O XXV Fórum Nacional de Arbitragem realizou-se recentemente em Lamego, cidade que soube receber bem aquilo que lhe trouxemos: uma conversa séria, ponderada e transparente sobre o presente e o futuro da arbitragem em Portugal.
Não se tratou apenas de um encontro protocolar, onde as palavras preenchem o tempo sem deixar rasto.
O Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol reuniu com os presidentes dos vinte e dois conselhos distritais/regionais para fazer aquilo que verdadeiramente importa: trabalhar em conjunto com método, rigor e ambição.
Este segundo fórum da época carregava consigo o compromisso assumido no primeiro, realizado em Ponta Delgada, em outubro passado: o de transformar reflexão em ação.
Nos Açores, lançaram-se ideias para discussão e debate. Em Lamego, elas regressaram discutidas e debatidas. Regressaram convertidas em propostas concretas.
A diferença é substancial e foi deliberada. As matérias em análise foram importantes para preparar o que aí vem.
Discutiram-se muitas áreas importantes do setor: a necessidade de se uniformizar critérios e procedimentos, os modelos de preparação técnica dos árbitros (cursos de candidatos, seminários, reciclagens de início e meio de época) e debateu-se a forma como se pode inovar cada um desses momentos, tornando-os mais participativos e produtivos. Mais dinâmicos e interativos.
No entanto, o aspeto mais relevante da ação não coube em qualquer proposta falada ou escrita, mas na força do ambiente que se viveu naquelas quase 48 horas de trabalho. Foi forte a qualidade do diálogo e partilha comungadas por pessoas de contextos distintos, que partilharam as suas visões, com a consciência clara de que fazem parte de algo maior.
Cá de fora, há por vezes a tentação de se olhar para a arbitragem de forma fragmentada: a do futebol profissional, a do nacional e a do distrital. Essa não é, não foi e nunca poderia ser a nossa lógica.
A arbitragem portuguesa não é apenas uma inevitabilidade competitiva no futebol. É uma missão em curso, em constante movimento. É um sistema vivo, com identidade própria, princípios comuns e, agora mais do que nunca, visão partilhada de norte a sul (ilhas incluídas).
É esse, no fundo, um dos nossos maiores desafios: criar condições para o seu crescimento sustentado em quantidade e qualidade, de forma a termos gente mais preparada para as exigências crescentes do jogo e da indústria.
Queremos árbitros com conhecimento técnico, caráter, compromisso, personalidade e forte sentido ético.
Isto não se decreta. Constrói-se todos os dias, passo a passo.
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