Todos os que têm defendido o jogador do Benfica com o argumento sofisticado e choroso de vivermos numa era decadente em que já não se pode chamar preto a um preto, o que estão a dizer é que há coisas que são mais fortes do que nós, como chamar macaco a outro ser humano. E Vini aprendeu a fazer do racismo uma arma contra quem profere insultos racistas
Vinícius Júnior a celebrar o golo que marcou ao Benfica, junto à bandeirola de canto do Estádio da Luz
Sports Press Photo
Eu sei. Quando as coisas aquecem, é difícil não chamar preto a um preto, macaco a um preto, macaco a um macaco. Foi sempre assim, continua a ser assim. Uma gloriosa tradição que passa de geração em geração como uma herança ou traços hereditários. Se um preto te provoca, chama-lhe preto. Se um preto te insulta, chama-lhe macaco. Se um preto te incomoda, seja de que maneira for, chama-lhe preto ou macaco. Se estiveres no meio de uma multidão, faz gestos simiescos. Toda a gente vai perceber o que queres dizer porque é uma linguagem partilhada, tão natural quanto a língua materna.
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