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    18:0020 JUN
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    Grupo F
  • Mundial 2026

    Este é Gonçalo Ramos. Embora não pareça, também joga na seleção

    Em apenas 28 minutos em campo, Gonçalo Ramos colocou Portugal nos oitavos de final do Mundial 2026
    Em apenas 28 minutos em campo, Gonçalo Ramos colocou Portugal nos oitavos de final do Mundial 2026
    Carmen Mandato - FIFA

    Para tentar resolver as próprias trapalhices, Roberto Martínez deu por si a recorrer a uma solução menos óbvia. Cristiano Ronaldo saiu a cerca de dez minutos dos 90’ e Gonçalo Ramos teve finalmente o momento pelo qual tanto esperava. Provando que tem tido um papel ínfimo face ao potencial, o novo avançado do AC Milan resolveu a eliminatória e foi escolhido pela Tribuna Expresso como a figura do Portugal-Croácia

    No Mundial 2022, no Catar, deu-se início a um processo que parecia ser irreversível. Portugal chegou aos oitavos de final e Fernando Santos tomou a corajosa decisão de atribuir a titularidade a Gonçalo Ramos, uma escolha que, na realidade, eram duas. A entrada no onze inicial de um avançado então com 21 anos significava o arredar de Cristiano Ronaldo.

    Gonçalo Ramos correspondeu com um hat-trick contra a Suíça e conquistou a oportunidade de voltar a jogar de início frente a Marrocos, nos quartos de final. Portugal terminou aí a participação naquele que parecia o início do fim de Cristiano Ronaldo na seleção.

    Pensemos no que mudou nas nossas vidas nos últimos quatro anos, naquilo que perdemos ou ganhámos, na evolução que tivemos ou naquilo em que regredimos. Nada voltou a ser o que era antes, exceto na seleção, onde o natural decurso da vida tende a ser contestado.

    No início de 2023, começou a era Roberto Martínez. Imagina-se que Gonçalo Ramos tenha chegado ao estágio sem produtos para a cara ou cremes para o corpo. Talvez até lhe tenham tido que emprestar umas chuteiras. A mala estava cheia de confiança de que se poderia tornar o homem golo de Portugal.

    Desde que o espanhol entrou no cargo, Gonçalo Ramos somou 22 internacionalizações. Foi titular em oito jogos, tendo marcado cinco golos nessa condição e apenas dois nas restantes 14 vezes em que lhe foram dados uns pozinhos para se entreter em campo.

    O super suplente chegou aos 11 golos pela seleção
    Dan Mullan

    Perante o declínio de Cristiano Ronaldo, instalou-se a ideia de que há uma versão de Portugal a ser escondida por Roberto Martínez, aplicado no cumprimento da subserviência ao capitão. Gonçalo Ramos é o elemento que, em momentos como o demonstrado contra a Croácia, pode elevar a seleção nacional até ao auge.

    Aos 90'+4, o avançado que se transferiu do Paris Saint-Germain para o AC Milan no decorrer do Mundial saltou entre Gvardiol e Pongracic e colocou Portugal nos oitavos de final. Tendo ele, como sempre, vindo do banco, poder-se-ia falar de uma jogada de mestre do treinador. Na verdade, Gonçalo Ramos dificilmente estaria em campo se Roberto Martínez não estivesse atarantado a remediar erros anteriores.

    Ia o jogo nos 62 minutos quando o selecionador resolveu descarregar a frustração na placa das substituições. Foram logo três as mudanças, opções que deixaram a equipa com buracos. Aos olhos do treinador, pareceu uma boa opção fazer cortes no meio-campo, entregando a zona onde Mateo Kovacic estava a lavrar terreno a somente João Neves e Bernardo Silva.

    O espanhol teve um novo episódio de flutuações de humor e, em menos de 20 minutos, o que era um ótimo plano deixou de lhe parecer uma ideia assim tão genial. É quando, para reverter o estrago, retira Cristiano Ronaldo a cerca de dez minutos dos 90’, acrescenta Rúben Neves e Gonçalo Ramos teve todo o espaço para brilhar.

    Gonçalo Ramos está habituado a competir por um lugar contra outros jogadores de futebol, não contra monumentos difíceis de mover. O tratamento injusto que tem recebido faz da meritocracia uma falácia. Muito respeito se pede pelo concorrente de posição, quando o mais vilipendiado tem sido o avançado de 25 anos. Depois de, mais uma vez, ter sido decisivo talvez comece igualmente a cobrar dívidas de gratidão.

    🤵 O que deixa os outros escolherem o fato que vai usar

    O defesa não deu hipótese aos adversários com quem se cruzou
    Maddie Meyer - FIFA

    Nuno Mendes: é uma garantia de desempenhos consistentes. A versão que adota em cada jogo depende sempre de quem o acompanha no flanco esquerdo. Com Rafael Leão a ocupar aquele lado, teve o corredor entupido para subidas. Funcionou então como lançador, fazendo passes de rutura e variando o jogo com bolas longas até à outra ponta do campo. A Croácia escolheu mal a zona por onde tentou acionar Nikola Vlasic. Defensivamente, esteve intransponível.

    🛤️ O pensador sem carris

    Cancelo começou à direita, mas não foi posicionalmente dogmático
    Maddie Meyer - FIFA

    João Cancelo: as linhas - de Sintra, da Azambuja, de Cascais - são para a música urbana uma forte marca identitária, como se situassem a origem da criatividade. Expressando a sua rebeldia, Cancelo saiu dos carris para se sentir como alguém quando tira as rodinhas da bicicleta. Quase tão flexível como o Homem Elástico fez uma exibição imprevisível para quem o tentava marcar. Ganhou peso na manobra ofensiva quando recebeu junto à linha e se procurou relacionar com o corredor central. Foi criativo a imaginar ligações e arrancou cruzamentos com trajetórias pouco habituais para um lateral-direito, como o que deixou Cristiano Ronaldo de portas escancaradas para o golo. Devido a um impulso altruísta, movimentou-se em prol da libertação de Pedro Neto.

    😐 Aquele que perdeu o sorriso

    O extremo acertou na barra quando o jogo ainda estava empatado a um golo
    Anadolu

    Rafael Leão: é um crónico sorridente, mas terá saído de Toronto com os lábios retos. Teve motivos para estar alegre e motivos para chorar. Logo a abrir, serviu com critério Bruno Fernandes e, mais tarde, acertou com estrondo na barra. A assistência para o golo de Gonçalo Ramos compensou a proteção que não deu a Nuno Mendes no lance em que a Croácia de adiantou.

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