A polémica em torno da participação de Folarin Balogun no jogo entre os Estados Unidos e a Bélgica, nos oitavos de final do Campeonato do Mundo, ganhou um novo capítulo. Segundo o jornal britânico "The Times", a decisão de suspender a sanção aplicada ao avançado norte-americano foi tomada exclusivamente por Mohammad al-Kamali, presidente do comité disciplinar da FIFA, sem qualquer consulta aos outros 17 membros do organismo.
Balogun, melhor marcador da seleção dos Estados Unidos, viu cartão vermelho no triunfo frente à Bósnia e Herzegovina, nos 32 avos de final da competição. De acordo com os regulamentos da FIFA, a expulsão implicava automaticamente um jogo de suspensão, que deveria ser cumprido diante da Bélgica.
Contudo, numa decisão sem precedentes na história dos Mundiais, a FIFA permitiu que o jogador fosse utilizado nesse encontro. A suspensão não foi anulada, mas ficou suspensa por um período probatório de um ano, tendo ainda sido aplicada uma multa de 40 mil dólares ao futebolista.
A decisão foi anunciada na véspera do encontro através de um breve comunicado que invocava o artigo 27.º do Código Disciplinar da FIFA. Mais tarde, o organismo publicou uma explicação mais detalhada, defendendo a legalidade da medida, mas sem esclarecer o processo que conduziu à mesma.
Trump confirmou contacto com a FIFA
A controvérsia intensificou-se depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter confirmado que contactou a FIFA para solicitar uma revisão do caso. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, confirmou a existência do contacto, mas garantiu que a decisão foi tomada de forma independente e sem qualquer influência política. Após o anúncio da suspensão da sanção, Trump agradeceu publicamente à FIFA nas redes sociais.
A medida provocou fortes críticas no panorama internacional. A UEFA manifestou “incredulidade” perante uma decisão que classificou como “sem precedentes, incompreensível e injustificável”. A Federação Belga apresentou um recurso, que acabou rejeitado pela FIFA.
casos mais relevantes analisados por painel
Segundo a investigação do jornal "The Times", os casos disciplinares mais relevantes da FIFA costumam ser analisados por painéis compostos por três membros do comité. Embora existam precedentes de decisões tomadas por um único responsável, normalmente pelo vice-presidente Jorge Palacio, da Colômbia, não há registo de Mohammad al-Kamali ter atuado sozinho em mais de uma centena de processos disciplinares anteriormente divulgados.
Questionada pelo jornal britânico sobre o caso, a FIFA não respondeu aos pedidos de esclarecimento. Já Mohammad al-Kamali recusou responder a várias perguntas da BBC relacionadas com a decisão que permitiu a Balogun participar no encontro frente à Bélgica.
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