívio, celebrando com o mesmo deslumbre com que se festeja quando um jovem marca na estreia. Rúben Dias foi mais longe: colocou-lhe a mão no peito e fê-lo sentir a responsabilidade. Não deixa de ser uma boa metáfora da vida. Quer no começo, quer no fim, precisamos mais da ajuda dos outros do que de nós mesmos.
Ao contrário do primeiro, em que teve uma desmarcação sagaz, o segundo foi uma situação de maior oportunismo. No entanto, foi esse que lhe permitiu chegar aos dez golos em Mundiais. Oportunidades não lhe faltaram para conseguir o hat-trick, apenas ficou aquém alguma explosão.
É graças a Cristiano Ronaldo que os horizontes do futebol são um pouco mais conhecidos. Até este dia, nunca ninguém tinha marcado em seis Mundiais diferentes e, como em tantas outras contabilidades, essa é uma ilha só sua. Fê-lo pela primeira vez em 2006, contra o Irão. 20 anos depois, repetiu o feito.
Lionel Messi já marcou cinco vezes em dois jogos. Cristiano Ronaldo tem dois golos. Claro, há os herdeiros, Kylian Mbappé e Erling Haaland. Ainda assim, de repente, parece que voltámos atrás no tempo.
🍭 O tipo das pantufas
O atacante a hipnotizar os defesas do Usbequistão
Maja Hitij - FIFA
João Félix: partiu da sua inclusão no onze inicial a mudança de ideia tática no ataque. Não é extraordinariamente comum que a seleção tenha em simultâneo dois extremos com o melhor pé dirigido à baliza adversária, como frente ao Usbequistão. Se contarmos o tempo que o jogador do Al Nassr teve a bola, não ficaremos impressionados. É preciso reparar nos efeitos causados por se livrar dela depressa. Foi um daqueles artistas que não precisa de fazer muitos espetáculos e em dias consecutivos, porque pode escolher as melhores salas. Tocando com critério, vai sempre ter um bom pé de meia.
🚂 O comboio
Nuno Mendes marcou de livre direto
Image Photo Agency
Nuno Mendes: deu a dica para que lhe tirem os extremos do corredor de modo a que seja ele a poder galgar terreno. Já agora, não o algemem a uma construção a três e deixem-no tocar nos livres. Devido à complementaridade, formou uma irmandade com João Félix pela esquerda. Chegou ao Mundial numa condição física duvidosa, mas está-se a aguentar bem.
👨🏻🎨 O engenheiro
O herói improvável da seleção nacional
Michael Steele
Austin MacPhee: quem? Aquando do quarto golo, Roberto Martínez cumprimentou o indivíduo de cabelo loiro que estava junto a si. Não é um qualquer anónimo. Trata-se do treinador de bolas paradas. A veia criativa de Portugal nos sistemas táticos é, na verdade, uma apropriação das ideias deste escocês de 46 anos. Até com alguns floreados, a equipa demonstrou ter um playbook interessante para estes momentos cada vez mais decisivos.