Os Knicks estão na final da NBA. É tudo o que Jalen Brunson esperava quando aceitou receber menos 113 milhões de dólares
Os Knicks sagraram-se campeões da Conferência Este ao eliminarem os Cavaliers em quatro jogos
Sarah Stier
A equipa de Nova Iorque chegou à final da NBA pela primeira vez desde 1999 ao dizimar adversários ao longo de uma sequência de 11 vitórias. O feito só foi possível, porque, num ato altruísta, Jalen Brunson aceitou receber menos dinheiro para que os Knicks mantivessem o plantel. Os adeptos estão eufóricos, mas nunca foi tão caro conseguir bilhetes para os jogos de atribuição do título
Parecia uma movimentação arriscada. Não estava em causa a qualidade. Jalen Brunson acabava de ser a segunda figura dos Dallas Mavericks na caminhada até às finais de 2022. Ser o plano B da equipa de Luka Dončić não é um estatuto desprezível. No entanto, valeria um contrato de quatro anos no valor de 104 milhões de dólares? Poucos acreditavam que sim.
Talvez ainda houvesse mais Jalen Brunson por descobrir, um nível que só seria atingido longe da esfera de influência do esloveno. Pelo menos, era essa a convicção dos New York Knicks, que lhe pagaram um montante digno de uma superestrela. Quem estava mais reticente com a aposta começou a difundir teorias da conspiração. É que o treinador adjunto dos Knicks é o pai Brunson, Rick, amigo pessoal de Leon Rose, o responsável pela gestão desportiva do franchise.
É inegável que as relações de proximidade tiveram a sua relevância na evolução recente de Nova Iorque. Afinal, também graças a outros negócios se reergueu uma das equipas fundadoras da NBA e a camaradagem fez a sua parte. Jalen Brunson, Josh Hart e Mikal Bridges foram campeões nacionais com a Universidade de Villanova, uma conexão que foi do berço basquetebolístico para a cidade com insónias.
Os nova-iorquinos não são campeões desde 1973
Pamela Smith
Os Knicks montaram um plantel através da capacidade negocial, não propriamente da prospeção ou desenvolvimento interno de jogadores. Também Karl-Anthony Towns e OG Anunoby chegaram como produtos acabados. A cada uma destas estrelas corresponde um preço absurdo que satura o limite salarial. A ginástica financeira, necessária apesar dos valores em causa aparentarem uma folgada gestão, exige planeamento.
Em 2024, Jalen Brunson renovou contrato e garantiu 156,5 milhões de dólares distribuídos pelos quatro anos seguintes, cerca de 134 milhões de euros. O base foi generoso. Se tivesse esperado mais uma época, seria elegível para receber 269,1 milhões de dólares (mais de €230 milhões) em cinco anos. Optar pela hipótese $113 milhões menos lucrativa permitiu à equipa preservar a base do roster que vinha dando sinais de progressiva evolução nos play-offs (ficaram na segunda ronda em 2022/23 e em 2023/24 e atingiram a final da Conferência Este em 2024/25). A altruísta decisão levou os Knicks à final da NBA pela primeira vez desde 1999.
A euforia descontrolada
Os Cleveland Cavaliers tinham o jogo 1 da final da Conferência Este quase ganho. Com 22 pontos de vantagem a menos de sete minutos do final, engasgaram-se em confiança e deixaram escapar a liderança. No prolongamento, os Knicks provaram que há magia no Madison Square Garden, pavilhão com argumentos válidos para ser tratado como Meca do basquetebol. O descalabro anímico da equipa do Ohio impulsionou a varridela dos Knicks, que, em meros quatro jogos, arrumaram a série.
Jalen Brunson foi unanimemente considerado o MVP da final da Conferência Este. Recebeu o prémio das mãos de Patrick Ewing, um dos últimos jogadores a representarem os Knicks na final da NBA, e Walt Frazier, um dos últimos a ganhar um título pelos nova-iorquinos.
Brunson a receber o prémio de MVP das finais da Conferência Este das mãos de Patrick Ewing e Walt Frazier
Gregory Shamus
O conjunto treinado por Mike Brown está há 11 jogos sem perder, a terceira melhor sequência de sempre nos play-offs. Nesse período, a margem de vitória foi, em média, de 24 pontos. Jalen Brunson tem tudo a ver com a almofada conseguida. Neste passeio, juntou-se a Kobe Bryant e a Steph Curry na lista de jogadores com mais de 26 pontos e seis assistências num ciclo triunfal com este número de jogos.
Já lá vão 53 anos desde que a cidade festejou a conquista do campeonato. A julgar pela idade dos tresloucados a reagirem à campanha na internet, o mais provável é que a maioria dos adeptos nunca tenha testemunhado tal feito. Os festejos foram exacerbados. No exterior do Madison Square Garden, queimaram-se camisolas dos Cavaliers e nenhuma plataforma elevada ficou isenta de ser trepada.
A intensidade das emoções exteriorizadas tem correspondência com a procura de ingressos. Um dia depois dos Knicks se apurarem para as finais, entrar no Madison Square Garden custava 3329 euros no jogo 3, €3099 no jogo 4 e €4312 no jogo 6, de acordo com a plataforma especializada TickPick. Os Knicks ainda não têm adversário - Oklahoma City Thunder e San Antonio Spurs vão-se tentando entender nessa matéria -, mas uma coisa está confirmada: nunca foi necessário pagar tanto para assistir à decisão do título.