Mehdi Taremi estava desamparado na zona mista. Junto de si, nos corredores do estádio de Seattle, não tinha a bengala de um assessor de imprensa próprio. O responsável pelos contactos com os media foi apenas um dos desfalques. O técnico de equipamentos e os dirigentes da federação iraniana também não conseguiram o visto para entrarem nos Estados Unidos.
O antigo jogador do FC Porto não tinha tempo a perder. Pela frente, havia um longo voo por cima do telhado de nuvens da costa oeste dos Estados Unidos até à cidade mexicana de Tijuana. A impossibilidade de permanecer em território norte-americano assim o obrigava.
Porém, não sintetizou as críticas, até porque pode ter sido a última oportunidade para reclamar com o tratamento dado à seleção. O Irão empatou com o Egito (1-1) num jogo dramático e terminou em terceiro lugar no grupo G, sendo que os três pontos podem não ser suficientes para seguir em frente.
Apesar de jogarem com “muito stress nos ombros”, os iranianos estão “orgulhosos” da prestação no Mundial. “Demos o nosso melhor durante os 90 minutos.” No entanto, o avançado de 33 anos não estava ali para falar do jogo jogado. Nesse aspeto, desculpou-se apenas pela grande penalidade falhada, que podia ter valido o apuramento direto através do segundo lugar. Também não se lamentou com a bola na barra aos 90 minutos ou pelo golo anulado por meio pé já em tempo de compensação.
“Este Mundial é um desastre.” Desde o início da competição, o irão tem-se queixado do tratamento desigual. Apesar de ter realizado os três jogos nos Estados Unidos, a equipa foi impossibilitada de permanecer no país, o que obrigou a um acréscimo de viagens e acumular de cansaço.
“Não é certo viajar para Tijuana sem recuperação, sem nada. Não é justo. Se é justo para a FIFA, bom para eles. Se eles nos querem fora, nós saímos. Não temos recuperação nem as pessoas da logística para nos ajudarem. Queixamo-nos sempre destas coisas, mas ninguém ajuda”, criticou Taremi, convicto de que “os detalhes afetam” o desempenho.
As condições profissionais exigidas pelo Irão anteriormente foram apresentadas, mas os responsáveis ignoraram-nas. “A FIFA tem que resolver todos os problemas, mas não o fizeram. Infantino [líder do organismo] veio ao nosso balneário no primeiro jogo e disse que era só o começo, mas a fase de grupos está a acabar e não temos os nossos responsáveis pela logística aqui, não tiveram visto.”
O Irão continua com “boa energia”, acreditando que a participação nos 16 avos de final se pode concretizar. Neste momento, a equipa persa é a sexta melhor entre os oito terceiros classificados que vão seguir em frente, mas ainda pode ser ultrapassada por Croácia, Argélia e República Democrática do Congo. Será á justa.
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