A primeira grande medalha internacional de Diogo Ribeiro foi precisamente aqui. Dias antes da tripla rodela dourada nos Mundiais junior de Lima, em 2022, o atleta de Coimbra, então com apenas 17 anos, tinha surpreendido ao surgir no pódio dos Europeus de Roma, a nível sénior, nos 50 metros mariposa. Foi nesta distância, neste estilo, aquele em que é mais difícil coordenar as braçadas com as pernadas, que Diogo se apresentou ao mundo.
No regresso a esta final, pejada de especialistas, não houve repetição daquela tarde de verão romano. Diogo Ribeiro não foi ao pódio, é certo. Terminou a supersónica prova, talvez a sua maior especialidade, em 5º, mas bem dentro da elite, ele que há um ano foi 4º nos Mundiais, a tocar num pódio que teve três atletas presentes na final de Saint-Denis, em Paris, desta terça-feira.
Desses, apenas o campeão mundial em título, Maxime Grousset, chegou às medalhas. O francês foi o recheio da sanduíche feita por dois atletas neutrais e, por isso, algo desconhecidos internacionalmente até esta final - talvez não mais. O ouro foi para o russo Egor Kornev, de 22 anos, dominador desde as eliminatórias. Nas meias-finais tocou a parede com o terceiro tempo da história nos 50m mariposa. O bronze foi parar ao peito do bielorrusso Grigori Pekarski, 28 anos, sem currículo de registo até esta tarde.
Numa final de tempos modestos face às meias-finais, Diogo Ribeiro esteve no grupo dos que melhor reagiram à buzina, o que nem lhe é comum. Sabe-se da sua capacidade de ir de trás para a frente, de ir recuperando a cada braçada, mas os primeiros 15 metros continuam a ser um handicap para o português, o mais baixo de todos os finalistas, o único com menos de 1,90m.
Ainda assim, Diogo, que chegou à final com o quarto melhor registo das ‘meias’, nunca esteve fora da luta, nunca quebrou. Ficou a apenas três centésimos do 4 º lugar de Thomas Ceccon e a sete do bronze de Pekarski. Numa prova em que quem pisca os olhos arrisca-se a perder o vencedor, as margens para um pódio são assim de pequenas.
E, por isso, numa temporada marcada por lesões, em que Diogo Ribeiro ainda procura a melhor gestão entre o trabalho físico, que lhe permitirá compensar o que não tem em altura, com as mazelas que o ginásio provoca, estar perto das medalhas, numa final de nível elevado e em que, por exemplo, Noè Ponti, vice-campeão mundial, foi último, são sempre sinais da enorme competitividade do nadador português.
Em 2027 volta a haver Mundiais, um ano depois os Jogos Olímpicos de Los Angeles onde, pela primeira vez, os 50 mariposa tão a gosto do português de 20 anos farão parte do cardápio olímpico. Se as duas últimas temporadas servirem de referência, tanto em resultados como na forma como tem batido o seu recorde nacional, agora em 22.68, Diogo será um dos candidatos à final. E aí, nesse piscar de olhos, tudo pode acontecer.
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