É um daqueles que escolheu o ídolo sem o ver jogar. Uma vez, quando era miúdo, com 10 ou 11 anos, leu um artigo qualquer sobre Didi e a maneira como o genial brasileiro do Real Madrid jogava. O nome seduziu o pequeno Antonín e assim, cegamente, ganhou um herói distante. A imaginação fazia o resto.
Antonín, que ainda não era Panenka, era um miúdo que ia com o pai ver futebol ao fim de semana, chegavam a ver seis ou sete jogos. O amor do pai àquele desporto levou-o a tentar algo mais a sério. O senhor Panenka nunca perdeu um treino do filho, até um que o jovem Antonín faltou porque não sabia que estava marcado. “Ele foi ao campo e não me viu, voltou a casa e encontrou-me lá. Deu-me uma tal bofetada que nunca me atrevi a explicar-lhe que não perdi aquele treino por preguiça, mas por desconhecimento”, contou Panenka, em entrevista para o número 1 da revista “Panenka”, em 2011, numa sala humilde do modesto estádio Ďolíček, onde joga o Bohemians, de Praga, o clube onde Antonín jogou 230 jogos durante 23 anos. O ídolo evoluíra entretanto para Josef Masopust, o mago checo das décadas de 50 e 60.
A vida de Panenka, claro, parece resumir-se àqueles poucos segundos em que, com coragem espalhada por todos os milímetros da elegante carne checa, picou a bola para o meio da baliza de Sepp Maier, transformando aquela manobra da final do Euro 1976 numa obra de arte eterna.
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