Presidente da Federação Académica do Desporto Universitário (FADU) de Portugal
Patrícia Sampaio venceu, no último fim de semana, a medalha de prata no Grand Slam de judo de Tóquio. A também vencedora do bronze nos Jogos Olímpicos de Paris fê-lo enquanto é uma estudante-atleta. Se queremos continuar a ver Portugal conquistar medalhas, subir rankings internacionais e afirmar-se no desporto mundial, o investimento no desporto universitário não é uma opção, é uma necessidade estratégica
Nos últimos anos, o Desporto Universitário português tem dado provas claras de que é um complemento à formação académica, mas acima de tudo um verdadeiro laboratório de talento, resiliência e excelência competitiva. A mais recente conquista de Patrícia Sampaio, medalha de prata no Grand Slam de Tóquio, reforça essa certeza e simboliza o caminho que queremos continuar a construir.
Em Tóquio, Patrícia voltou a mostrar porque é uma das grandes referências internacionais do judo. Perdeu a final de –78kg para a japonesa Kurena Ikeda por imobilização, depois de ter estado em vantagem, mas garantiu uma prata de enorme valor, juntando-a ao bronze conquistado no ano anterior. Para chegar ao combate decisivo, ultrapassou três adversárias de peso: Reina Tanaka e Mao Izumi, ambas japonesas, e Hsu Hang, de Taipé.
Mas há um dado essencial que não pode ser ignorado, Patrícia Sampaio é estudante da Universidade NOVA e continua a competir no desporto universitário português. Em novembro, marcou presença no Campeonato Nacional Universitário de Judo, numa época em que acumulou dezenas de horas de treinos semanais, viagens internacionais e competições de alta exigência. Este facto diz muito sobre ela, mas diz ainda mais sobre o valor do nosso panorama universitário.
Todos os anos, mais de 10 mil estudantes-atletas participam nas competições organizadas no âmbito do desporto universitário, distribuídos por mais de 70 instituições de ensino superior. Em muitos casos, é aqui que as carreiras começam a ganhar forma. E a história recente mostra que este percurso não é exceção, mas uma tendência. Nos últimos anos, vários atletas que passaram pelos Campeonatos Nacionais Universitários acabaram por integrar seleções nacionais, conquistar títulos europeus e até marcar presença em Jogos Olímpicos.
O caso de Patrícia Sampaio é paradigmático. Ela é uma atleta de elite que passa pela universidade. É uma estudante-atleta completa que concilia um percurso académico exigente com a competição ao mais alto nível. E é, acima de tudo, uma atleta que já levou Portugal ao pódio olímpico, com a medalha conquistada nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Representa, no fundo, aquilo que pretendemos promover, um modelo dual sólido, sustentável e capaz de gerar impacto real no panorama desportivo português.
Celebramos, por isso, muito mais do que uma medalha de bronze em Tóquio. Celebramos tudo o que ela significa. Um sistema universitário que investe, que forma e que dá oportunidades. Um ambiente onde o talento pode crescer com equilíbrio, rigor e ambição. E um caminho que permite que atletas como a Patrícia brilhem internacionalmente, sejam medalhadas olímpicas e, ao mesmo tempo, continuem a ser exemplo dentro das nossas instituições.
Se queremos continuar a ver Portugal conquistar medalhas, subir rankings internacionais e afirmar-se no desporto mundial, o investimento no desporto universitário não é uma opção, é uma necessidade estratégica. O futuro está aqui. Está nos nossos campus, nos nossos treinos, nos nossos campeonatos. E atletas como Patrícia Sampaio, que já subiram ao pódio olímpico e continuam ligados ao desporto universitário, lembram-nos disso com cada combate, cada vitória e cada medalha.