Quando terminou a prova, uma de tantas da portuguesa, o grafismo dos Europeus de natação que se espalhou pela transmissão televisiva pôs um pedaço de esquisito à frente do seu nome: ao “Francisca SOARES MARTINS” classificado no 8.º lugar com o apelido engordado e do “1:57.56” seguiu-se, em fundo verde, um “?”, interrogando a presença da nadadora na final dos 200 metros livres e forçando uma interrogação pouco usual.
A portuguesa vinda do FOCA, clube de natação de Felgueiras fora da órbita das grandes agremiações desportivas de Portugal, terminara a meia-final com o mesmo minuto, os exatos segundos e os mesmíssimos centésimos que Leah “SCHOSSHAN”, britânica assim merecedora do mesmo tratamento. Partilhando a nesga, havendo duas mulheres coincidentes no limbo de terem o último tempo que dava acesso à final, forçaram uma raridade na natação.
Batizado de “swim off” e usado, sobretudo, em distâncias até aos 200 metros, acontece quando duas atletas acabam uma eliminatória com a mesma marca. Tão alinhadas nas braçadas até ao centésimo de segundo, Francisca Martins terá de esperar até que todas as provas do dia se concluam - só depois terá a piscina reservada para si e Leah Schosshan. Acontecerá à hora do pico do eclipse solar. Nem o facto de ter fatiado mais de um segundo ao recorde nacional que já lhe pertencia desde segunda-feira (1:57.80), quando o fixou na primeira manga dos 4x200m estafetas, a livrou desta raridade.
E aí sim, como lhe apraz, Francisca Martins terá mesmo de nadar rápido e “aguentar o máximo possível” nos píncaros.
Nascida há 23 anos, gosta de puxar o conta-rotações aquático cá para cima em vez de dosear ou ir do menos ao mais, assim o disse há coisa de um ano, ao jornal “ABola”, vinda de ganhar um ouro e uma prata nas Universíadas. Nunca uma portuguesa saíra desses Jogos campeã e ela, então em versão faz-tudo, nadou os 100, os 200, os 400 e os 800 metros livres, com braços e pernas para toda a obra.
Fresca a memória das suas conquistas do versão passado, sem esquecer o penduricalho de bronze sustido pelo seu pescoço ao sair de Belgrado, nos Europeus de 2024, pelo seu esforço nos 400 metros, nesta edição mergulhou a poupar-se somente a uma das distâncias. Abdicou da mais rápida. Já nadou longa - esteve na final dos 800m -, a intermédia (400m) - que lhe retribuiu com o ouro nos Jogos Universitários - é afazer para o fim de semana e esta quarta-feira era a missão de percorrer quatro piscinas em crol.
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