• Suécia
    18:0020 JUN
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    Grupo F
  • Mundial 2026

    A Espanha campeã da Europa surgiu contra a Áustria, mais do que a tempo de poder conquistar o mundo

    Quando a Espanha já merecia um resultado mais dilatado, Pedro Porro encarregou-se de o aumentar
    Quando a Espanha já merecia um resultado mais dilatado, Pedro Porro encarregou-se de o aumentar
    Alex Pantling - FIFA

    Quem quiser pedir mais à Espanha merece o certificado de perfecionista. Por um lado, teve a vertigem de Lamine Yamal. Por outro, teve o associativismo conduzido por Cucurella. Graças a esta combinação de estilos, La Roja eliminou a Áustria (3-0) com um bis de Oyarzabal e espera pelo vencedor do Portugal-Croácia nos oitavos de final

    Quando nos apercebemos que o arrepio na espinha que sentíamos era afinal um presságio para algo maquiavélico acontecer, geralmente o respetivo acontecimento trágico já se concretizou. Era demasiada bondade por parte do universo considerar que merecíamos um aviso antes de nos atormentar.

    Aqueles que celebraram o campeonato da Europa, em 2024, achavam estar a ver sinais de que a fase de grupos do Mundial era o princípio do descalabro. A interpretação foi algo extrapolada e exigiu paciência nas explicações dadas. Várias vozes lembraram que no torneio realizado há dois anos também não correu tudo na perfeição.

    Sendo uma equipa com nuances, esta versão também parece ser recomendável. Uma vez nos 16 avos de final, a Espanha exibiu-se no ponto ideal para, depois de conquistar a Europa, poder conquistar o mundo. A situação implicará que depois de eliminar a Áustria, tenha que superar o vencedor do Portugal-Croácia.

    As delícias foram desde logo feitas por um especialista. Quando Lamine Yamal intervém, o tempo parece mais um espetador da seleção espanhola. Fica tão distraído que se esquece de passar. O toque do prodígio de 18 anos na bola aciona um congelamento geral que obriga as atenções a centrar-se naquilo que vai fazer a seguir.

    O supersónico Lamine Yamal empurrou o ataque espanhol
    Charlotte Wilson

    O segurança privado que a Áustria lhe atribuiu passou por momentos agoniantes. Konrad Laimer não é propriamente Nuno Mendes, o adversário que o extremo assumiu ser o mais díficil contra quem já jogou, e antes do final da primeira parte já colocava as mãos nos joelhos em sinal de cedência. A satisfação que o jogador do Barcelona provoca convence qualquer um a perdoar-lhe um certo exagero nas ações individuais.

    A Espanha englobou uma combinação interessante entre a vertigem de Yamal e o associativismo. Quando procurava escapar à pressão alta da Áustria, era pelo corredor de Marc Cucurella que La Roja mais despistava a congénere. Além disso, a equipa de Luis de la Fuente não viu na junção de Dani Olmo e Mikel Oyarzabal um pretexto para ser mais direta. Pelo contrário, tinha mais alvos para se perder em combinações dentro da grande área.

    Extensível à generalidade dos espanhóis era sim a vontade de entrar com a bola pela baliza adentro. Sim, é um lugar comum, mas é preciso dar razão ao povo quando ele já usou as melhores palavras para descrever aquilo a que estamos a assistir.

    A Áustria não estava a demonstrar a habitual postura eletrizante. Parecia estranha, como a combinação de castanho e bordô que o selecionador, Ralf Rangnick, escolheu usar. Para ver se acordavam, os austríacos sofreram num lance em que Cucurella viu um golo ser-lhe anulado. De facto, nada substitui um bom café.

    O pior que se pode fazer a uma pessoa que segue sonolenta é abanarem-na muito. Pedri infiltrou-se no ataque e com a sua atitude de cirurgião, encontrou a subida de Cucurella. O cruzamento, rasteiro e forte, facilitou a finalização de Oyarzabal. A triangulação deixou a Áustria à procura de se localizar, porque, agora era certo, estava definitivamente perdida.

    Todo o dinamismo na Espanha ambicionava ser transformado em algo que o comprovasse. Tão curta margem não deixava a impressão correta da exibição. Em busca desse desiderato, no mesmo lance, Álex Baena acertou de livre na barra e Lamine Yamal atingiu (não foi propriamente uma defesa) Alexander Schlager.

    Sem um ponta de lança tradicional, a Espanha tem vivido do rendimento de Oyarzabal
    Harry How

    Por algum motivo Unai Simón ainda não sofreu nenhum golo neste Mundial. A equipa defendeu-se bem com bola. Quando a situação de maior comichão causada criada pela Áustria foi um cabeceamento demasiado alto do latagão de dois metros, Sasa Kalajdzic, está tudo dito.

    Era, de certo modo, admirável o esforço titânico dos defesas austríacos para não sofrerem. Os remates de Baena ou Dani Olmo batiam sempre em algum sacrificado até que Pedro Porro foi introduzido como elemento surpresa ao atacar um cruzamento vindo da esquerda. Não é só estranho ver o ex-Sporting usar o 12, geralmente propriedade do guarda-redes suplente, como também é raro aparecer nas profundezas de onde não deu hipótese ao guarda-redes.

    Quanto mais corriam os austríacos desesperados, mais a Espanha aumentava a velocidade da circulação. A disponibilidade de Cucurella foi infinita. Mesmo com o tempo a esgotar-se, o reforço do Real Madrid zarpou pela ala e tirou um cruzamento fisicamente impossível. Tamanha foi a curva que deu à bola, apoiado na parte exterior do pé, que voltou a impingir novo golo a Oyarzabal, o derradeiro. Nada sobrou para Lamine Yamal, que tanto procurou a baliza e foi impedido de marcar por David Alaba, a vigiar a linha de baliza.

    Pese embora o termo de comparação estar a ser o Euro 2024, a Espanha ficou pelos oitavos de final no Mundial 2022, arredada por Marrocos. Desta vez, pelo menos já venceu um jogo a eliminar. Foi andando para a próxima ronda para guardar lugar para Portugal ou Croácia.

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