Brasil, Marrocos, Suíça, África do Sul, Bósnia-Herzegovina e o coanfitrião Canadá qualificaram-se na quarta-feira para os 16 avos de final do Mundial de futebol de 2026, num 14º dia marcado pela estreia do canarinho Neymar Jr. As seis seleções apuradas juntam-se a México (Grupo A), Estados Unidos (D), Alemanha (E), França e Noruega (I), Argentina (J) e Colômbia (K), que só necessitaram de duas rondas para garantir um lugar na fase a eliminar da competição.
Pelo contrário, Catar e Chéquia disseram 'adeus', o que já tinha acontecido a Haiti, Turquia, Tunísia, Jordânia e Panamá, enquanto a Coreia do Sul (três pontos e 2-3 em golos) e a Escócia (três e 1-4) estão na lista de espera dos terceiros.
A sensação do dia aconteceu no Grupo A, com a África do Sul a saltar do quarto para o segundo lugar, e para o primeiro apuramento para a fase eliminar da sua história, após os falhanços de 1998, 2002 e 2010 (em casa), ao vencer a Coreia do Sul por 1-0. Em Guadalupe, o herói dos 'bafana bafana' foi Thapelo Maseko, que apontou o golo da vitória, aos 63 minutos.
A África do Sul beneficiou também da ajuda do coanfitrião México, que, mesmo com poupanças, somou o terceiro triunfo em três jogos, ao bater a Chéquia por 3-0, na Cidade do México. Mateo Chávez (55 minutos), Julián Quiñonez (61) e o suplente Álvaro Fidalgo (90+4) marcaram os golos dos mexicanos e assinaram um pleno na fase de grupos que nunca tinha sido conseguido por uma equipa fora da Europa e da América do Sul.
No Grupo B, Vancouver recebeu um embate de líderes e ambos seguiram em frente, com a Suíça — que tinha começado com um empate (1-1) com o Catar — a somar o segundo triunfo seguido e a 'roubar' o primeiro lugar ao coanfitrião Canadá. Os helvéticos marcaram por duas vezes no início da segunda parte, por intermédio de Rubén Vargas (segundo golo na prova), aos 46 minutos, e Johan Manzambi (terceiro), aos 57, com Promise David a reduzir aos 76, depois de ser lançado aos 75.
A Suíça vai, assim, manter-se em Vancouver, onde defrontará um terceiro classificado, a 2 de julho, enquanto o Canadá — que chegou a este Mundial com seis derrotas em seis jogos nas duas anteriores participações — é deslocalizado para Inglewood, onde defrontará a África do Sul, em 28 de junho - é o primeiro jogo conhecido da próxima fase.
No outro embate, em Seattle, entre duas equipas obrigadas a ganhar, a Bósnia-Herzegovina superou o Catar por 3-1, com tentos de Kerim Alajbegovic (28 minutos), Mahmoud Abunada (34, na própria baliza) e Ermin Mahmic (80), contra um de Hassan Al-Haydos (42) e, mesmo tendo ficado em terceira, já está apurada.
Os bósnios garantiram que serão um dos oito melhores terceiros, e não um dos quatro piores, ao somarem quatro pontos, com 5-6 nos golos, pois a Coreia do Sul (Grupo A) e a Escócia (C) já fecharam com três, o máximo que poderá somar o do I, enquanto o dos grupos D e J podem chegar aos quatro pontos, mas com pior diferença de golos (dois negativos).
Brasil em primeiro e Neymar de regresso
Quanto ao Grupo C, cumpriram-se os prognósticos, com os triunfos de Brasil (3-0 à Escócia) e Marrocos (4-2 ao Haiti), que esteve, porém, duas vezes em desvantagem. Em Miami Gardens, Vinicius Júnior, com a ajuda da defesa escocesa, marcou os dois primeiros golos do Brasil, aos sete e 45+3 minutos, passando a contar quatro na prova, enquanto Matheus Cunha apontou o terceiro, aos 60, num jogo em que Bruno Guimarães somou duas assistências.
Além do triunfo, tranquilo, os 'canarinhos' festejaram o regresso à seleção de Neymar Jr., que voltou 981 dias depois e igualou os 14 jogos do 'rei' Pelé em Mundiais. Entrou aos 76 minutos e ainda tentou marcar o 'seu' golo. O Brasil já sabe que iniciará a fase a eliminar em 29 de junho, face ao segundo do Grupo F (Países Baixos, Japão ou Suécia), em Houston, uma vez que venceu o Grupo C, graças a uma melhor diferença de golos do que Marrocos (7-1 contra 6-3).
A formação africana esteve duas vezes a perder na primeira metade, culpa de autogolo de Yassine Bounou (10 minutos) e a um 'golaço' de Wilson Isidor, mas chegou a meio empatada, face aos tentos de Achraf Hakimi (39) e Ismael Saibari (45+1). Na segunda parte, dois suplentes saíram do banco para decidir o jogo, nomeadamente Soufiane Rahimi (78 minutos) e Gessime Yassine (88).
Portugal pode garantir apuramento no sofá
Portugal deverá ser uma das muitas seleções a garantir, sem jogar, o apuramento para os 16 avos de final do Mundial de futebol de 2026, o que poderá acontecer logo com o fecho do Grupo E, esta quinta-feira. Com quatro pontos, depois do 1-1 com a República Democrática do Congo e o 5-0 ao Uzbequistão, a formação das quinas vai, tudo indica, garantir no sofá que, na pior das hipóteses, seguirá em frente com uma das oito melhores terceiras.
Nas anteriores oito participações em Mundiais, Portugal conseguiu chegar à fase a eliminar em cinco ocasiões: 1966 (terceiro lugar), 2006 (quarto lugar), 2010 e 2018 (oitavos de final) e 2022 (quartos de final). Foi eliminado na fase de grupos em 1986, 2002 e 2014.
A exemplo da seleção lusa, também se podem qualificar, sem entrar em ação, Egito, Espanha, Inglaterra e Gana.
No que respeita às seleções que vão jogar no 15º dia do Mundial de 2026, são certos quatro apuramentos, o primeiro no Grupo E, que se joga a partir das 21h (em Lisboa) e no qual a Alemanha já tem lugar assegurado nos 16 avos de final.
A Costa do Marfim (três pontos) está em melhor posição para assegurar o segundo lugar, perante o estreante Curaçau (um), enquanto o Equador (um), segundo da zona sul-americana de qualificação, está obrigado a bater os alemães (seis), que já garantiram a vitória no agrupamento.
No Grupo F, que começa a encerrar a partir das 0h (de sexta-feira), os líderes Países Baixos (quatro pontos) defrontam a já eliminada Tunísia (zero), enquanto Japão (quatro) e Suécia (três) seguirão ambos em frente se empatarem entre si.
A partir das 3h (de sexta-feira), Austrália (três pontos) e Paraguai (três) também poderão fazer a festa anulando-se, enquanto os Estados Unidos (seis), já vencedores do Grupo D, vão tentar replicar, perante a eliminada Turquia (zero), o pleno do México no Grupo A.