Primeiro, passar a fase de grupos. Depois, avaliar as condições para a eventual ocupação da liderança. Assim foram estabelecidas as prioridades de Portugal durante o momento inicial do Campeonato do Mundo. Para se posicionar no topo da classificação, teria sido necessário ganhar à Colômbia, adversário que se revelaria inultrapassável.
Às custas do segundo lugar que adveio do empate, a equipa de Roberto Martínez deu uma guinada ao destino. Muitos se tinham posto a fazer mira a um duelo entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, situação potencialmente concretizável nos quartos de final se Portugal não tivesse ficado na sombra dos cafeteros. Agora, é um cenário para esquecer antes da final.
A seleção nacional tombou para o lado oposto do quadro competitivo e vai jogar contra a Croácia nos 16 avos de final (sexta-feira, 00h). O conjunto treinado por Zlatko Dalic ficou igualmente na vice-liderança do grupo L, tendo apenas perdido contra a Inglaterra num dos melhores jogos da fase de grupos (4-2). Apesar dos efeitos que o tempo se encarregou de provocar, ainda há resquícios dos últimos dois Mundiais nos quais o país terminou em segundo e terceiro lugar, respetivamente, em 2018 e 2022.
Por não ser um oponente indestrutível - talvez, quando Portugal está no seu melhor, nenhum o seja -, há a tendência de espreitar para a casa seguinte. Os oitavos de final podem ter reservado um duelo frente à Espanha, rival ibérico que enfrenta a Áustria ainda sem golos sofridos e que os lusos nunca ultrapassaram em eliminatórias de Europeus ou Mundiais.
Do lado do bracket com toque luso, encontram-se as três equipas mais concretizadoras da fase de grupos, todas com dez golos: França, Alemanha e Países Baixos. Além disso, existe uma potência emergente chamada Marrocos. Perspetivando uma chegada às meias-finais, deverá ser impossível fugir a uma delas.
Poderia Portugal ter evitado meter-se por um caminho tão estreito ganhando à Colômbia? Sim, e logo nos 16 avos de final. Os cafeteros vão defrontar o Gana, que não impõe tanto respeito como a Croácia e, de seguida, cruzam-se com o vencedor do Suíça-Argélia. A partir daí, o nível equivaler-se-ia. A Argentina tem Messi a jogar em modo taumatúrgico e o Brasil ou a Inglaterra (atenção à Noruega) têm condições de atingir as meias-finais.
Seja qual for a via, só chegarão ao jogo 104 do Mundial os verdadeiros merecedores. Muitos prognósticos falharão.
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