O Super Bowl deste ano entre New England Patriots e Seattle Seahawks não será decidido por um momento, não será decidido por um nome maior do que o próprio jogo, mas será sim um jogo decidido nos pormenores. Para decidir esses detalhes, a gestão do jogo e a gestão emocional que dois treinadores fizerem será fundamental, ainda para mais num palco onde o erro se amplifica.
Dois treinadores, duas lideranças bem definidas
Acredito que o primeiro grande duelo deste Super Bowl acontece fora do campo. Mike Vrabel e Mike Macdonald representam dois modelos de liderança diferentes, mas onde conseguimos encontrar um ponto em comum, o facto de ambos chegarem há pouco tempo às suas respetivas funções e já conseguirem levar as suas equipas ao jogo maior da NFL
Do lado dos Patriots, Mike Vrabel traz uma abordagem pragmática, marcada pela gestão de momentos, pela leitura emocional daquilo que o jogo pede; acima de tudo, convicção de que é possível vencer o jogo sem haver foco na componente estatística. Já do lado dos Seahawks, Mike McDonald é um “guru defensivo”, alguém que tende a encontrar a melhor forma de maximizar os seus recursos humanos, sendo agressivo, criativo e estando confortável a viver no limite entre a pressão e o risco.
Neste departamento, este Super Bowl será, também, um teste à maturidade de ambos, como irão ambos lidar com um jogo que pode ser decidido por dois ou três momentos específicos?
Quando o ataque dos Patriots encontra uma defesa de elite
No plano tático, o confronto que acho que vai receber mais atenção é o evidente embate entre o ataque de New England contra a defesa de Seattle. Os Seahawks apresentam uma das unidades defensivas mais completas da NFL, mas os Patriots têm no seu coordenador Josh McDaniels um dos treinadores mais experientes a desempenhar o seu papel na NFL.
Acredito que os Patriots vão tentar vencer este duelo não apenas procurando jogadas isoladas para serem bem-sucedidos ocasionalmente, mas sim pela disciplina, impondo ritmo e explorando aquilo que for feito do outro lado, maximizando os hipotéticos erros dos adversários.
Neste cenário, o protagonista maior será o talentoso quarterback de segundo ano, Drake Maye, que depois de uma fase regular ao nível de MVP tem estado um pouco aquém na fase a eliminar. Para ele, o maior desafio será fugir ao erro fácil, evitar forçar jogadas e, acima de tudo, conseguir controlar o relógio e transformar drives ofensivos em pontos. Uma tarefa que é bem mais fácil na teoria do que na prática porque a defesa dos Seahawks pode muito bem ser a melhor da NFL.
O ataque dos Seahawks e a importância de correr a bola
Do outro lado, o ataque de Seattle assenta cada vez mais no jogo de corrida como o ponto fundamental do sucesso da sua equipa. Mais do que ganharem terreno em campo, precisam de colocar ritmo, proteger o seu quarterback Sam Darnold, alguém apto ao erro fácil, e chamá-lo ao jogo de forma pontual e em circunstâncias onde efetivamente ele pode ser bem-sucedido.
O grande tema aqui é que a defesa dos Patriots chega a este Super Bowl no seu melhor momento da temporada. Uma unidade organizada, disciplinada e confortável a lidar com as próprias circunstâncias do jogo. Não será a defesa mais espetacular, mas é uma defesa altamente consistente que na fase a eliminar sofreu apenas 26 pontos em três jogos disputados.
Se os Patriots conseguirem travar o jogo de corrida desde o início do jogo, obrigando os Seahawks a depender excessivamente do passe, o jogo pende a favor dos Patriots.
Onde o jogo se pode decidir
Para mim todos os jogos têm vários caminhos que podem ser percorridos, para este Super Bowl sinto que não iremos caminhar para um jogo que esteja destinado a desfecho caótico. Parece-me, sim, um jogo de desgaste, onde cada ajuste pode ser determinante, e onde quem for mais paciente e souber encontrar o padrão daquilo que é pedido, no momento certo, tem maior probabilidade de ser bem-sucedido.
Acredito que a defesa de Seattle vai ganhar a maioria das suas batalhas, mas não pode ganhar o jogo sozinha. Acredito também que os Patriots vão sofrer muito ofensivamente, mas têm de ser fieis ao seu plano de jogo se querem ser bem-sucedidos e acredito que o jogo de corrida dos Seahawks será determinante - e precisa de aparecer logo desde o início do jogo.
Em suma, acredito num jogo de detalhes, num jogo onde o vencedor pode não ser quem joga melhor futebol americano, mas sim quem entender melhor o momento. Entre Patriots e Seahawks acredito que vencerá a equipa que melhor encontrar gerir as emoções e perceber que às vezes, para se ganhar um Super Bowl, basta cometer menos erros.
E o intervalo?
Não há pausas para ir à casa de banho. Como diria Fernando Mendes, isto é um espetáculo. E no Super Bowl isso sente-se do início ao fim. O Halftime Show promete ser um dos momentos mais falados da noite, com Bad Bunny a assumir o protagonismo. Depois da mensagem deixada nos Grammy Awards, dificilmente a atuação será apenas um momento musical. Acredito que terá um significado maior, mesmo num palco que a NFL tenta manter controlado. Seja-se fã ou não, será um momento de celebração, identidade e afirmação cultural. E isso faz parte do que o Super Bowl se tornou.