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    18:0020 JUN
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    Grupo F
  • Mundial 2026

    Espanha dá uma lição de futebol à França e está na final do Mundial

    A festa espanhola
    A festa espanhola
    Maja Hitij - FIFA

    Os campeões da Europa confirmaram a superioridade recente diante dos gauleses, batendo-os por 2-0, margem que nem explica bem a diferença vista em Dallas. Oyarzabal, de penálti, e Pedro Porro marcaram os golos numa noite de gala de la roja, autora de uma grande exibição

    Espanha dá uma lição de futebol à França e está na final do Mundial

    Pedro Barata

    Jornalista

    No fim de uma desnivelada meia-final, a banda sonora no Texas era feita de “olééeé”, “oléééé”. A festa não era em honra do ataque que maravilhou durante o Mundial, da dianteira que alguns classificaram como a melhor vista neste palco planetário desde o Brasil 1970. Não, era mesmo para os seus adversários.

    Espanha, vencedora por 2-0 contra a França, ganhou mais do que um lugar na final. Exibiu a força de um ADN, de anos e anos de trabalho polido, de uma continuidade que vai além de gerações e treinadores e contextos. Demonstrou o valor da identidade, da identidade não feita conceito vazio, mas escudo, armadura, bagagem que se leva para competir.

    Sim, Mbappé, Olise, Dembelé, Barcola, Doué, todos eles, são, a 14 de julho, dia simbólico, tão fantásticos quanto a 13 de julho. Não foi isso que esteve em causa em Dallas. O que se demonstrou foi como uma equipa pode ser a mulplicação dos seus jogadores, ao mesmo tempo que reduz e diminuiu os demais.

    Perto do intervalo, com 1-0 no marcador, Oyarzabal, avançado que olha para o coletivo antes de mirar a baliza, recuou, uma vez mais no terreno. Fez um quarteto com os médios espanhóis, conversando com eles, escondendo a bola, sabendo que o caminho mais perto para o golo não é uma linha reta. A troca de passes, guardando o objeto precioso, conservando-o, foi frustrando os franceses. Foi assim até perto do fim.

    Pela segunda vez na história, la roja está no jogo mais importante da modalidade desportiva mais importante da história da humanidade. E fê-lo com um 2-0 que até poderia ter sido mais dilatada, tal a diferença em campo.

    A desilusão de Mbappé
    Soccrates Images

    A 14 de julho, a Bastilha que os franceses queriam tomar era o seu carrasco em várias das últimas competições internacionais. Os espanhóis eliminaram os gauleses nas meias-finais do Euro 2024, na mesma fase da passada Liga das Nações e até o ouro olímpico de Paris 2024 lhes roubaram. Vendo o primeiro tempo de Dallas, na gigantesca gruta no Texas que acolheu o desafio, dava para perceber algumas razões do trauma.

    Perante a brutal qualidade individual dos homens de Deschamps, la roja apostou na identidade, no coletivo, nos princípios, no ADN forjado e reforçado ao longo de anos e anos. Teve a bola com critério, pressionou com ordem, bloqueou caminhos e abriu outros, sempre com um baile de grupo, distante dos solistas do outro lado.

    Ainda sem chances de perigo de parte a parte, o 1-0 penalizou um erro de um dos mais experientes em campo. Digne resiste do Mundial 2014, a primeira fase final de Deschamps, e aqui está, na última, ainda que seja a estreia num torneio enquanto verdadeiro titular. O canhoto abordou de forma inocente um cruzamente, Lamine aproveitou-se e da colisão deu-se o penálti. Oyarzabal, uma garantia de fiabilidade em castigos máximos, bateu Maignan.

    A desvantagem não espevitou os de azul. França era uma entidade desligada, desconexa, sem a fluidez de outros momentos do Mundial. Vivia a sua primeira verdadeira adversidade nestas semanas americanas e não estava a lograr reagir, com vícios defeitos do passado recente (demasiado individualismo, circulação previsível) a virem ao de cima.

    Aos 35', o quarteto fantástico formado por Mbappé, Barcola, Dembélé e Olise somavam, entre si, um total de dois dribles. Nenhum deles contava qualquer remate à baliza, aliás, França acabou a etapa inicial sem enquadrar uma única finalização.

    Perto do intervalo, uma grande movimentação de Espanha quase deu no 2-0. Foi um lance que resumiu os defeitos de uns e pecados de outros: erro na saída de bola de Maignan provocado pela pressão adversária, Rodri a iniciar a ofensiva, Olmo e Lamine na tabela, Fabián a pisar a área. Valeu o corte de Upamecano.

    Deschamps, para piorar o panorama, perdeu Saliba, por lesão, na primeira parte, entrando Lacroix. Ao descanso, para procurar melhorar o seu meio-campo, Manu Koné entrou pelo amarelado Rabiot.

    O recomeço não transformou o futebol de quem chegou a encantar neste campeonato do mundo. França tardou uma eternidade para ameaçar verdadeiramente Unai Simón, vendo-se inferiorizada no meio-campo, dedicada a perseguir sombras. Apos 58', chegaria o dobrar da vantagem dos campeões da Europa.

    Dani Olmo é, nesta Espanha, o falso-tudo. Falso-médio, falso-avançado, uma mentira constante para chegar à verdade que o consagra como futebolista de leitura superior. O homem do Barcelona combinou com Pedro Porro, dono de um grande nível neste Mundial, anormalmente consistente a defender e, aqui, com o seu grande momento. Tabelou, isolou-se, apontou o golo mais importante da carreira. 2-0.

    À medida que a eliminação se aproximava, Deschamps era a face da resignação no banco. Este seria sempre o seu penúltimo jogo pela seleção, restando saber se o derradeiro seria no próximo sábado ou domingo. Didier, ex-capitão e selecionador desde 2012, dedicou parte da vida a esta causa, a esta equipa, e aqui viu-a colapsar.

    Entraram artistas como Cherki e Doué, também Theo, mas pouco se transformou para quem tinha de procurar dar a volta. Em Espanha, já com Merino, Pedri e Ferran Torres em campo, este último, de cabeça, esteve perto do 3-0. Estávamos nos 78' e os campeões de 1998 e 2018 não contavam com uma única oportunidade de golo.

    Mbappé chegou a ameaçar o 2-1, com um par de iniciativas individuais. Seria só isso, seria pouco. França sai do Mundial em que brilhou intensamente sem brilho, para sempre marcada por esta exibição paupérrima. Espanha leva a sua lição histórica, aguardando por Argentina ou Inglaterra no derradeiro duelo.

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