Agarrem-se a Diogo Costa, ele não deixa ninguém cair
Carmen Mandato - FIFA
Diogo Costa ter sido o jogador em maior evidência para a redação da Tribuna Expresso é elucidativo do que foi a exibição de Portugal contra a Colômbia. O guarda-redes teve que fazer seis defesas de modo a que a seleção nacional mantivesse a baliza a zero pelo segundo jogo consecutivo e evitasse que os sul-americanos construíssem uma vitória confortável
Portugal esteve ensonado contra a Colômbia, estado que só é admissível aos adeptos a assistirem à distância deste lado do Atlântico. É certo que o jogo decorreu no Hard Rock Stadium, em Miami, mas a cabeça dos jogadores parecia estar no Rock in Rio, ali no Parque Tejo.
A equipa de Roberto Martínez é unida. Quando alguém derrapa, não é preciso insistir muito com o tipo do lado para que ele faça o mesmo. Após todos falharem, numa catadupa de equívocos, há uma última barreira.
Um guarda-redes depende sempre da desgraça alheia para que possa ser distinguido. Não há, por isso, nada de muito animador no reconhecimento. Apenas se salvaguarda que estão cumpridas as condições de segurança e o trapézio tem rede.
Diogo Costa terminou o jogo frente à Colômbia com seis defesas. Os cafeteros não se inibiram de o visar. Em estado de alerta constante, nunca passou o turno e resolveu as ameaças que chegavam das mais diversas distâncias. Não foi dia para exibir o aprumado jogo de pés. Tratou-se de uma pura exposição dos reflexos.
O destino de Portugal esteve nas mãos mais firmes em que podia estar. Quando a seleção parecia que ia cair, Diogo Costa agarrou-a com intervenções intrépidas e gestos elásticos que executa com naturalidade.
O guarda-redes do FC Porto desgastado após tantas intervenções
Robert Cianflone
Num ano em que foi campeão nacional pelo FC Porto, o treinador dos dragões colocou-o várias vezes ao nível dos melhores do mundo. A avaliação de Francesco Farioli não desatualizou. O momento foi transposto para o Mundial, onde, apesar de tudo, teve um equívoco.
No empate diante da República Democrática do Congo, vacilou na saída a um cruzamento que deu o golo ao adversário e que também teve o consentimento dos centrais. A partir daí, leva 180 minutos de baliza inviolável.
“Preferia mil vezes trocar isto por uma vitória. Não me importava de ter sofrido um golo, mas termos marcado dois. Estamos num Mundial, está tudo em aberto”, confessou em rápidas declarações à RTP. “Temos qualidade para sermos campeões do mundo, mas temos de pensar jogo a jogo. Acabou a primeira fase e temos que nos adaptar rapidamente.”
Portugal continua a contar com o protagonista de uma exibição épica contra a Eslovénia, no Euro 2024. A proteção está lá, mas importa evitar desgastá-la. Tem estatuto para pedir mais empenho a quem o precede na tentativa de parar os adversários.
🧹 A vassoura
A varrer Jhon Cordoba num dos vários duelos com o avançado
Megan Briggs
Renato Veiga: os centrais de Portugal não têm andado nada atinados. Perante a sobrecarga de trabalho deixada para a última linha, o jogador do Villarreal conseguiu impor o físico quando os avançados se encostavam a ele e proteger a área em lances aéreos. Não é o setor mais convincente da seleção, mas o torneio está a trazer progressos, desde logo com o regresso de Rúben Dias. O suor colou-lhe o equipamento ao corpo, sinal de que, numa análise simplista, o esforço esteve lá.
🤔 O equívoco
Rúben Neves foi substituído por João Neves ao intervalo
CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH
Rúben Neves: o Colômbia-Portugal prometia ser uma taça de pipocas a crepitar, um jogo cheio de peças a saltarem no meio-campo após choques em cadeia. Só com efeitos especiais se poderia ver tal ação. Se o aparato se concretizasse, a inclusão de Rúben, novidade no onze inicial, teria sido ajustada. No entanto, Roberto Martínez projetou um jogo que não aconteceu. O estado de modorra coletiva impossibilitava a disputa de qualquer diálogo. O assador de Miami nunca viu Neves.
👴🏻 O batoteiro
Cristiano Ronaldo não falhou um minutos da fase de grupos
Hannah Peters - FIFA
Cristiano Ronaldo: na seleção nacional, existe um choque de gerações. João Neves ainda não tinha nascido quando o capitão, de 41 anos, participou no Euro 2004. A experiência não dispensa uma atualização. Cristiano Ronaldo precisa que o informem que o escrutínio do fora de jogo é feito por algo ainda mais inteligente do que os humanos. É uma notória perda de tempo tentar tirar partido de posições irregulares que deixam Portugal com dez jogadores em momentos de potencial perigo invalidados pelo seu desconhecimento das regras.