A Bélgica qualificou-se na segunda-feira para os quartos de final do Mundial de futebol de 2026, ao vencer os coanfitriões Estados Unidos, que apresentaram o ‘castigado’ Folarin Balogun, por 4-1, no último jogo dos oitavos de final.
Charles De Ketelaere, aos nove e 33 minutos, Hans Vanaken, aos 57, e Romelu Lukaku, aos 90+3, apontaram os tentos dos belgas, enquanto Malik Tillman marcou, aos 31, o golo dos locais, de livre direto, após uma falta sobre Balogun, que viu o vermelho nos ’16 avos’ e foi despenalizado pela FIFA, numa decisão inexplicável.
Nos quartos de final, na sexta-feira, em Inglewood, pela 12h00 locais (20h00 em Lisboa), a Bélgica defronta a Espanha, campeã mundial em 2010, que eliminou Portugal (1-0).
No final do encontro, Rudi Garcia, selecionador da Bélgica, sublinhou que a sua equipa jogou “indiferente“ às polémicas que marcaram as horas anteriores ao encontro.
“Isso nunca mudou a maneira como jogámos. Nada mudou em termos de desempenho e motivação. A nossa principal motivação era chegar aos 'quartos'“, disse o treinador francês, em conferência de imprensa, no fim da partida disputada no Estádio Lumen Field, em Seattle, nos Estados Unidos.
A Bélgica jogou sob protesto, um dia depois de a FIFA suspender por um período probatório de um ano a suspensão de uma partida determinada a Balogun, que tinha sido expulso com cartão vermelho direto na segunda parte da vitória frente à Bósnia-Herzegovina (2-0), na ronda anterior, mas pôde alinhar nos 'oitavos', após uma intervenção junto da FIFA do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Os meus jogadores estavam informados [dessa possibilidade]. Temos um grupo maduro e líderes presentes, mas focámo-nos em nós. Balogun é um avançado interessante, mas não tive dúvidas de que os nossos centrais seriam capazes de contê-lo bem“, analisou Rudi Garcia, aludindo a Brandon Mechele e Nathan Ngoy, ambos titulares no eixo defensivo belga.
O selecionador da Bélgica revelou ter conversado no fim do jogo com o ponta de lança dos Estados Unidos, que “não teve absolutamente nada a ver“ com a polémica desencadeada pela decisão do Comité Disciplinar da FIFA.
“Ele não tem culpa disto tudo nem devemos culpá-lo e eu já lhe disse isso. Apreciei a sua intenção em vir falar comigo e a maneira como se comporta. Por isso, agradeci-lhe“, partilhou.
Pochettino frustrado
Já o selecionador dos Estados Unidos, o argentino Mauricio Pochettino, rejeitou que o ruído em redor de Balogun tenha afetado a equipa norte-americana e evitou “arranjar desculpas“, até porque a Bélgica "foi melhor", apesar de estar “frustrado e desapontado com quem misturou as coisas“.
“Qual é o sentido de ter sido insultado e recebido mensagens negativas e ameaças? Há uma regra que a federação pode aplicar para que o jogador pudesse atuar. A minha função é treinar e, se Balogun estava disponível, porque foi autorizado, não há problema. Senti-me desiludido com muitas pessoas, que falaram de política, manipulação, ética e integridade“, disse.
Horas antes do encontro dos 'oitavos', o Comité de Apelo da FIFA rejeitou o protesto da Real Associação Belga de Futebol (RBFA) sobre a suspensão do castigo de Balogun, permitindo que o jogador estivesse disponível.
A RBFA notificou a Federação de Futebol dos Estados Unidos (USSF) que contestará a elegibilidade do avançado, de 25 anos, após ter lamentado a ausência de explicações da FIFA, acusando-a de criar um recurso artificial.
A decisão foi anunciada no domingo e assentou no artigo 27º do Código Disciplinar da FIFA, através do qual “o órgão competente pode decidir suspender total ou parcialmente a execução de uma medida disciplinar“.
Donald Trump confirmou ter solicitado ao presidente da FIFA, o ítalo-suíço Gianni Infantino, a reavaliação do cartão vermelho mostrado a Balogun, por considerar que o avançado não cometeu falta sobre Tarik Muharemovic, cujo calcanhar direito foi pisado numa disputa de bola.
Infantino defendeu a independência dos órgãos judiciais da FIFA e rejeitou qualquer interferência na suspensão dos efeitos do castigo, enquanto a UEFA acusou o organismo de ter tomado uma decisão “sem precedentes, incompreensível e injustificável“, que fez ultrapassar “uma linha vermelha“ nas regras da modalidade.