Opinião

O árbitro Nuno Almeida fez 250 jogos na I Liga. Quantos jogadores atuaram os 90 minutos em tantos jogos ao longo de 23 épocas?

O árbitro Nuno Almeida fez 250 jogos na I Liga. Quantos jogadores atuaram os 90 minutos em tantos jogos ao longo de 23 épocas?

Duarte Gomes

Diretor técnico nacional de arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol

Por muito que estejamos habituados a assistir a entregas de prémios ou a realização de homenagens, é justo que não nos esqueçamos da importância que têm para aqueles que são alvo desse reconhecimento, defende Duarte Gomes, ao relevar o marco de carreira atingido por quem anda há mais de duas décadas a apitar jogos em Portugal

I. A Liga Portugal realizou na passada segunda-feira mais uma edição do "Liga Portugal Awards", gala anual em que reúne muitos dos principais atores do futebol profissional português.

Este tipo de ações, geralmente glamourosas e alvo de atenção por parte dos media, continuam a ser vistas por alguns de forma algo depreciativa, mas a verdade é que o princípio que lhes está subjacente é justíssimo:
- O de homenagear os melhores, os que mais se destacaram, premiando o seu mérito, talento e excelência.
Foi exatamente isso que aconteceu no bonito palco preparado para o efeito, na Alfândega do Porto.
Entre a longa lista de vencedores, destaque individual para quem, com a sua qualidade e competência, marcou a diferença dentro das quatro linhas:
- Viktor Gyokeres (considerado o Melhor Marcador e Jogador da I Liga em 23/24), Rúben Amorim (eleito o Melhor Treinador), Artur Soares Dias (Prémio Talento que Marca o Mundo, pela sua prestigiante participação no último Campeonato da Europa) e João Mendes (autor do Melhor Golo da época).
Foram ainda homenageados José Pereira, Presidente da ANTF (Prémio Prestígio), o ex-internacional português e treinador, Paulo Sousa (Prémio All of Fame), Fernando Santos (Prémio Presidente) e Fernando Gomes (Presidente da Federação Portuguesa de Futebol).
Coletivamente foram entregues prémios ao Sporting CP (Campeão Nacional), SC Braga (Campeão de Inverno), SL Benfica (Prémio Futebol Feminino) e Betclic (Parceiro do Ano).
Houve espaço ainda para outras homenagens, como a que foi tributada às vinte e duas associações de futebol, pelo trabalho realizado na construção de uma base forte.
Por muito que estejamos habituados a assistir a entregas de prémios ou a realização de homenagens, é justo que não nos esqueçamos da importância que têm para aqueles que são alvo desse reconhecimento.
É humano e perfeitamente normal que se sintam felizes quando veem a valorização pública que é tributada ao seu trabalho. É até importante que isso aconteça, por servir de fator de motivação adicional (para os próprios) e de exemplo de até onde é possível chegar (para os outros).
Não banalizemos, pois, iniciativas que são pensadas a pensar o que de bom os outros fizeram e conquistaram.
II. O árbitro Nuno Almeida, a quem tenho o grato prazer de chamar amigo há quase trinta anos, atingiu na jornada passada um número impressionante: 250 jogos oficiais dirigidos na I Liga Portuguesa.
Ora aí está mais um feito que poucos valorizarão, até por se tratar de um registo alcançado por um árbitro, o eterno mal-amado do jogo. Mas o exercício que vos proponho é fácil de fazer:
- Quantos jogadores portugueses atuaram os 90 minutos (sim, os 90 minutos) em duas centenas e meia de jogos do escalão principal do futebol português? E quantos o fizeram ao longo de 23 épocas?
Dito assim, as coisas ficam em perspetiva. Mérito a quem tem e Nuno Almeida é dos que tem muito.
Felizmente, Liga Portugal e APAF lembraram-se de assinalar o feito no momento e locais próprios (que é como quem diz, no dia do jogo em apreço e no próprio relvado, antes do pontapé de saída do SC Braga/Moreirense FC).
O algarvio mereceu essa honra, não só pela quantidade absurda de quilómetros que faz há mais de duas décadas - mora em Montegordo, bem perto da fronteira com Espanha -, mas sobretudo pelo facto de ter feito uma carreira em crescendo, mantendo ao longo dos anos níveis físicos, motivacionais e de foco altíssimos. Não é para quem quer, é para quem tem bem metas bem definidas e nunca pára enquanto não as alcançar.
Nunca se esqueçam da tal tirada do golfista: "Quanto mais treino, mais sorte tenho".

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