Cooper Flagg, o tipo “sem emoções” que foi o perdão divino dos Dallas Mavericks
Apesar do impacto do rookie Cooper Flagg, os Mavs não vão seguir para os play-offs da NBA
Tyler Kaufman
Apesar da juventude, Cooper Flagg sabe escolher bem as companhias na NBA. Em certos aspetos, a estatística diz que está a ser o que LeBron James, Michael Jordan e Kevin Durant foram em jovens. Com um máximo de carreira de 51 pontos, tornou-se o primeiro adolescente a conseguir tão vasta anotação. Depois de terem trocado Luka Dončić, os Dallas Mavericks tiveram direito a uma segunda oportunidade com a escolha número um do draft de 2025
Cooper Flagg é dois anos mais novo do que o filho primogénito de LeBron James. Tamanha discrepância diz tanto da precocidade de um como da longevidade do outro. O confronto anacrónico empolou-se no último encontro da época entre Mavericks e Lakers na fase regular da NBA. O rookie marcou 45 pontos e superou o ancião sobrecarregado com 23 temporadas que, mesmo assim, ripostou com 30 pontos, 15 assistências e nove ressaltos.
A frescura de um corpo de 19 anos é capaz de sustentar uma vida frenética. Tradicionalmente, a juventude fica inconformada com a calmaria. Por levar a vida com uma intensidade notável, Cooper Flagg fez a imponente exibição dois dias depois de ter realizado uma ainda mais assinalável. Os 51 pontos que cunhou frente aos Orlando Magic redefiniram o recorde de mais pontos anotados por um adolescente na NBA, superando os 49 que ele próprio tinha marcado em janeiro frente aos Charlotte Hornets.
Apesar das idades precoces serem dadas a desvios, o jovem de Maine tem sabido escolher boas companhias. Com três fascículos, é o primeiro jogador na época de estreia na NBA a conseguir tantos jogos de +45 pontos desde Michael Jordan, em 1984/85.
Cooper Flagg a tentar roubar a bola a LeBron James: um jovem de 19 anos contra outro de 41
Richard Rodriguez
Quando os Dallas Mavericks o selecionaram com a primeira escolha do draft de 2025, Cooper Flagg tinha apenas 18 anos. A chegada antecipada à NBA indiciava um impacto relevante que teve efeito no imediato. Assim, entre basquetebolistas que realizaram mais de 50 jogos quando ainda não tinham completado 20 anos, apenas Kevin Durant (20,3), Luka Dončić (20,9), Carmelo Anthony (21) e LeBron James (21,9) conseguiram uma média de pontos superior a 20. O clube tem um estagiário que, mantendo-se nos 21,2 pontos que leva atualmente na equipa texana, pode passar a membro efetivo.
A luta com o antigo colega de quarto
O tom de Cooper Flagg nunca foi exatamente aquele em que era suposto estar. Posicionou-se sempre à frente do planeado. Estava a acabar de sair da escola secundária de Montverde, com os rankings a darem-lhe o epíteto de talento número um do país, e, sem nunca ter feito um jogo no basquetebol universitário, treinou com a seleção norte-americana durante o estágio de preparação para os Jogos Olímpicos de Paris.
Os relatos dizem que, ao lado de monumentos ativos do basquetebol, o deslumbramento foi nulo. “Sem emoções”, descreveu Kevin Durant, apresentou-se “quase como um veterano”. “Nota-se que vai ser um grande jogador.” A previsão do 16 vezes All-Star da NBA foi feita em julho de 2024, quatro meses antes de Flagg de se estrear pela Universidade de Duke, uma das mais conceituadas dos Estados Unidos.
Flagg antecipou a conclusão do high school e, consequentemente, apressou o ingresso no college. Mais do que vontade de representar em Duke, manifestava-se a ânsia de chegar à NBA. Durante o único ano em que esteve na universidade, foi eliminado nas meias-finais do campeonato.
Cooper Flagg e Kon Knueppel são os principais candidatos a serem considerados Rookie do Ano
Sam Hodde
A pronta chegada a um nível razoável de maturidade deu-lhe a hipótese de aproveitar a NBA desde o primeiro dia. Neste momento, está numa luta renhida pelo Prémio de Rookie do Ano. O principal adversário é Kon Knueppel, o atirador dos Hornets com que dividiu quarto em Duke.
Dallas à deriva
Na versão definitiva da história da humanidade, os Mavericks ficarão com a fama de equipa que trocou Luka Dončić. De tão enfraquecidos que ficaram, em 2024-25, depois da saída do esloveno e das lesões de Kyrie Irving e Anthony Davis, o conjunto de Dallas assegurou um recorde mau o suficiente (39 derrotas, 43 vitórias) para ficar de fora dos play-offs e se candidatar à primeira escolha do draft.
Ao contrário de outros anos, a pick mais elevada tinha um destinatário óbvio. A passagem de Cooper Flagg pela Universidade de Duke foi breve e apenas reforçou a direção para onde o potencial demonstrado no ensino secundário o tinha encaminhado. Nico Harrison, então general manager, não voltou a demonstrar os sintomas de insanidade de que os adeptos o acusaram quando despachou Dončić e fez a escolha óbvia.
Cooper Flagg foi um perdão divino pelo negócio desastroso feito duvidoso meses antes. Os Mavericks tiveram a sorte, o acaso, a felicidade de recrutarem outro talento geracional, mas o início de 2025/26 não foi famoso. Ao fim de oito derrotas em 11 partidas, Nico Harrison foi despedido devido à extinção da fé face aos veteranos que reuniu, acreditando ser o caminho mais fácil para ganhar um campeonato.
Os Mavericks, apesar de Cooper Flagg, vão terminar a época com mais de 50 derrotas
Steve Russell
A reformulação continha um ponto de partida. Cooper Flagg veio para ficar, ao contrário de Anthony Davis, poste recambiado para os Washington Wizards (sim, os texanos livraram-se da principal recompensa que obtiveram por Dončić). Enquanto antigo base, Jason Kidd sentiu-se à vontade para entregar a tarefa de conduzir o jogo da equipa que treina a um jogador em ascensão.
Ainda assim, a temporada dos Mavs não seguirá para os play-offs. A época que vai terminar com um dos lugares do fundo da Conferência Oeste. “Tem sido difícil”, confessou Flagg, que só perdeu quatro vezes em Duke e, este ano, já vai em mais de 50. Mas os recordes já ninguém lhos tira.