• Suécia
    18:0020 JUN
    5
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    Grupo F
  • Mundial 2026

    Harry Kane leva a seleção às costas sem nunca a apagar e não pretende deixar a Inglaterra na próxima paragem

    O bis de Kane surgiu nos últimos 16 minutos
    O bis de Kane surgiu nos últimos 16 minutos
    Sebastian Widmann - FIFA

    Muitos estavam a torcer por uma nova Cinderella story nos 16 avos de final do Mundial quando a República Democrática do Congo se colocou em vantagem. A Inglaterra criou oportunidades mais do que suficientes para reverter a situação, especialmente através do jogo aéreo. No torneio dos guarda-redes, Lionel Mpasi adiou a cambalhota no marcador. Um bis de Harry Kane nos minutos finais provocou uma desfeita aos estreantes e apurou a seleção dos Três Leões para os 'oitavos' (2-1)

    Por ter sido um dos adversários de Portugal na fase de grupos, onde terminou em terceiro lugar, a RD Congo mereceu alguma atenção. Uma mensagem para quem esteve de olho nesse jogo: esqueçam tudo o que viram. Sébastien Desabre mexeu nas configurações: aliviou o peso defensivo na ideia de jogo, arriscou pressionar alto em momentos específicos e envolveu mais gente na transição. As alterações compensaram e deram força a um sonho que só se viria a quebrar perto do final.

    A exibição de um dos últimos conjuntos a apurar-se para a competição assentou num arranque inesperado. A celebração foi arrojada. Brian Cipenga julgou-se um ginasta que, no momento decisivo da competição, aposta no melhor movimento que tem em carteira. A pirueta não foi perfeita, mas serviu para assinalar com impacto o golo madrugador contra a Inglaterra. O extremo que jogava no Paços de Ferreira antes de, em 2024, trocar Portugal por Espanha expôs a má cobertura dada por Jordan Pickford ao primeiro poste. Na verdade, tratou-se de um momento de repouso coletivo da Inglaterra. Chancel Mbemba progrediu à vontade. Djed Spence, distraído pela faceta de transformer sugerida pela proteção do maxilar, chegou tarde para intervir.

    Faltava algum combustível à Inglaterra. Após a primeira pausa para hidratação, reabastecida com uns pinguinhos de água, o ataque ganhou outro andamento. A mobilidade imprimida deixou a equipa africana tonta. Na seleção dos Três Leões, Jude Bellingham é ponta de lança quando Harry Kane se transforma em médio, Nico O’Reilly é um corpo inclassificável apesar de partir do lado esquerdo e Declan Rice tira cruzamentos como um lateral.

    Com o carrossel já a andar à roda, os jogadores de Thomas Tuchel inspiraram-se. A defesa da RD Congo, com Mbemba e Tuanzebe, ganhou fama pelo controlo do jogo aéreo. Porém, sempre que os ingleses levantavam a bola eram capazes de criar situações flagrantes. Lionel Mpasi tratava do que os companheiros eram incapazes de resolver. O guarda-redes de 31 anos do Le Havre apresentou-se a Jude Bellingham e a Harry Kane com defesas instintivas.

    Lionel Mpasi trava o ineficaz Jude Bellingham
    Simon Stacpoole/Offside

    Perante uma linha de apenas quatro defesas, a Inglaterra chegou com muita gente à grande área. Tantos alvos e o cruzamento de Noni Madueke não encontrou nenhum capaz de desviar. Aaron Wan-Bissaka, no limite dos limites, cortou o remate de Marcus Rashford em cima da linha de golo.

    A RD Congo encontrava sempre alguma folga, umas vezes consentida, outras nem tanto. Por certo, a Inglaterra não desejava que a subida de rompante de Wan-Bissaka gerasse o pânico que gerou. Yoane Wissa dispôs de espaço para fazer melhor do que rematar ao poste. A defesa voltou a sofrer um novo apagão.

    Vozinha, Eloy Room, Orlando Gill e, agora, Lionel Mpasi. O heroísmo do Mundial 2026 está personificado nos guarda-redes. O da RD Congo, que só fez quatro jogos esta época no Le Havre, acentuou a tendência. Um remete surpreendente de Jude Bellingham, que era suposto ser um cruzamento, obrigou-o de novo a intervir.

    O resultado era agradável, mas a exibição da RD Congo não estava a ser imaculada. Talvez na exibição frente a Portugal tenha até sido menos sujeita a sofrimento. A Inglaterra precisou de muita cabeça. Não no sentido da racionalidade. Literalmente, de cabeça. A entrada de Anthony Gordon ajudou a aprimorar as ações no último terço. Massacrando a dificuldade no controlo do jogo aéreo da RD Congo, fez um passe em lob ao qual Harry Kane correspondeu com uma traulitada.

    O convicto remate com que Harry Kane carimbou a reviravolta
    Chris Brunskill/Fantasista

    Há poucos jogadores-estrela que, perante a adversidade, sejam tão abnegados como Harry Kane. É um dos casos em que a individualidade tem força suficiente para arcar com a equipa, mesmo quando esta parece esmorecer. O remate do avançado foi tão furioso que não transmitiu qualquer dúvida quanto ao local para onde se dirigia.

    A Inglaterra decidiu o jogo apenas nos últimos 16 minutos. Apesar de tardio, face a tamanho número de oportunidades criadas, adivinhava-se o desfecho. O protagonismo acabou por desaguar no mesmo de sempre, aquele que se sobrepõe à seleção sem nunca a apagar. Não é um resultado vistoso, mas os ingleses seguiram com firmeza para os oitavos de final, onde vão defrontar o México.

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