• Suécia
    18:0020 JUN
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    Grupo F
  • Tribuna 12:45

    A seleção não é gente como a gente

    O onze inicial do jogo que ditou a eliminação de Portugal nos oitavos de final do MUndial 2026, contra a Espanha, o último escolhido por Roberto Martínez
    NurPhoto

    Os compromissos laborais quase sempre fazem um jornalista que trabalhe nesta área seguir o Mundial em ambientes controlados. Quebrei a regra para assistir ao último jogo de Cabo Verde na competição. Passei mais de três horas a ver o lado bom das coisas, envolvido na energia vibrante dos adeptos dos Tubarões Azuis, que parecem bandeiras a flutuar enquanto dançam com as camisolas da seleção. Foi toda uma experiência sensorial, de alegria pura e usufruto de um momento histórico para o país.

    Pode parecer inglório, mas o maior de vários arrepios surgiu após a eliminação. Não sei quantificar ao certo quanto demora a viagem entre o paraíso e a realidade. Consigo assegurar que é um percurso que se faz de TGV. O final do jogo calou pela primeira vez as matracas da loquaz multidão, um silêncio fugaz interrompido por um genuíno aplauso de reconhecimento.

    O espaço era uma daquelas fan zones que vendem cervejas e bifanas inflacionadas. Fiquei agradado quando finalmente me apareceu uma boa oportunidade de negócio. Um indivíduo, que fez questão de arrumar o número de telemóvel na minha lista de contactos, montou-me ali, na hora, um acessível pacote para uma viagem à ilha do Sal com a irrecusável oferta de “polícias à paisana” para me tomarem conta das costas. Tamanha foi a argumentação que não sei como é que não corri de imediato para os braços do meu Yassine Chueko, o famoso segurança de Lionel Messi. Para alojamento, a proposta contemplava um andar mesmo por cima do local onde mora o pai daquele solicito indivíduo.

    Inserido naquela comunhão vi o golo de Sidny Lopes Cabral contra a Argentina, um dos melhores do Mundial. Foi com agrado que vi os dias seguintes passarem sem o surgimento de uma constipação. Seria embaraçoso justificar a doença com a precipitação de sumo de cevada que me caiu em cima durante os festejos. Por momentos, senti uma certa inveja de tudo aquilo.

    Não tenhamos dúvidas que tudo o que se viveu nos arrabaldes dos Estados Unidos foi consequência do espírito gregário de Vozinha, Diney, Pico Lopes ou Kevin Pina, que inesperadamente estiveram melhor do que Vitinha, Bruno Fernandes, Bernardo Silva ou Cristiano Ronaldo. Um Mundial joga-se de quatro em quatro anos, mas Portugal apresentou-se com menos garra do que o Flamengo a disputar o Troféu do Algarve. A seleção nacional tem com os grandes torneios uma relação que virou rotina e por isso os encara com leviandade. O que para os outros é o momento de uma vida é tratado pelos nossos jogadores com irresponsabilidade.

    Os jogadores portugueses que brilham nos maiores clubes europeus não conseguem ter o mesmo rendimento na seleção
    Europa Press Sports

    O equivalente à seleção nacional no futebol de clubes seria um Paris Saint-Germain ou um Manchester City, clubes de topo que podem comprar tudo menos o apreço dos indefetíveis defensores do futebol popular repelidos pela influência dos petrodólares. Às vezes, gostava que Portugal fosse uma equipa sem a mania das grandezas e condizente com um país onde 60% da população se orienta com menos de €1000 por mês, onde há zonas com falhas no abastecimento de água ou onde a digitalização é um obstáculo à classificação dos exames nacionais.

    Devíamos perder menos tempo com o debate Cristiano Ronaldo/Lionel Messi e dar mais atenção a um outro em que perdemos claramente. A Argentina emana familiaridade, sentido de causa. O ambiente da albiceleste transmite-nos a sensação de que não existe outro sítio do mundo onde os jogadores queiram estar e por isso convivem como filhos da mesma mãe, a adversidade. Pelo contrário, os portugueses tanto imploraram com a linguagem não verbal uma eliminação precoce que acabaram por a ter.

    Vemos os ingleses cantarem “Wonderwall” com a bancada, os argentinos celebrarem as pequenas conquistas no balneário com os mesmos cânticos que os adeptos entoam, os noruegueses a remarem como vikings. Tudo formas superiormente eficazes de se aproximarem de quem os apoia em comparação com o enjoo mostrado para com o trabalho dos jornalistas, como virou moda na seleção nacional.

    Há dez anos, o Euro 2016 caiu-nos no colo, uma sensação que muitos não se importavam de reviver. A efeméride foi assinalada com a chegada de um novo técnico. A aposta em Jorge Jesus para suceder a Roberto Martínez não parece terrível na busca por tornar a seleção em algo mais cativante. A espera será guiada por aquela luz longínqua que é a ambição de um desempenho mais aprazível e com o qual nos possamos identificar num Mundial que também será nosso. Os próximos quatro anos vão custar a passar.

    O que se passou

    Para quem conseguiu resistir, as ‘meias’ do Mundial estão definidas. França e Espanha vão decidir o primeiro finalista. O vencedor vai esperar pelo adversário que sairá do jogo entre a Inglaterra e a Argentina.

    Em Wimbledon, Jannik Sinner levou a melhor sobre Alexander Zverev num encontro muito equilibrado e conquistou o Grand Slam pela segunda vez. Linda Nosková foi a melhor no quadro feminino, batendo Karolína Muchová na final.

    Tadej Pogačar já veste de amarelo no Tour e pode ter arrumado as contas ainda na primeira semana, tamanho o fosso criado para Jonas Vingegaard.

    O mundo do futebol está de luto pelas mortes do internacional sul-africano, Jayden Adams, e do antigo jogador do Benfica, Manú.

    No olimpismo, também há novidades: os atletas russos vão poder regressar à competição.

    Zona mista

    “Um dia, no futuro, vou dizer à minha filha que fui capitão do Sporting”

    A relação entre a importância que teve no Sporting nos últimos três anos e o alarido em torno da saída de Morten Hjulmand não foi proporcional. O desfecho previsível e a elegância do processo atenuaram o impacto da despedida. O jogador que, em campo, liderou o melhor momento da história do clube leonino é reforço do Atlético Madrid por €40 milhões, aos quais se podem somar mais €5 milhões por objetivos.

    O que vem aí

    Segunda-feira, 13
    💤 Aproveite para descansar como o pelotão do Tour

    Terça-feira, 14
    ⚽ Pré-época: Sporting-Celtic (17h30, TVI)
    ⚽ Mundial 2026, meia-final: França-Espanha (20h, Sport TV1 e SIC)
    🚴 Volta a França: etapa 10 (12h, Eurosport 1)

    Quarta-feira, 15
    ⚽ Mundial 2026, meia-final: Inglaterra-Argentina (20h, Sport TV1)
    🚴 Volta a França: etapa 11 (12h45, Eurosport 1)

    Quinta-feira, 16
    🚴 Volta a França: etapa 12 (12h15, Eurosport 1)

    Sexta-feira, 17
    🚴 Volta a França: etapa 13 (11h45, Eurosport 1)
    ⚽ Pré-época: Benfica-Villarreal (19h45, TVI)

    Sábado, 18
    🚴 Volta a França: etapa 14 (12h, Eurosport 1)
    ⚽ Pré-época: SC Braga-Celta de Vigo (19h30, Sport TV1)
    ⚽ Mundial 2026, atribuição da medalha de bronze: a definir (22h, Sport TV1)

    Domingo, 19
    🚴 Volta a França: etapa 15 (Eurosport 1)
    🏎️ Fórmula 1: GP da Bélgica (14h, DAZN)
    ⚽Mundial 2026, final: a definir (20h, Sport TV1 e RTP1)

    Hoje deu-nos para isto

    Os festejos das jogadoras portuguesas após a vitória contra a Grécia na final realizada em Samokov, na Bulgária
    FIBA

    Por falar em seleções nacionais, Portugal conquistou o Europeu de basquetebol feminino (Divisão B) ao bater a Grécia na final por 78-43. Ao longo da competição, a equipa treinada por José Araújo atropelou todos os adversário e venceu os seis jogos do torneio por uma média de 32,6 pontos de diferença, sendo que o maior número de pontos concedidos a um oponente foi 55.

    A cabecilha do feito foi Clara Silva. A jogar uns nada exagerados 24,6 minutos por jogo, conseguiu médias de 16,8 pontos e 9,8 ressaltos (5,3 ofensivos) e 1,7 desarmes de lançamento. A poste de 1,98 m foi considerada a MVP e integrou a equipa ideal da competição. Madalena Amaro (7,5 pontos, 5,2 ressaltos e 3,8 assistências), outra algarvia, também fez parte do melhor cinco.

    Esta é uma geração de ouro do basquetebol português. No ano passado, as mesmas jogadoras alcançaram um histórico sétimo lugar no Mundial sub-19, campanha que teve continuidade com este feito. O percurso recente faz acreditar que seriam competitivas na Divisão A do Europeu se não tivessem arcado com o desempenho menos conseguido das anteriores representantes do escalão. Trata-se de um reputado logro. Basta analisar as consequências positivas que a conquista do Europeu sub-20 (Divisão B), em 2019, está a ter no basquetebol masculino.

    O vigor da WNBA, nos Estados Unidos, está a espalhar-se pelo basquetebol feminino internacional. Olivia Miles, antiga colega de Clara Silva na universidade de TCU, teve tanto impacto na liga norte-americana que já é capa de revista. As referências proliferam, e ao contrário do que tantas vezes acontece, Portugal está a acompanhar o fenómeno.

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