Depois da exibição cinzenta da seleção nacional frente à República Democrática do Congo, na primeira jornada do Mundial 2026, Cristiano Ronaldo foi o principal alvo de críticas na hora de encontrar responsáveis para o desapontante empate. Nem uma semana depois, Ronaldo é de novo o centro das atenções, mas desta vez a razão é aquilo que o próprio lembrou “andar há 23 anos a fazer“: marcar golos e bater recordes.
“Velhotes de ouro a disputar a Bota de Ouro?“, pergunta o jornalista Nick Ames no “Guardian“, onde fala do “alívio“ de Ronaldo depois de uma “semana difícil e escura“. Apesar de reconhecer mais um “grande feito de Ronaldo“, Ames pede “calma“ e lembra que “é justo questionar se, no contexto das ambições da seleção portuguesa, o seu renascimento contra um adversário tão inadequado é algo revelante”.
O portal The Athletic destaca o “rugido” de Ronaldo que — não querendo ficar para trás na corrida de estrelas com Messi, Haaland e Mbappé — lhe permitiu acabar com a seca de golos em grandes torneios pela seleção. Depois de se tornar no primeiro jogador de sempre a faturar em seis Campeonatos do Mundo, CR7 é uma “prova excecional de resistência, ambição, longevidade e brilhantismo”, pode ler-se. “Estará Ronaldo de volta?”, fica a pergunta.
Na BBC, Michael Emons escreve que Ronaldo “apesar de tarde, chegou em grande à festa” referindo-se ao novo recorde batido pelo capitão da seleção portuguesa, que foi “a resposta perfeita para os críticos que já o tinham descartado”.
“Ronaldo entrou no chat”, diz Lawrence Ostlere no “The Independent“ colocando o internacional português no grupo de candidatos a melhor marcador do torneio. Para o jornalista, a goleada portuguesa por 5-0 foi como uma nota de rodapé já que “o jogo pareceu menos sobre futebol e mais sobre a busca de um homem para justificar a sua existência”.
Ostlere nota que “com todas as limitações que tem aos 41 anos, Ronaldo continua um atirador furtivo no último terço” e que “numa equipa onde abunda talento, ainda consegue ser útil e uma arma eficaz. Mesmo quando está parado”, numa referência à influência da sua presença junto à bola para iludir o guarda-redes no livre que acabou marcado por Nuno Mendes.
Em Espanha, o “El País“ fala em “trabalho coral” de uma seleção portuguesa “inflamada”, cuja troca de bola “rápida” e “entrelaçada” cedo deu frutos. ”O sorriso de Roberto Martínez no banco e a sensação de alívio de Cristiano foram reveladoras”, observou o jornalista Diego Fonseca Rodríguez, que viu um Ronaldo dos “velhos tempos, a antecipar-se aos centrais com uma desmarcação fantástica e a enjaular a bola ao primeiro toque”.
A jornalista Laura Hunter apontou na Sky Sports que a insistência de Roberto Martínez em manter Ronaldo no onze português apesar das fortes críticas acabou por revelar-se “mais do que justificada“. Para Hunter o livre cedido a Nuno Mendes e a forma como Cristiano correu para o banco para celebrar depois de marcar aos seis minutos são ”demonstração de união” e sinais de que “talvez este último capítulo (na seleção) seja mais que o Show Ronaldo”.
Artigo de Maria Beatriz Batalha, editado por Lídia Paralta Gomes
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