• Suécia
    18:0020 JUN
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    Grupo F
  • Mundial 2026

    A França é um monstro infinito e chega intocável às meias-finais do Mundial, onde Marrocos nunca aspirou a estar

    Apesar de ter falhado uma grande penalidade, Mbappé desbloqueou o jogo
    Apesar de ter falhado uma grande penalidade, Mbappé desbloqueou o jogo
    Soccrates Images

    Numa seleção com o talento da francesa, até a opção Z é válida. Os recursos inesgotáveis tornaram natural a vitória contra Marrocos (2-0) no primeiro jogo dos quartos de final do Campeonato do Mundo. Mesmo quando o golo demora a aparecer, os gauleses nunca estão perto de sofrer, conforto que se traduz numa fluidez incomparável que terão que continuar a demonstrar frente a Espanha ou Bélgica na próxima eliminatória

    Mais do que espelhar o mundo, esta gigantesca competição que nos tem andado a ocupar os dias reflete as suas dinâmicas. Issa Diop, Redouane Halhal, Ayyoub Bouaddi, Samir El Mourabet, Neil El Aynaoui e Gessime Yassine. Na equipa marroquina, existem seis jogadores que, nos quartos de final do Campeonato do Mundo, defrontaram o seu país de nascimento.

    Existem em território francês cerca de 1,5 milhões de pessoas com origem marroquina fruto de uma intimidade histórica. Na relação, o poder pendeu mais para um lado do que para o outro, uma lógica de dominante e dominado que perdurou na primeira metade do século XX e foi desfeita em 1956.

    A síndrome de inferioridade dos Leões do Atlas é inexistente. Bouaddi não teve qualquer pudor em optar por representar Marrocos apesar ter jogado em todas as seleções jovens francesas. O prodígio que aos 16 anos já jogava competições europeias pelo Lille, que venceu um concurso de oratória no Palácio do Eliseu e que frequenta um curso de Matemática e Física não tinha qualquer internacionalização pelo país africano até à convocatória para o Mundial.

    Marrocos evoluiu e estabeleceu-se como referência, mas a França não tem qualquer sentido de comiseração. É uma seleção ultra focada em demonstrar o máximo potencial. Se lhe esquartejam uma cabeça, a besta ataca com outra. Anda entre nós um monstro infinito que chega intocável às meias-finais do Mundial.

    A espetacularidade da França no Mundial 2026 teve um efeito nefasto. Em vez de todos no recreio acharem a seleção gaulesa cool, o que acontece é que todos deixaram de querer brincar com ela. Mesmo equipas com capacidade, como Marrocos, estacionam-se quando a aluna popular passa.

    Os jogos da equipa de Didier Deschamps têm-se tornado monocórdicos. O adversário defende e a França anda pacientemente em busca das brechas. Talvez Les Bleus dispensassem tão grande demonstração de respeito, mas os oponentes teimam em tratá-los por doutores quando são só mestres da ilusão.

    Por muito que Marrocos tapasse um lado, a equipa meteu água por outro
    Julian Finney - FIFA

    Episodicamente, os franceses conseguiram convencer Marrocos a também tentar ter a bola e os erros surgiram. Numa rara jogada de transição, Kylian Mbappé perfurou a área e Noussair Mazraoui foi pouco discreto a derrubá-lo. Sem grande explicação, o avançado foi obrigado a aguardar demasiado tempo junto ao sinal no rosto da área. O falhanço demonstra que acusou a espera para cobrar a grande penalidade.

    Yassine Bono ia solicitando um certificado de excelência. Os remates longos de Mbappé e Désiré Doué foram negados com segurança O mesmo aconteceu com o cabeceamento de Dayot Upamecano. Quanto ao tiraço de Lucas Digne, teve de esperar que a barra fizesse o seu trabalho.

    Pelo contrário, quem acompanhe menos futebol, não ficou a saber se Mike Maignan é um bom guarda-redes ou não. É fascinante como a França, mesmo quando não consegue marcar, está sempre longe de sofrer. Upamecano, William Saliba, Manu Koné e Adrien Rabiot são materiais que podiam ser usados para construir um muro.

    Almofadado pelo conforto de não ter a baliza ameaçada, o jogo francês continuou a fluir com naturalidade e sem impaciência. Michael Olise pegou na bola numa zona mais recuada e demonstrou que não há ângulos de passe impossíveis ou espaços demasiado curtos.

    Olise, vigiado por Bouaddi, em busca de uma solução para a França
    Ryan Pierse - FIFA

    O talento francês pareceu a água a infiltrar-se no Titanic. Kylian Mbappé aliviou a impercetível pressão com um golaço, um remate em jeito que Bono, bloqueado por Issa Diop, nem viu partir. Ainda a assimilarem o sucedido, os jogadores de Mohamed Ouahbi levaram outro açoite. Este ficou por conta do pé direito de Ousmane Dembélé. Colocando-se a vencer por 2-0, com golos aos 60' e aos 66', a França confirmava o verdadeiro potencial da exibição.

    Mike Maignan ainda teve oportunidade de demonstrar o seu valor, finalmente. Achraf Hakimi e Azzedine Ounahi combinaram num livre que contou com a intervenção do guarda-redes. Uma reação demasiado tépida face às grandes ambições de Marrocos.

    Colocando a lente usada para avaliar a prestação de 2022, quando também foi eliminada pela França nas meias-finais, a seleção marroquina volta a fazer um ótimo Mundial. Trocando as hastes e adotando o padrão que se estabeleceu a partir daí, é um torneio sobrevalorizado dos Leões do Atlas com dificuldades sofridas contra países como o Haiti e o Canadá. Para equipas como a França, ainda há um fosso.

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