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  • Mundial 2026

    A Bélgica aplica em campo a justiça que não funcionou fora dele e elimina Estados Unidos, que teve Balogun como titular

    Jogadores da Bélgica festejam passagem aos quartos de final do Mundial
    Jogadores da Bélgica festejam passagem aos quartos de final do Mundial
    STEPHEN BRASHEAR

    Triunfo da seleção europeia por 4-1, num encontro em que os belgas jogaram sob protesto depois da FIFA ter despenalizado Folarin Balogun após intervenção de Donald Trump

    A Bélgica qualificou-se na segunda-feira para os quartos de final do Mundial de futebol de 2026, ao vencer os coanfitriões Estados Unidos, que apresentaram o ‘castigado’ Folarin Balogun, por 4-1, no último jogo dos oitavos de final.

    Charles De Ketelaere, aos nove e 33 minutos, Hans Vanaken, aos 57, e Romelu Lukaku, aos 90+3, apontaram os tentos dos belgas, enquanto Malik Tillman marcou, aos 31, o golo dos locais, de livre direto, após uma falta sobre Balogun, que viu o vermelho nos ’16 avos’ e foi despenalizado pela FIFA, numa decisão inexplicável.

    Nos quartos de final, na sexta-feira, em Inglewood, pela 12h00 locais (20h00 em Lisboa), a Bélgica defronta a Espanha, campeã mundial em 2010, que eliminou Portugal (1-0).

    No final do encontro, Rudi Garcia, selecionador da Bélgica, sublinhou que a sua equipa jogou “indiferente“ às polémicas que marcaram as horas anteriores ao encontro.

    Isso nunca mudou a maneira como jogámos. Nada mudou em termos de desempenho e motivação. A nossa principal motivação era chegar aos 'quartos', disse o treinador francês, em conferência de imprensa, no fim da partida disputada no Estádio Lumen Field, em Seattle, nos Estados Unidos.

    A Bélgica jogou sob protesto, um dia depois de a FIFA suspender por um período probatório de um ano a suspensão de uma partida determinada a Balogun, que tinha sido expulso com cartão vermelho direto na segunda parte da vitória frente à Bósnia-Herzegovina (2-0), na ronda anterior, mas pôde alinhar nos 'oitavos', após uma intervenção junto da FIFA do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

    Os meus jogadores estavam informados [dessa possibilidade]. Temos um grupo maduro e líderes presentes, mas focámo-nos em nós. Balogun é um avançado interessante, mas não tive dúvidas de que os nossos centrais seriam capazes de contê-lo bem, analisou Rudi Garcia, aludindo a Brandon Mechele e Nathan Ngoy, ambos titulares no eixo defensivo belga.

    O selecionador da Bélgica revelou ter conversado no fim do jogo com o ponta de lança dos Estados Unidos, que não teve absolutamente nada a ver com a polémica desencadeada pela decisão do Comité Disciplinar da FIFA.

    Ele não tem culpa disto tudo nem devemos culpá-lo e eu já lhe disse isso. Apreciei a sua intenção em vir falar comigo e a maneira como se comporta. Por isso, agradeci-lhe, partilhou.

    Pochettino frustrado

    Já o selecionador dos Estados Unidos, o argentino Mauricio Pochettino, rejeitou que o ruído em redor de Balogun tenha afetado a equipa norte-americana e evitou arranjar desculpas, até porque a Bélgica "foi melhor", apesar de estar frustrado e desapontado com quem misturou as coisas.

    Qual é o sentido de ter sido insultado e recebido mensagens negativas e ameaças? Há uma regra que a federação pode aplicar para que o jogador pudesse atuar. A minha função é treinar e, se Balogun estava disponível, porque foi autorizado, não há problema. Senti-me desiludido com muitas pessoas, que falaram de política, manipulação, ética e integridade, disse.

    Horas antes do encontro dos 'oitavos', o Comité de Apelo da FIFA rejeitou o protesto da Real Associação Belga de Futebol (RBFA) sobre a suspensão do castigo de Balogun, permitindo que o jogador estivesse disponível.

    A RBFA notificou a Federação de Futebol dos Estados Unidos (USSF) que contestará a elegibilidade do avançado, de 25 anos, após ter lamentado a ausência de explicações da FIFA, acusando-a de criar um recurso artificial.

    A decisão foi anunciada no domingo e assentou no artigo 27º do Código Disciplinar da FIFA, através do qual o órgão competente pode decidir suspender total ou parcialmente a execução de uma medida disciplinar.

    Donald Trump confirmou ter solicitado ao presidente da FIFA, o ítalo-suíço Gianni Infantino, a reavaliação do cartão vermelho mostrado a Balogun, por considerar que o avançado não cometeu falta sobre Tarik Muharemovic, cujo calcanhar direito foi pisado numa disputa de bola.

    Infantino defendeu a independência dos órgãos judiciais da FIFA e rejeitou qualquer interferência na suspensão dos efeitos do castigo, enquanto a UEFA acusou o organismo de ter tomado uma decisão sem precedentes, incompreensível e injustificável, que fez ultrapassar uma linha vermelha nas regras da modalidade.

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