Cabo Verde fez história sobre história e os divos dos pés descalços vão continuar no Mundial
Cabo Verde terminou a fase de grupos com três empates
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A epopeia de Cabo Verde não fica pela fase de grupos do Mundial. Os estreantes empataram contra a Arábia Saudita (0-0) e contaram com a ajuda da Espanha, que venceu o Uruguai (1-0), para seguirem para as eliminatórias, onde nunca esteve um país tão pequeno. O segundo lugar no grupo H colocou os Tubarões Azuis no caminho da campeã do mundo Argentina
O Mundial 2026 é uma megalomania pensada para o lucro na qual Cabo Verde é apenas um grão de areia. O percurso dos Tubarões Azuis trata-se de uma história de superação, de resiliência, de concretização do inimaginável. Reconforta ver a humildade triunfar no meio da arrogância e do oportunismo.
Conseguir o apuramento para a fase a eliminar contra a Arábia Saudita foi como vencer uma espécie de confronto direto contra o luxo. Um país cujo estádio nacional não tem relva natural ultrapassou outro que, se tivesse acordado com essa vontade, podia fazer a lua desviar-se dois centímetros para a direita.
Os sonhos são mesmo de todos. Fosse o seu acesso taxado e provavelmente Cabo Verde não se teria tornado no país com o menor número de habitantes a apurar-se para a fase a eliminar de um Mundial após, na estreia, ter terminado no segundo lugar do grupo H (três pontos), atrás da Espanha (sete pontos). Nos 16 avos de final, o adversário será a Argentina.
Wagner Pina esteve em evidência nas subidas pela direita
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Todos os jogadores em campo sentiam os pés a tremer com a responsabilidade envolvida. Tal como Cabo Verde, a Arábia Saudita também tinha o apuramento ao alcance apesar do quarto lugar à entrada para a última jornada. As balizas estavam escondidas e só aos 22 minutos Willy Semedo deu com elas.
A vantagem técnica pendia para Cabo Verde, tal como a tática. Deroy Duarte mantinha-se em alerta para ajudar a defesa quando os centrais eram atraídos ao corredor e Dailon Livramento interessava-se por fazer movimentos de ataque à profundidade que desnorteavam os sauditas. Com os dois laterais, João Paulo e Wagner Pina, a somarem a primeira titularidade, Jamiro Monteiro servia de complemento no espaço interior.
Lições de leitura posicional como as que foram dadas por Kevin Pina mantiveram os cabo-verdianos no meio-campo ofensivo. A aproximação tardava em gerar mais oportunidades e, com o impasse, meio jogo tinha ido à vida. Se, como se confirmou, a Espanha se mantivesse a ganhar ao segundo classificado, o Uruguai, Cabo Verde pouco mais precisava de fazer para ultrapassar os sul-americanos. Ao intervalo, a subida à vice-liderança já estava virtualmente confirmada. Ajustes só eram necessários para evitar que os cruzamentos sauditas, na zona de intervenção de Wagner, causassem problemas.
O setor defensivo dos Tubarões Azuis voltou a estar implacável e manteve a baliza a zero
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A Arábia Saudita, que tinha apenas um ponto, não era capaz de incomodar Vozinha, mais aproveitado para utilizar o tranquilo jogo de pés. Em contrapartida, as subidas de Wagner Pina eram causadoras de cruzamentos atrasados difíceis de resolver e aproximações perigosas.
Por uma via mais rudimentar, Nuno da Costa teve uma entrada demolidora e recebeu de Vozinha uma bola longa que parecia indomável. O controlo levou à chance mais óbvia do encontro. O ponta de lança esperou por Laros Duarte que acertou no guarda-redes saudita, Mohammed Al-Owais, após uma desmarcação perfeita.
A imagem final deixada por Cabo Verde foi de união. Só assim foi possível ultrapassar o frenesim emocional. Curiosamente, foi um registo que os fotógrafos obtiveram logo no início quando os Tubarões Azuis posaram com todos os convocados e não só com os titulares. A união é um valor aplicável em qualquer circunstância.