Apesar de muitos desconhecerem, 31 de março de 1914 foi uma data com significado impactante no futebol em Portugal, porque foi nesse dia que nasceu a União Portuguesa de Futebol, embrião da atual Federação Portuguesa de Futebol, que na passada 6ª feira assinalou 112 anos de existência.
Antes já a modalidade tinha conquistado o seu espaço em terras lusas: estudantes portugueses regressados de Inglaterra e de outras comunidades estrangeiras trouxeram-nos a moda, em finais do séc. XIX.
O aumento galopante de praticantes e de adeptos transformou o jogo numa paixão coletiva, proporcionando o aparecimento de clubes e competições em várias cidades do país.
No entanto, a ausência de uma estrutura centralizada dificultou a uniformização de regulação para as provas nacionais, bem como a afirmação internacional da modalidade.
A fundação da UPF representou um passo decisivo nesse sentido. Na base da sua criação esteve a convergência das associações de Lisboa, Porto e Portalegre, que tiveram a clareza de estabelecer bases institucionais para o futuro do futebol em Portugal.
O primeiro de todos os presidentes, Sá e Oliveira, assumiu a responsabilidade de consolidar a organização, num período marcado pela instabilidade política que resultou da eclosão da Primeira Guerra Mundial. A sua liderança foi determinante para garantir a sobrevivência e afirmação da instituição em tempos difíceis.
A integração na FIFA aconteceu nove anos depois e abriu caminho à participação lá fora das equipas portuguesas e ao desenvolvimento da Seleção Nacional.
Em 1926, a União Portuguesa de Futebol passou a chamar-se Federação Portuguesa de Futebol, refletindo uma estrutura mais sólida e de ambição mais alargada.
Ao longo das décadas seguintes, a instituição desempenhou papel central na realização de várias competições e na consolidação da nossa identidade futebolística. Primeiro com o Campeonato de Portugal, depois com o Campeonato Nacional e mais tarde com a Taça de Portugal.
Com o passar do tempo, a FPF evoluiu para outro nível de modernismo, capaz de impulsionar também o futsal (antes futebol de salão) e, mais tarde, o futebol feminino.
A organização do Euro 2004 e as conquistas da Seleção Nacional - Euro 2016 e Liga das Nações em 2019 e 2025 - materializaram o sucesso dessa trajetória.
Hoje, a Federação Portuguesa de Futebol é muito mais do que uma entidade administrativa ou reguladora. É uma instituição que representa a identidade coletiva de um país, promovendo valores como a ética, inclusão, igualdade excelência e responsabilidade social.
A construção da Cidade do Futebol, os sucessivos patamares alcançados desde então e os enormes projetos que estão ainda por concretizar - da Universidade do Futebol à fasquia dos 400.000 praticantes federados (mais 60.000 no feminino) -, atestam essa visão, reunindo num mesmo espaço história, presente e ambição no futuro.
Também o atesta a descentralização e proximidade regional levada a cabo pela sua atual Direção, materializada na recente inauguração das novas instalações a norte.
Assinalar os 112 anos desta casa é reconhecer o percurso de uma instituição que soube acompanhar os tempos, mantendo-se fiel ao seu propósito fundador.
É, acima de tudo, homenagear aqueles que ao longo de mais de um século contribuíram para que o futebol se afirmasse como uma das mais relevantes expressões culturais e desportivas de Portugal.
A FPF não é apenas a guardiã das regras, é também a guardiã da memória e paixão de todo um povo.
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