Natação

Nadou para defender o título, salvou a prata: Camila Rebelo é vice-campeã europeia dos 200 metros costas

A atleta de 23 anos chegou à final com o segundo melhor tempo de entrada
A atleta de 23 anos chegou à final com o segundo melhor tempo de entrada
Federação Portuguesa de Natação

A nadadora não conseguiu revalidar o título europeu dos 200 metros costas que conquistou há dois anos. Ainda assim, em Paris, bateu o recorde nacional (2:07.62) e garantiu uma medalha, a sétima de Portugal na história dos Europeus de natação

Nadar costas equivale, dentro de água, a correr em marcha-atrás. Se pensarmos bem, o destino esconde-se do alcance do olhar. É uma forma de deslocação que pode ser vista como a anatomia do retrocesso, mas nenhuma outra técnica tem impulsionado mais Camila Rebelo do que dar braçadas ao contrário.

A nadadora consagrou-se ainda mais como especialista neste estilo ao alcançar a medalha de prata na prova de 200 metros costas dos Europeus, em Paris, esta terça-feira. Num ritmo que lhe permitiu bater o recorde nacional (2:07.62), a atleta de 23 anos ficou em segundo lugar na final e só não alcançou Katie Shanahan (2:06.13).

Antes imergir para a partida, Camila Rebelo vestia um casaco almofadado que pouco calor corporal deveria deixar escapar. Ainda assim, o efeito do aquecimento não se sentiu. O corpo demorou a atingir a velocidade certa, mas conseguiu ativar-se a tempo de recuperar posições. Apenas a britânica escapou a um ponto irremediável.

Nas eliminatórias, Camila Rebelo já se tinha destacado. Com 2:08.48, chegava à final com o segundo melhor tempo de entrada, apenas superada pela mesma Katie Shanahan (2:07.61), a maior ameaça a contaminar as águas do Centre Aquatique Olympique Métropole du Grande Paris.

Ficou por renovar o título que tinha conquistado, em Belgrado, há dois anos, mas assegurou uma prestigiante medalha de prata. De resto, o currículo da portuguesa natural de Vila Nova de Poiares tem-se robustecido numa tendência inversamente proporcional: quanto mais recua, mais ganha.

Na natação, é bom esbarrar na parede o mais rapidamente possível. Em todos os grandes resultados, Camila Rebelo fê-lo de costas. Além das duas medalhas em Europeus, também vingou neste estilo nos Jogos Mundiais Universitários de 2021 (prata nos 100 metros e prata nos 200 metros) e nos Jogos do Mediterrâneo de 2022 (ouro nos 100 metros e ouro 200 metros).

A distância predileta, aquela que a levou à estreia nos Jogos Olímpicos 2024, está cumprida. Para a ver de novo em ação será necessário esperar que se desenrolam as provas de 50 metros (12 de agosto) e para os 100 metros (14 de agosto), imagine-se, de costas.

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