Defenestrado Schmidt, eis que dá à nossa costa um tal Farioli, treinador italiano com pinta de modelo Armani, cujos olhos azuis dizem tudo menos “catenaccio”, e aquele fervor patriótico que quase provocou um incidente diplomático com a Alemanha subitamente se evaporou. De repente já não é necessário proteger o treinador português
O futebol tem coisas curiosas. Quando Roger Schmidt chegou a Lisboa não foi recebido com a habitual xenofilia lusitana. Vinha aí um alemão com a mania. Levantaram-se as corporações em defesa dessa espécie ao mesmo tempo ameaçada e prolífica: o treinador português. Que necessidade é que havia de ir buscar um estrangeiro quando nós produzimos camiões de treinadores que despejamos nas mais importantes ligas do mundo? Como é que um alemão vai um dia perceber a especificidade do nosso futebol, tendo de jogar a uma segunda-feira à noite em Tondela e de se adaptar à nossa versão caseira desta modalidade universal, com um tempo útil de jogo de 50 minutos, percebendo que a gestão desse tempo faz parte das competências táticas básicas de um treinador em Portugal?
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