• Suécia
    18:0020 JUN
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    Grupo F
  • Mundial 2026

    Frente à Inglaterra das metamorfoses, todos os minutos são longos

    Bellingham festeja com Rogers depois do segundo golo de Inglaterra
    Bellingham festeja com Rogers depois do segundo golo de Inglaterra
    Anadolu

    Esta Inglaterra conhece bem as fases decisivas das grandes competições e está de novo numas meias-finais, depois de derrotar a Noruega por 2-1, com o golo da vitória, um de dois de Jude Bellingham, a surgir no prolongamento. Foi aí, e com a ajuda do banco, como tantas vezes tem acontecido na prova, que a equipa de Thomas Tuchel voltou a tomar conta de um jogo cujo controlo perdeu a partir do final da 1ª parte. Mas esta seleção sabe resistir e renovar-se em pleno jogo

    Longos 120 minutos no calor de Miami foram necessários para Inglaterra voltar às meias-finais de um Mundial, depois do 4º lugar de 2018, na Rússia. E, frente a esta Inglaterra, longos serão todos os minutos, porque está aqui uma equipa de resistência e de recomeços: frente à Noruega, a equipa de Thomas Tuchel nem sempre foi a mais forte, a mais perigosa, a mais organizada, a mais rápida nos processos. A Noruega assustou, esteve em vantagem, Schjelderup marcou um dos golos do torneio. Mas, no banco, Inglaterra tem um dos grandes estrategas em movimento e jogadores capazes de entrar e revigorar o curso da história.

    Ganhou por 2-1, com o golo da vitória a surgir já no prolongamento por um Jude Bellingham que chegou a tempo de ser figura no Mundial. Mais uma vez, Inglaterra refez-se.

    Uns quartos de final do Mundial já é momento por demais solene e daí talvez o risco quase zero das duas equipas até à primeira paragem desta vez sim para hidratação, tal o calor e humidade em Miami. Antes disso, apenas um par de aproximações algo trapalhonas de Inglaterra, sem verdadeiro perigo.

    Levando a sério a americanização do jogo, no segundo quarto o encontro mudou de cara: a iniciativa deslocou-se para o campo norueguês, que deu o primeiro sinal com um incomum cabeceamento frouxo de Haaland, pouco depois da meia-hora. Foi o prelúdio de um momento de dúvida e espanto. Ficará talvez para sempre com Andreas Schjelderup a sua verdadeira intenção no lance que abriu o marcador. Queria servir Haaland na área? Ou encheu-se verdadeiramente de fé?

    Nisto dos golos, os propósitos importam, que ninguém duvide, mas a imagem que fica é um remate de pé esquerdo, quase sem ângulo, a viajar por cima de Pickford, que parece ter confiado demasiado no golpe de vista. A bola bateu nos ferros antes de entrar e o jogador do Benfica, talvez impressionado, quiçá incrédulo com o que acabara de fazer, quem sabe na dúvida sobre uma possível falta sobre Kane no início da jogada, festejou com tranquilidade nórdica. Foi preciso Martin Ødegaard - verdadeiro pêndulo do jogo na altura - levantá-lo em ombros para Schjelderup entender o tamanho da façanha.

    Andreas Schjelderup a festejar o primeiro golo da Noruega-Inglaterra
    Justin Setterfield

    O golo fez bem ao jogo, abalou as estruturas inglesas, até então demasiado lentas no momento ofensivo. Abriu também espaços que a Noruega por pouco não aproveitou. Alexander Sørloth rematou à meia-volta entre um par de adversários, para irritação de Pickford, apesar do guarda-redes ter o lance controlado. O avançado do Atlético Madrid que, minutos depois, e com Haaland a colocar-se a jeito para ficar isolado, nada decidiu, nem passe nem remate e, por isso, naturalmente, perdeu o lance.

    Do outro lado, e já nos descontos da 1ª parte, funcionava finalmente o lado esquerdo: Elliot Anderson combinou com Anthony Gordon, com o futuro jogador do Barcelona a encontrar a chegada de rompante de Jude Bellingham à entrada da área. A receção é meio golo, a tirar o marcador direto da jogada, com o médio do Real Madrid a rematar depois de pé esquerdo para a baliza. Ainda antes do intervalo, Bellingham lançou Harry Kane, que picou com classe por cima de Nyland, mas estava em fora de jogo.

    Bellingham a marcar o golo do empate de Inglaterra
    Elsa

    Ficaria mais estranho, nervoso e indefinido o jogo na 2ª parte. Magnus Carlsen, grande mestre do xadrez presente nas bancadas, teria dado jeito lá dentro para trazer alguma estratégia ao jogo. Thomas Tuchel lançou Eze e Saka ao intervalo por Rice e Madueke, passando uma mensagem de controlo ofensivo que a Inglaterra nunca conseguiria ter daí até ao final dos 90 minutos, sofrendo nas bolas paradas, momento que a Noruega aproveitou para causar uns quantos calafrios à seleção dos Três Leões.

    Foi assim que a bola entrou na baliza de Pickford, aos 55’, num golo que seria anulado depois de um chega-para-lá mais enérgico de Erling Haaland, com a Noruega a enviar ainda uma bola à trave após canto, por Ajer. As entradas de Nusa e Oscar Bobb para as alas davam sinais definitivos da vontade de Stale Solbakken em arriscar. A Inglaterra só faria a Noruega suspirar já perto do fim do tempo regulamentar, com Frederik Aursnes a cortar no momento certo um cruzamento que magneticamente já ia ao encontro dos pés de Eze e Kane.

    O prolongamento traria nova mudança na dinâmica do jogo e daria força à ideia já construída nos últimos jogos de que Thomas Tuchel levou para o outro lado do Atlântico gente capaz de mexer vinda do banco. Djed Spence e Morgan Rogers, entrados nos últimos minutos do tempo regulamentar, trouxeram energia aos vice-campeões da Europa numa fase já de grande desgaste do meio-campo norueguês, onde Solbakken mexeu pouco.

    Um jogo de luta para Erling Haaland
    Bradley Collyer - PA Images

    É de Rogers o remate forte, ainda bem no início do tempo extra, que Nyland defende para a frente e que Bellingham aproveita, afoito, para transformar no 2-1, bem nas barbas de Ostigard, acabado de entrar. Já na segunda parte, uma iniciativa de Spence permitiu duas importantes defesas consecutivas a Nyland, primeiro ao remate do jogador do Tottenham e depois à recarga de Saka. A Inglaterra voltava à vida no momento certo.

    E a tempo de voltar a uma das fases decisivas de uma grande competição, onde vai estando quase consecutivamente nos últimos anos. Sempre a bater à porta do triunfo final, nunca a entrar. Nesta geração, já houve momentos de maior fulgor futebolístico (Mundial 2018 e Euro 2020 à cabeça), mas talvez nunca esta capacidade de resistir e se renovar em pleno jogo. It’s coming home?

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