O voo de Manzambi guia a fiável Suíça ao primeiro lugar do grupo B
Manzambi festeja o 2-0 da Suíça
Alex Grimm
O jovem médio, de talento singular, foi novamente decisivo para a vitória helvética, com um golo e uma assistência no 2-1 contra o Canadá, que foi relegado para a segunda posição. Também com brilho do petiz Alajbegović, a Bósnia superou (3-1) o Catar e, com quatro pontos, tem vaga nos 16 avos de final quase certa
Há um toque de regularidade em torno da seleção suíça que anda de mãos dadas com o tédio. Instalada na classe média-alta da bola europeia, a equipa do país conhecido pela neutralidade bélica habituou-nos a estar sempre nas fases finais e, uma vez lá, a superar sempre as fases de grupos, fiável, sem sobressaltos.
Com efeito, a Suíça está, pelo sétimo grande torneio consecutivo, em zona de mata-mata. Caiu nos oitavos-de-final dos últimos três Mundiais, a mesma fase em que foi eliminada do Euro 2016, foi quarto-finalistas da máxima prova do seu continente em 2020 e 2024. Em 2026, eis mais uma voltinha no sereno carrossel.
Diante dos co-anfitriões Canadá, os homens de Murat Yakin não efetuaram a mais entusiasmante das exibições. Eles fazem da experiência uma arma, apoiados numa espinha-dorsal que parece imune à passagem do tempo: Xhaka e as suas 149 internacionalizações, Ricardo Rodríguez e as 141 vezes que vestiu a camisola nacional, Elvedi-Akanji é uma parelha de centrais com 154 duelos entre si pela Nati, Freuler chegou aos 91 jogos, Embolo vai em 89.
Se esta constância é uma força, o outro lado da moeda é uma certa queda para a monotonia. E parece ser com a missão de evitar o marasmo que Johan Manzambi está neste Mundial. Ele tem 20 anos, atua no Friburgo, chegou àfinal da Liga Europae é um dos mais fortes candidatos a melhor jovem da competição. É impulsivo, arrisca, conduz a bola, chega à área, tem ares de Paul Pogba quando Paul Pogba era jovem e parecia que tudo no mundo lhe era possível, dava a ideia que era capaz de defender e atacar e criar e rematar e estar em todo o lado ao mesmo tempo.
Após sair do banco para revolucionar o embate contra a Bósnia, Manzambi foi titular perante o Canadá. No primeiro minuto do segundo tempo atacou o espaço e serviu Vargas para o 1-0, aos 57' aproveitou um passe de Embolo para o 2-0. Em nenhum Mundial do pós-II Guerra Mundial conseguira, até agora, um futebolista marcar duas e assistir duas vezes nos seus três primeiros embates no certame.
O brilho do jovem foi chave para o 2-1 final. O Canadá, entusiasmado e sempre cheio de energia, ainda reduziu, aos 76', por Promise David. Teve diversas chances para o 2-2 num jogo duro, com entradas violentas, mas o primeiro lugar do grupo foi mesmo helvético. A regular Suíça vai agora ter os 16 avos de final em Vancouver, enquanto os canadianos terão de cruzar a fronteira para competir em Los Angeles.
Bósnia a caminho da história
O terceiro lugar foi para a Bósnia. A equipa balcânica, responsável por atirar Itália para foradas américas, logrou triunfar (3-1) contra o Catar de Julen Lopetegui.
Kerim Alajbegović atira para o 1-0 da Bósnia
Soobum Im - FIFA
A Bósnia terá de ficar à espera do desfecho dos restantes 11 grupos para ter a certeza matemática da sua presença na fase a eliminar. Não obstante, com quatro pontos, é virtualmente certo que os europeus rumarão aos 16 avos de final.
É a primeira vez que o país, no Mundial pela segunda ocasião após o Brasil 2014, logra superar a fase de grupos. O Catar, por seu turno, teve um grande momento ao roubar pontos à Suíça a abrir, mas depois somou duas derrotas.
O grande destaque em Seattle foi outro jovem. Kerim Alajbegović, de 18 anos, entusiasma pelo drible e poder de finalização e, aos 29', abriu o marcador com um grande tiro, tornando-se no mais jovem goleador de fora da área da história dos mundiais. O 2-0 chegaria aos 34', num auto-golo de Abunada. Os catarenses ainda reduziram aos 42', por Al Haydos, antes de, aos 80', Mahmic selar o 3-1 final.