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Mundial Feminino 2023

A “grande luta” dos Maori pela afirmação no futebol, o “maior palco de todos” que os vê como “brutos, violentos e estranhos”

A “grande luta” dos Maori pela afirmação no futebol, o “maior palco de todos” que os vê como “brutos, violentos e estranhos”
Roni Bintang

Na Nova Zelândia, há uma sub-representação das pessoas com ascendência nativa no futebol, havendo relatos de racismo e preconceito, longe da valorização feita, por exemplo, no râguebi. Na Austrália, também os indígenas se queixam do “simbolismo vazio” da utilização, por parte da FIFA, de símbolos culturais indígenas durante o Mundial, criticando-se a falta de financiamento que o plano de legado da competição prevê para estas pessoas, que aproveitam o torneio para darem voz à sua luta

A “grande luta” dos Maori pela afirmação no futebol, o “maior palco de todos” que os vê como “brutos, violentos e estranhos”

Pedro Barata, enviado ao Mundial 2023

Jornalista

Tarena Ranui, uma mulher Maori, ascendência que lhe vem da parte da mãe, apaixonou-se pelo futebol em 1982. Naquele inverno no hemisfério sul, verão em Espanha, ela tinha quatro anos, a Nova Zelândia estreava-se num Mundial de futebol e “todo o bairro só falava daquilo”, recorda.

Três décadas passadas, por volta de 2013, o seu filho foi contagiado pelo gosto da mãe pela bola redonda no país da oval. Juntamente com outras crianças Maori, que viviam na mesma zona, criaram uma equipa de futebol, treinada por Tarena, então professora numa escola da zona.

Aquele conjunto de meninos de 7 anos começou a ganhar partidas atrás de partidas a nível regional. “Não porque o treino fosse brilhante”, diz a treinadora humildemente, mas porque “os rapazes tinham características físicas e cognitivas excelentes para o desporto, seriam sempre bons”, acrescenta em conversa com a Tribuna Expresso num hotel em Hamilton na véspera do Portugal - Vietname.

À medida que os jogos foram sendo vencidos, os insultos começaram a ser ouvidos, vindos da parte de fora do relvado, dos pais das outras crianças. No Facebook, havia também mensagens de ódio dirigidas à equipa, questionando, por exemplo, a idade dos meninos ou a “legitimidade para competirem contra equipas de não Maoris”, lembra Tarena.

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Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: tribuna@expresso.impresa.pt

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