Num ápice, e com novo recorde nacional, Diogo Ribeiro nadou para a final dos 50 metros mariposa dos Europeus
Diogo Ribeiro está, pela segunda vez na carreira, na final dos 50 metros mariposa dos Europeus de natação
Shi Tang/Getty
Diogo Ribeiro está, pela segunda vez na carreira, na final dos 50 metros mariposa dos Campeonatos da Europa de natação. O português foi o mais rápido a reagir na partida e fixou um novo recorde nacional da distância (que já lhe pertencia). À sua frente ficaram apenas o Maxime Grousset, campeão mundial em título, e Egor Kornev, russo que na tirada fixou uma nova melhor marca da competição
Cinquenta metros são um espirro. Os nadadores saltam da chamada, mergulham, engolem os primeiros metros subaquáticos e quando vêm à tona restam só uns dois terços de água para abraçar se mariposa for, como é para Diogo Ribeiro, o estilo de braçada. Demora-se bastante mais tempo a escrever este parágrafo do que a percorrer uma piscina olímpica se o visado for um profissional; no caso do melhor nadador português por estes dias, esse tempo são 22 segundos e 68 centésimos.
Ao começar como costuma - com maior delonga do que os adversários nesses primeiros metros submersos, apesar de ter sido quem reagiu primeiro (0.59s) à buzina, na largada -, Diogo Ribeiro acentuou o seu hábito de ir atrás da necessidade de compensar a partida. A envergadura e potência atlética fizeram-no terminar a segunda meia-final na terceira posição, por diante de Thomas Ceccon, italiano sagrado campeão europeu em 2022, nas barbas do português, que então ficou com a medalha de bronze. Esta segunda-feira, à sua frente só Maxime Grousset (22,49s), o campeão mundial da distância, e o russo Egor Kornev, ao fixar uma nova melhor marca (22,36s) da distância na competição.
Os 22,68 segundos de Diogo Ribeiro melhoraram o recorde nacional que já lhe pertencia nos 50 metros mariposa, catapultando-o para a segunda final da carreira nos Europeus - será esta terça-feira, às 18h37. O nadador de Coimbra lá chegará com o quarto melhor tempo, embalado com um fôlego de quem se devolveu às grandes decisões no mesmo lugar que o esbofeteou com um pedaço de realidade, em 2024, depois de as piscinas lhe terem elevado os ânimos.
Estes Europeus decorrem não na arena de La Défence - quando um estádio de râguebi foi convertido em piscina - mas no Centre Aquatique Olympique Métropole du Grande Paris, em Sant-Denis, mesmo ao lado do estádio de futebol. No primeiro palco, há dois anos, Diogo nenhuma final atingiu, saindo dos Jogos Olímpicos a confessar choros diários e a revelar que muito teria a aprender com a experiência. No segundo, devolveu-se a uma final depois de sofrer com as dores de crescimento da carreira de quem foi o primeiro campeão mundial português de natação.
Dentro de água não há piruetas como as que Diogo Ribeiro deu à sua vida na piscina com cloro de Lima, capital de Peru, faz quatro anos. Era adolescente quando se deu a conhecer, todo ele estrondo, ao ser recordista e campeão mundial júnior dos 50 metros mariposa, com a façanha mediaticamente impulsionada pelos difíceis contornos que a antecederam: morrera-lhe o pai ainda em criança e, aos 16 anos, deu cambalhotas no ar antes de se estatelar no chão e depois de ser abalroado por um carro quando conduzia uma moto. Perdeu parte de um dedo, temeu não voltar a nadar.
De Coimbra saiu para Lisboa, onde já treinava no Centro de Alto Rendimento do Jamor aquando dos títulos (foram três) nos Mundiais juniores, precedidos por um bronze nos Europeus de 2022 e procedidos por uns Jogos de Paris, em 2024, que lhe encharcaram a cara de realidade: em águas de peixe-graúdo, não alcançou a final nas provas onde deixou braçadas. Uma delas, os 50 metros mariposa que o restituíram à capital francesa para estes Europeus de natação.
Há três meses, um Diogo generoso em candura admitiu à Tribuna Expresso ter saído amolgado do mediatismo que ser campeão mundial júnior lhe deu. “Acho que acusamos sempre um bocado essa pressão. É inevitável“, concedeu,lamentando as noitadas a gravar anúncios na piscina, as expetativas de fora que acresceram às que põe em si próprio, a falta de competição do seu nível em Portugal. Já tocou nas nuvens lá no alto, também já sentiu o relevo no fundo da piscina. Agora está na segunda final da carreira em Europeus, devolvido a ser rapidíssimo.