Houve um pouco de tudo, de golos anulados, um deles por uns fios de cabelo, uma reviravolta, a Cristiano Ronaldo a ser substituído. E nada disso passou ao lado dos meios internacionais na hora de falar do Portugal-Croácia (2-1), que valeu à seleção nacional a passagem aos oitavos de final do Mundial.
“Final de loucos” é uma frase repetida, com a “Marca”, de Espanha, a juntar-lhe que “Gonçalo Ramos foi herói”. E Ronaldo, claro. “Quando parecia que Cristiano se ia despedir dos Mundiais, apareceu. Quando parecia que o drama se prolongaria por 30 minutos mais, apareceu a sorte”, escreve ainda o diário de Madrid, que sublinha que “a equipa de Roberto Martínez não mereceu ganhar”. Ou melhor, mais do que isso, “a Croácia não mereceu este final”, “Luka Modric não mereceu este desenlace”, num jogo em que “Diogo Costa roubou o protagonismo a Cristiano”.
O The Athletic sublinha a substituição de Cristiano Ronaldo aos 80 minutos. “Foi uma importante decisão de Roberto Martínez, que se provou certa quando Gonçalo Ramos cabeceou o cruzamento de Rafael Leão”.
O Portugal-Croácia era também um duelo entre dois quarentões, dois antigos colegas de equipa e principais referências do futebol do seu país. Mas, para o “Guardian”, Cristiano Ronaldo e Luka Modric “estiveram longe de ser os jogadores mais influentes do espectáculo” mesmo que o capitão de Portugal tenha sido “de forma desconcertante considerado o melhor em campo”.
O diário britânico fala ainda de uma “batalha à moda antiga entre duas equipas calejadas, com o momentum a mudar constantemente” e de um facto inédito: “Foi um jogo cheio de incidentes incluindo - pela primeira vez na história dos Mundiais - um total de quatro golos anulados”.
Já a BBC aponta “uma noite que foi uma montanha-russa de emoções em Toronto” e que Ronaldo esteve próximo de ver “o seu sonho de levantar o troféu a terminar” depois de Ivan Perisic ter dado vantagem à Croácia, depois de uma “primeira parte desapontante” da seleção balcânica. Seria Cristiano a fazer o empate, de penálti.
A importância de ser careca
As questões de arbitragem não passaram ao lado de muitos meios. O diário espanhol “Mundo Deportivo” diz mesmo que Portugal-Croácia será “principalmente lembrado pela maior controvérsia de arbitragem deste Mundial até agora”, referindo-se ao golo anulado à Croácia já nos descontos dos descontos do encontro, que teria dado o empate à equipa.
Da parte da imprensa croata, um óbvio desapontamento, com muitos dardos à arbitragem. O diário “Vecernji list” não foi de modas: “Roubaram a Croácia deliberadamente”, acusando o árbitro norueguês Espen Eskas de ser “parcial do princípio ao fim do jogo”.
“Todas as decisões duvidosas, e foram muitas, favoreceram Portugal”, escreve o jornal.
O “Jutarnji list” fala de uma “derrota dolorosa, num jogo soberbo, mítico”, mesmo admitindo que Portugal “foi melhor na maior parte do jogo”. E, claro, também aponta muitas críticas ao árbitro: “Matámo-nos e a equipa de arbitragem colocou-nos uma corda no pescoço. Tudo foi decidido contra a Croácia. A escolha da FIFA para melhor em campo diz tudo.”
O portal Gol.dnevnik.hr optou pelo humor, ou melhor, pelo sarcasmo ao falar do golo anulado à Croácia. “Nas imagens, parece que Matanovic só toca na bola com o cabelo. Por isso, se Matanovic fosse careca, a Croácia teria empatado”, escreve.
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