A França resistiu à magia negra do grotesco Paraguai, país onde Mbappé será declarado inimigo público
Um dos vário momentos de conflito entre os jogadores no Paraguai-França
Dan Mullan
A muralha defensiva do Paraguai abrandou a marcha triunfal da França. Mesmo assim, a seleção gaulesa fez o mínimo para seguir em frente (1-0). Um momento de fantasia de Désiré Doué decidiu um encontro que foi tudo menos brilhante. Conflitos constantes, entradas duras, estratégias obscuras: os sul-americanos fizeram de tudo para travar os Les Bleus, que resistiram e vão jogar os quartos de final contra Marrocos
Quem são estes? Deverá ter sido mais ou menos isto que a França preguntou ao chegar ao estádio, em Filadélfia, e ver o Paraguai em vez da Alemanha. O oponente era um lembrete maior do que uma agenda de que as surpresas acontecem.
A seleção gaulesa tem feito do Campeonato do Mundo uma marcha triunfal repleta de glamour. Por sua vez, se o Paraguai chegou aos oitavos de final não foi pela finesse dos desempenhos, mas pela superação colocada em prol de uma causa.
Os sul-americanos foram os ditadores de tendências. A equipa de Gustavo Alfaro conseguiu contaminar o ambiente geral com o seu jeito grotesco. O que começou como uma disputa mais agressiva, logo evoluiu para um grupo de jogadores engalfinhados e completamente distraídos do propósito que ali os levou.
A rigora marcação de Cáceres a Mbappé
Richard Sellers/Allstar
Na primeira vez que Juan José Cáceres se agrafou a Kylian Mbappé, o avançado até achou alguma graça. Trocaram sorrisos e seguiram em frente. Com o progredir dos acontecimentos, o francês já só desejava ter aplicado repelente contra aquele indivíduo, tanto que o lateral estendeu-lhe as mãos para o levantar e o jogador do Real Madrid limitou-se a ignorar o auxílio.
A França estava a ser eficaz na anulação de Miguel Almirón, a principal ameaça do Paraguai, mas esbarrava na muralha albirroja. Um remate de Ousmane Dembélé desviado por um defesa para perto do interior da baliza era manifestamente pouco.
Muitos se têm queixado do excesso de pausas de hidratação. Talvez o sindicato das garrafas de água já esteja a trabalhar numa defesa baseada no argumento de que há jogos como o Paraguai-França em que a seca precisa de ser combatida, se calhar, até com mais momentos para bebericar.
No seu estilo rudimentar, os paraguaios iam adiando o inevitável. Manu Koné insistia em remates de fora da grande área, mas foi dentro do retângulo junto da baliza de Orlando Gill que o assunto se resolveu. O lado esquerdo do ataque dos Les Bleus tem sido a posição mais volátil da equipa. Désiré Doué rendeu o titular Bradley Barcola e de imediato forçou Diego Gómez a cometer penálti.
O labirinto atravessado por Doué para levar a França até ao golo
Simon Stacpoole/Offside
Dando continuidade ao curso de magia negra, os jogadores do Paraguai tentaram assassinar a marca de grande penalidade, o que não perturbou a eficácia de Mbappé. Se já constava da lista de inimigos públicos do Paraguai, o atacante que chegou aos sete golos no torneio agravou o estatuto. Em boa verdade, até revelou uma faceta de trash talker. Enquanto o Paraguai seguia com entradas brutais e demonstrações de teatro, Mbappé proporcionava uma dupla defesa a Orlando Gill.
O mau olhado não travou a França, que fez o mínimo para seguir em frente. O Paraguai até tinha sido considerado uma das surpresas do Mundial, mas a sucessão de comportamentos cavernais corroeu a imagem fantasiada. Percebeu-se a estratégia. No jogo jogado, nunca teriam hipóteses.