Natação

Francisca Martins nadou o mesmo tempo que uma adversária nos 200 metros livres e não houve ‘swim-off‘: escolheram ir as duas à final

Francisca Martins a nadar na edição de 2024 dos Europeus, em Belgrado, onde venceu uma medalha de bronze
Francisca Martins a nadar na edição de 2024 dos Europeus, em Belgrado, onde venceu uma medalha de bronze
Srdjan Stevanovic

Apesar de retirar mais de um segundo ao recorde nacional que dois dias antes se tornara seu, Francisca Martins acabou empatada no oitavo e última lugar que dá acesso à final dos 200 metros livres dos Europeus. Ao acontecer esta raridade, das três uma: a organização propôs à portuguesa e à adversária britânica nadarem outra vez ainda esta quarta-feira, na manhã seguite ou seguirem ambas para a final. Escolheram a última hipótese

Atualizado às 20h02

Quando terminou a prova, uma de tantas da portuguesa, o grafismo dos Europeus de natação que se espalhou pela transmissão televisiva pôs um pedaço de esquisito à frente do seu nome: ao “Francisca SOARES MARTINS” classificado no 8.º lugar com o apelido engordado e do “1:57.56” seguiu-se, em fundo verde, um “?”, interrogando a presença da nadadora na final dos 200 metros livres e forçando uma interrogação pouco usual.

A portuguesa vinda do FOCA, clube de natação de Felgueiras fora da órbita das grandes agremiações desportivas de Portugal, terminara a meia-final com o mesmo minuto, os exatos segundos e os mesmíssimos centésimos que Leah “SCHOSSHAN”, britânica assim merecedora do mesmo tratamento. Partilhando a nesga, havendo duas mulheres coincidentes no limbo de terem o último tempo que dava acesso à final, forçaram uma raridade na natação.

Em teoria, teriam de ir a um “swim off”, forma de desempate usada, sobretudo, em distâncias até aos 200 metros, quando duas atletas acabam uma eliminatória com a mesma marca. Tão alinhadas nas braçadas até ao centésimo de segundo, Francisca Martins teria de esperar até que todas as provas do dia se concluíssem - só depois terá a piscina reservada para si e Leah Schosshan.

Essa foi uma de três propostas que a organização dos Europeus apresentou às atletas; outra foi regressarem à piscina só na manhã seguinte, a restante que não houvesse perdedoras e a final tivesse nove nadadoras ao invés das oito habituais.

Francisca Martins conta com três finais nos Europeus de natação de 2026
FPN/simonecastrovillari

‘Kika‘ e Leah Schosshan concordaram na trégua, pouparam-se ao acréscimo de esforço e a voltarem a molhar o corpo à hora do eclipse solar. Estas tropelias vindas da raridade de um empate desviaram a atenção de outro facto, e subsequente elogio, logrado pela portuguesa: com o tempo de 1:57.56 fatiou mais de um segundo ao recorde nacional que já lhe pertencia desde segunda-feira (1:57.80), quando o fixou na primeira manga da final dos 4x200m estafetas.

A essa e à decisão dos 800 metros livres acrescentou, portanto, a decisão dos 200 metros do mesmo estilo. Em todas as provas Francisca Martins nadou rápido e “aguentou o máximo possível” o ritmo nos píncaros da sua capacidade, como lhe apraz.

Nascida há 23 anos, gosta de puxar o conta-rotações aquático cá para cima em vez de dosear ou ir do menos ao mais, assim o disse há coisa de um ano, ao jornal “ABola”, vinda de ganhar um ouro e uma prata nas Universíadas. Nunca uma portuguesa saíra desses Jogos campeã e ela, então em versão faz-tudo, nadou os 100, os 200, os 400 e os 800 metros livres, com braços e pernas para toda a obra.

Fresca a memória das suas conquistas do versão passado, sem esquecer o penduricalho de bronze sustido pelo seu pescoço ao sair de Belgrado, nos Europeus de 2024, pelo seu esforço nos 400 metros, nesta edição mergulhou a poupar-se somente a uma das distâncias. Abdicou da mais rápida. Já nadou longa - esteve na final dos 800m - e a intermédia (400m) - que lhe retribuiu com o ouro nos Jogos Universitários - é afazer para o fim de semana e esta quarta-feira era a missão de percorrer quatro piscinas em crol.

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