Tribuna 12:45

Afonso Eulálio: a força de uma camisola

O ciclista de 24 anos assumiu a liderança da classificação geral do Giro na quinta etapa
NurPhoto

Afonso Eulálio é um corredor de poucos rótulos. Para o definir, precisamos de pensar duas vezes e não há garantia de que fiquemos convencidos com a resposta. Talvez ele próprio esteja a passar pela fase fascinante em que os limites não existem. Sendo um ciclista em autodescoberta, começou a exploração pelo topo.

Chegado o segundo dia de descanso, há um português a liderar o Giro. Quando o figueirense se colocou em fuga na etapa 5, não sabia no que se estava a meter. Apesar de ter deixado escapar a vitória - seria a sua primeira como profissional - para Igor Arrieta, alcançou a liderança da classificação geral e abriu uma distância substancial para o grupo de favoritos.

A Bahrain-Victorious tem arredado a cortina e mostrado os bastidores da epopeia. Num dos vídeos divulgados, no interior do autocarro-hotel da equipa que o figueirense representa, o experiente colega de 38 anos, Damiano Caruso, explica-lhe que “muitos esperam uma carreira inteira por um dia” a usar a camisola rosa. Eulálio não carregou a responsabilidade durante uma corrida: já vai em quatro.

No início de 2025, Afonso Eulálio anunciou em primeira mão à Tribuna Expresso que ia participar pela primeira vez no Giro. Não era uma prova para a qual estivesse inicialmente escalado, mas os primeiros contactos com o World Tour transmitiram aos responsáveis a confiança necessária à inclusão numa corrida de três semanas. Os receios eram válidos. Até aí, a carreira tinha tido rédea curta e os melhores momentos cingiam-se aos seis dias vestido de amarelo na Volta a Portugal. Acabaria por abandonar a competição ao longo da estreia na Volta a Itália, mas não sem antes deixar a sua marca passando em primeiro lugar no alto do Mortirolo. Mais à frente na época, destacar-se-ia no Mundial do Ruanda, onde terminou no nono lugar.

O português protegido pela Bahrain-Victorious
Dario Belingheri

Eulálio foi contratado para ter um papel secundário na Bahrain-Victorious. O próprio sempre o assumiu sem que lhe fossem detetados sinais de desmotivação. A humildade para aceitar plenamente o trabalho fê-lo evoluir até atingir o nível - ainda assim, não definitivo - em que está hoje. As oportunidades nunca são pequenas demais quando o beneficiado lhes dá o devido valor.

Mais do que ter vestido a rosa, está a defendê-la como algo que verdadeiramente lhe pertence. O apego criado para com a camisola está a fazer Afonso Eulálio superar-se, atingindo patamares competitivos aos quais nunca teria chegado se não estivesse envolvido na acérrima proteção da indumentária.

Precisaria de ganhar asas para chegar a Roma de rosa, mas o feito indelével de Afonso Eulálio deixa-o na companhia de Acácio da Silva e João Almeida na lista de portugueses que vestiram a maglia do líder da classificação geral. Embora tenha estabelecido como objetivo vencer etapas, foi surpreendido com uma conquista tão grande ou maior. A liderança do Giro até pode ser ilusória, ao contrário da realista ambição de terminar numa das posições cimeiras. “É um claro candidato ao pódio”, apontou em análise feita para a Eurosport o vencedor de sete grandes voltas, Alberto Contador.

Antes do Giro retomar com o contrarrelógio de 42 km, Afonso Eulálio tem planos que passam por “parar num bom café e comer um bom bolo”. “Espero que todos os portugueses estejam orgulhosos e, quando chegar o dia de perder a camisola, continuem a acreditar em mim e a apoiar-me.”

O que se passou

Na luta pelo segundo lugar do campeonato, o Sporting não cedeu contra o Gil Vicente e esvaziou o efeito da vitória do Benfica contra o Estoril. Menos feliz ficou o Tondela, que acabou despromovido à II Liga e vai ser rendido por outro clube do distrito, o Académico de Viseu.

O FC Porto limitou-se a cumprir calendário e festejou ainda mais o título conquistado. Lá por fora também se comemorou. O Celtic venceu a liga escocesa e destroçou o Hearts, líder durante 250 dias. Em Inglaterra, o Manchester City levantou a FA Cup.

A novela criada em torno do futuro de Mourinho continua por resolver. O Benfica fez uma proposta de renovação, mas o Real Madrid, um clube no meio do caos, parece ter levado a melhor. No entra-e-sai do futebol português, Otamedi já se despediu dos encarnados. O Sporting também disse adeus a Morita. Em sentido contrário, chegou Zalazar. Já Pizzi terminou a carreira no Estoril.

Se está com problemas em encontrar cromos da Panini, não se preocupe. Por aqui, todos os dias até ao Mundial lhe trazemos um. Na saqueta desta semana, saiu Bebé, Robert Prosinečki, Kevin-Prince Boateng, Thomas Ravelli, Johan Vonlanthen, Yaya Touré e Andy van der Meyde.

Zona mista

“Foi demais o mediatismo ao ser campeão mundial. Não fiquei menos humilde, mas achei que as coisas eram demasiado fáceis”

Após o impacto das medalhas de ouro nos Mundiais, em 2024, Diogo Ribeiro lidou com um aparato que o obrigou a estar acordado até às três da manhã para gravar anúncios na piscina do Jamor. Em entrevista à Tribuna Expresso, revelou que decidiu afastar-se dos holofotes e aponta ao recorde do mundo nos 50 metros mariposa.

O que vem aí

Segunda-feira, 18
⚽ Premier League: Arsenal-Burnley (20h, DAZN1)

Terça-feira, 19
🚴‍♂️ Giro: etapa 10 (12h, Eurosport 1)
⚽ Premier League: Bournemouth-Manchester City (19h30, DAZN1) e Chelsea-Tottenham (20h15, DAZN2)

Quarta-feira, 20
🏀 NBA, final Conferência Este (jogo 1): New York Knicks-Cavaliers (1h, Sport TV2)
🚴‍♂️ Giro: etapa 11 (11h, Eurosport 1)
Play-off manutenção/promoção I Liga: Torreense-Casa Pia (18h, Sport TV1)
⚽ Final Liga Europa: Friburgo-Aston Villa (19h45, Sport TV5)

Quinta-feira, 21
🚴‍♂️ Giro: etapa 12 (11h45, Eurosport 1)
⚽ Liga Saudita: Al-Nassr-Damac (19h, Sport TV1)

Sexta-feira, 22
🏀 NBA, final Conferência Este (jogo 2): New York Knicks-Cavaliers (1h, Sport TV1)
🚴‍♂️ Giro: etapa 13 (11h30, Eurosport 1)
🏀 Euroleague: Olympiacos-Fenerbahçe (16h, Sport TV7) e Valência-Real Madrid (19h, Sport TV7)
⚽ Final Taça de França: Lens-Nice (20h, Sport TV1)

Sábado, 23
🚴‍♂️ Giro: etapa 14 (11h45, Eurosport 1)
⚽ Final Taça da Alemanha: Bayern Munique-Estugarda (19h, DAZN1)
⚽ La Liga: Real Madrid-Athletic (20h, DAZN3) e Valência-Barcelona (20h, DAZN2)

Domingo, 24
🏀 NBA, final Conferência Este (jogo 3): New York Knicks-Cavaliers (1h, Sport TV1)
⚽ Premier League: Brighton-Manchester United (16h, DAZN3), Manchester City-Aston Villa (16h, DAZN2), Crystal Palace-Arsenal (16h, DAZN1) e Liverpool-Brentford (16h, DAZN4)
⚽ Final Taça de Portugal: Sporting-Torreense (17h15, RTP)

Hoje deu-nos para isto

Por ter dupla nacionalidade, Jovana Nogic podia ter representado Portugal, mas não foi convidada
Christian Petersen

Viveu em Portugal entre os 2 e os 17 anos. Quando andava na escola, a pausa para almoço era dedicada a fazer lançamentos no Pavilhão da Luz. Arremessava triplos pelo menos dois passos atrás da linha dos 6,75 m e com a bola dos rapazes, maior e mais pesada. Jovana Nogic até pode ser internacional pela Sérvia, mas é produto do basquetebol nacional.

A atiradora de 28 anos estreou-se na WNBA esta época, algo que já lhe passava pela cabeça há dois anos, quando falou com o nosso jornal. O impacto foi instantâneo e, logo ao quarto jogo, marcou 27 pontos. Nunca antes uma rookie não proveniente do draft tinha conseguido um registo tão elevado. Até agora, leva letais 65% de eficácia no lançamento exterior, número impressionante face ao volume (cinco tentativas por jogo) com que arrisca.

Após longas negociações, a WNBA tornou-se um local ainda mais cómodo. O novo contrato coletivo elevou a média salarial para os $600.000, valor que se encontrava nos $125.000 na temporada passada, tornando a competição mais apetecível para jogadoras internacionais. As melhores do campeonato podem receber por ano cerca de $1,4 milhões. O crescimento, impulsionado pela chegada de Caitlin Clark, estende-se ao número de equipas. Esta época, a liga acolheu dois novos franchises, processo de expansão que levará a que existam 18 em 2030. Até 2024, apenas 12 conjuntos faziam parte da WNBA.

Depois de Ticha Penicheiro e Mery Andrade, voltou a existir um toque português na WNBA. Jovana Nogic podia ter representado a seleção nacional caso, na formação, não tivesse sido desviada para uma potência do basquetebol. “Quando era sub-16 e era suposto receber o meu primeiro convite para uma seleção nacional, recebi convite da Sérvia, mas não recebi convite de Portugal. Fiquei destroçada. Se, com 15 anos, tivesse recebido convite da seleção portuguesa, agora, muito possivelmente, estaria a jogar por Portugal”, contou.

A jogadora que representou o Imortal e o Benfica durante a juventude deu o passo natural para o basquetebol universitário dos Estados Unidos. Tornou-se profissional em Espanha, andou pelo Besiktas e, mais recentemente, serviu o poderoso Yekaterinburg, da Rússia. Foram as Mercury que a conseguiram convencer a rumar à WNBA. A equipa de Phoenix é vice-campeã e chegou ao título em três ocasiões (2007, 2009 e 2014). Trata-se de um dos franchises originais da liga estreada em 1997. Nogic assume-se como base atiradora, um estilo semelhante ao de Diana Taurasi, antiga utilizadora da camisola das Mercury que foi eleita a melhor de sempre da WNBA.

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