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    Grupo F
  • Mundial 2026

    No Portugal-Espanha, duas equipas querem a bola. Por isso, Martínez espera um “desempenho completo” da seleção e que o jogo vire hóquei

    Roberto Martínez na conferência de imprensa de antevisão ao Portugal-Espanha
    Roberto Martínez na conferência de imprensa de antevisão ao Portugal-Espanha
    Stacy Revere

    O selecionador nacional não perdeu muito tempo a olhar para a final da Liga da Nações que Portugal conquistou. Preferiu focar-se nos “passos” que já foram durante o Mundial. A equipa chega aos oitavos “muito mais” preparada do que na estreia e espera que a “flexibilidade” seja suficiente para ultrapassar a Espanha, um adversário que só esperava encontrar na final

    A última vez que Portugal venceu a Espanha foi num amigável em 2010, um particular memorável em que Nani, fora de jogo, acabou por intervir num golo antológico de Cristiano Ronaldo. Seguiram-se dois duelos ibéricos em grandes torneios, um no Euro 2012 e outro no Mundial 2018, sendo que a seleção nacional não conseguiu sair por cima em nenhum deles. As memórias recentes, porém, são mais animadoras. A conquista da Liga das Nações frente a La Roja nas grandes penalidades confere uma fonte de motivação.

    Durante a preparação para os oitavos de final, Roberto Martínez não ficou vidrado a relembrar essa final. “Estamos mais focados no que fizemos no Mundial.” De certo modo, dá algum alento ao selecionador enfrentar uma equipa europeia pela segunda vez. “Jogar contra a Espanha não é jogar contra a Colômbia.” Talvez as semelhantes raízes dos estilos facilitem a tarefa.

    O treinador nascido há 52 anos em Balaguer, região rodeada pelas fronteiras do rival, lamenta que, ao contrário do que aconteceu na Liga das Nações, o Portugal-Espanha “não possa ser a final do torneio”. “É uma pena”, afirma.

    No jogo realizado na cidade de Munique em junho do ano passado, Portugal e Espanha chegaram ao final dos 120 minutos empatadas a dois golos. Marcaram Nuno Mendes e Cristiano Ronaldo e, depois, Diogo Costa resolveu a questão nas grandes penalidades. Martínez considerou que o 2-2 “foi um resultado curto” e preparou toda a gente para um festival de golos ao nível do hóquei em patins.

    No pretérito desafio, tentou surpreender o compatriota Luis de la Fuente com o uso de João Neves como lateral-direito. Das palavras de Martínez poucas conclusões podem ser tiradas em relação às escolhas para o onze inicial. A julgar pela aparição de Cristiano Ronaldo na conferência de imprensa, parece estar posta de parte a possível titularidade de Gonçalo Ramos após o golo tardio frente à Croácia, marcado quando o capitão já não estava em campo.

    Desta vez, o jogo vai opor “duas equipas que são melhores com bola” e, perspetiva o técnico, vai sobressair a que estiver melhor nos restantes momento. “É preciso ter um desempenho completo.”

    As exibições trepidantes da fase de grupos, sobretudo os empates contra a República Democrática do Congo e contra a Colômbia, causaram alarme, mas o selecionador viu esses jogos como “passos” e insistiu que “um Mundial é tentar melhorar, experimentar aspetos, alinhar conceitos”, deixando uma garantia. “Estamos mais preparados do que quando chegámos a Houston [para a estreia].”

    A “força” que Roberto Martínez mais se orgulha de ter criado na seleção ao longo de três anos e meio de trabalho e dos primeiros degraus no torneio é a “flexibilidade”. Com essa valência, aliada a uma dose de “personalidade”, Portugal vai “desfrutar do momento”, porque os oitavos de final “merecem isso”. Resta saber se vai desfrutar também do desfecho.

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