NBA

Chris Paul juntou-se aos Clippers para terminar a carreira. Dias depois de ter feito o anúncio, a equipa da qual é lenda dispensou-o

A segunda passagem de Chris Paul pelos Clippers durou apenas 16 jogos
A segunda passagem de Chris Paul pelos Clippers durou apenas 16 jogos
David Jensen

Aos 40 anos, ao fim de 21 épocas na NBA, Chris Paul encontrava-se em plena última dança quando recebeu a notícia de que seria “mandado para casa” sem que nada o fizesse prever. O 12 vezes All-Star estaria a ser demasiado crítico com os colegas, o que deixou a equipa técnica no “limite da paciência”

Eram 2h40 em Atlanta, onde Chris Paul se encontrava. 23h40 em Los Angeles. 7h40 em Lisboa.

Pensando no alcance que se quer ter no momento de fazer um grande anúncio, não é exatamente uma boa hora para se colocar na rua uma grande bomba. Chris Paul surpreendeu toda a gente. Nem tempo deu aos jornalistas mais bem informados de se anteciparem na partilha da informação. “Descobri que vou ser mandado para casa ✌️”, escreveu simplesmente no Instagram.

A noctívaga partilha teve um motivo. Após visitar um festival de arte em Miami, Chris Paul juntou-se aos Clippers. Porém, o avião em que a equipa de Los Angeles faria a viagem do local onde tinha jogado na noite anterior para Atlanta, a cidade do próximo embate, teve de resolver os problemas mecânicos que atrasaram a chegada. 

Assim que os Clippers chegassem a terra firme, Chris Paul e Lawrence Frank, o presidente de operações de basquetebol, iam conversar. A troca de argumentos prolongou-se e o sol teve que ir descansar entretanto, razão pela qual o jogador de 40 anos teclou tão tardiamente. O 12 vezes All-Star foi dispensado por opção do franchise

A novidade veio chocar com uma outra divulgada apenas 11 dias antes. Nessa ocasião, Chris Paul anunciou subtilmente que ia terminar a carreira no final da época. Antes de defrontar os Hornets, equipa da Carolina do Norte, de onde é natural, publicou um vídeo acompanhado por uma descrição: “Agradecido por este último [ano].” Embora sobrassem poucas dúvidas, os jornalistas não tiveram oportunidade de pedir ao Point God uma confirmação. Os Clippers impediram-no de interagir com a imprensa.

Este verão, Chris Paul assinou um contrato de um ano com os Clippers, estando logo aí implícita a intenção de terminar a carreira a vestir a camisola com que para sempre o vão recordar. O base que integrou a equipa do 75º aniversário da NBA já tinha representado os californianos entre 2011 e 2017. Fez parte da Lob City, onde somou assistências atirando a bola para os alley-oops de Blake Griffin e DeAndre Jordan. O icónico trio nunca conseguiu sequer chegar a uma final de conferência, mas todos se tornaram figuras adoradas nos Clippers.

Atualmente, os Clippers estão envolvidos em escândalos maiores do que a sua percentagem de vitórias. Mesmo com James Harden a fazer números que fazem lembrar os tempos de MVP, a equipa treinada por Tyronn Lue tem um rácio de seis vitórias e 16 derrotas, desempenho também afetado pelo intermitente contributo de Kawhi Leonard, condicionado por problemas físicos. 

Em 2025/26, o base de 40 anos leva mínimos de carreira em termos estatísticos
David Jensen

Chris Paul tem fama de ser vocal, característica que o ajudou quando foi presidente do sindicato dos jogadores da NBA entre 2013 e 2021, mas que pode perturbar a paz de espírito dos mais calmos. Os responsáveis dos Clippers solicitaram-lhe que parasse com as críticas aos companheiros feitas nas reuniões com todo o plantel, porque, escreve o “The Athletic”, “alguns incomodaram-se com o tom depreciativo". O ambiente tenso colocou Tyronn Lue e a equipa técnica no limite da paciência”.

Kawhi Leonard teve que “reler a mensagem e ver melhor o que se estava a passar” quando soube da partilha de Chris Paul. James Harden também não soube o que achar, comentou com os jornalistas: “Fiquei tão chocado como vocês.”

Diga-se que o papel de Chris Paul, a realizar a 21ª temporada na liga, é falar mais e jogar menos. O primeiro basquetebolista a marcar 20.000 pontos ao mesmo tempo que conseguia 10.000 assistências na NBA leva, em 2025/26, médias de 2,9 pontos e 3,3 assistências (mínimos de carreira). A mentoria de Chris Paul ajudou, por exemplo, a direcionar os Thunder para o caminho vitorioso em que se encontram. 

Os Clippers arrependeram-se de ter contratado um arauto. “Ninguém está a culpar o Chris pelo mau desempenho”, esclareceu Lawrence Frank em comunicado. “Vamos trabalhar com ele no próximo passo da sua carreira.” Ainda ninguém sabe ao certo o que quer isso dizer.

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