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    “As Malvinas são argentinas”: finalistas do Mundial arriscam castigo por causa de bandeira

    Os jogadores da Argentina a celebrarem a vitória contra a Inglaterra
    Os jogadores da Argentina a celebrarem a vitória contra a Inglaterra
    Nick Potts - PA Images

    As regras do International Football Association Board impedem os jogadores de “exibir declarações ou imagens políticas”. No passado, perante situações semelhantes, a FIFA aplicou multas, mas também jogos de suspensão, o que poderia desfalcar a equipa de Scaloni na final contra a Espanha. As mais altas instâncias políticas de Argentina e Inglaterra já se envolveram

    A reviravolta da Argentina contra a Inglaterra mereceu festejos proporcionais ao feito épico que colocou a albiceleste na final do Campeonato do Mundo. Os jogadores dirigiram-se aos adeptos, que fizeram a sua parte para que, em sete minutos, a equipa de Scaloni conseguisse transformar uma desvantagem de 1-0 numa vitória por 2-1. Durante o momento de comunhão com a extasiada bancada, os jogadores mostraram uma bandeira que reclamava que “as Malvinas são argentinas”.

    Pegando cada um numa ponta, Giovani Lo Celso e Cristian Romero esticaram-na para que a mensagem não fosse ocultadas pelas engelhas do pano. Se existissem dúvidas quanto à intenção dos futebolistas se associarem à causa, Leandro Paredes desfê-las. Diante dos microfones, o médio reivindicou que as ilhas “sempre serão argentinas” e que o Inglaterra-Argentina “não foi só um jogo de futebol”.

    O jogo foi tratado pelas autoridades de Atlanta como um evento de alto risco, temendo que a história acicatasse a animosidade entre o público. Apesar de ter decorrido em 1982, a Guerra das Malvinas é um tema que o futebol vai refrescando. Nesse ano, a Argentina invadiu o território que se encontra a 480 km da sua costa, tentando obter a soberania do arquipélago que os britânicos controlam desde 1932.

    Inicialmente, a rivalidade entre argentinos e ingleses era política, mas furou a esfera desportiva logo no Mundial 1986. Os dois países encontraram-se nos quartos de final numa eliminatória decidida por Maradona com a mão, irregularidade que impingiu ao adversário a injustiça que os sul-americanos sentiram durante o conflito que vitimou 649 pibes e 255 soldados britânicos.

    Os possíveis castigos

    A FIFA pode vir a sancionar a exibição da bandeira, situação que pode deixar a equipa de Scaloni desfalcada. Em 2014, num amigável frente à Eslovénia, a federação argentina foi multada em cerca de €23.600 por ter promovido uma iniciativa que contemplava que os jogadores posarem com uma lona onde se lia a mesma mensagem: “As Malvinas são argentinas.”

    Noutros casos, a jurisprudência neste caso da UEFA optou por castigar diretamente os jogadores. Álvaro Morata e Rodri receberam um jogo de suspensão após cantarem “Gibraltar é Espanha” no meio da euforia das celebrações do Euro 2024.

    Quezílias marcaram a meia-final do Mundial
    Buda Mendes

    O International Football Association Board, responsável pelas regras que orientam a modalidade, explicita que “os jogadores não devem exibir declarações ou imagens políticas”. À volta do estádio, a soberania das Malvinas também foi reclamada polos adeptos munidos com adereços referentes à causa ainda que o código de conduta dos recintos proiba “qualquer material, incluindo faixas, bandeiras, panfletos, vestuário e outros apetrechos de natureza política, ofensiva e/ou discriminatória”.

    Assunto de Estado

    O incidente reacendeu a tensão política em torno do tópico. “O Mundial pode não ser nosso, mas as Ilhas Falkland [designação usada pelos ingleses para se referirem às Malvinas], definitivamente, são”, disse um porta-voz de Keir Starmer, que vai deixar o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido.

    Do lado argentino, Victoria Villarruel, vice-presidente do país. chamou “usurpadores” aos ingleses e lamentou que os adeptos da albiceleste tenham sido impedidos de exibir bandeiras de cariz político. “Proibiram-nos de levá-las para o estádio, mas esqueceram-se de que as levamos no sangue e no coração”, escreveu numa publicação no X acompanhada de uma fotografia dos festejos da seleção.

    Na antevisão ao encontro, Scaloni tinha desvalorizado o impacto que o passado podia ter na luta por um lugar na final, contra a Espanha. “Não podemos misturar as coisas”, defendeu o treinador que, ainda assim, referiu que as vítimas de um “período triste” seriam “certamente lembradas”.

    Juntem história, emoção e uma passagem à final do Campeonato do Mundo e sai uma batalha em cima do relvado. Foi isso o Inglaterra-Argentina, um duelo que, por mais que os anos passem, vai ser sempre mais do que futebol.

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