Não há campeões feios e não há campeões injustos. O FC Porto foi melhor e mais forte. Nesta conquista do título há outra coisa que lhe dá um sabor especial: o alívio. Com o clube a arrastar-se do buraco da pré-bancarrota, os adeptos começavam a preparar-se para anos de seca. Ganhar nestas circunstâncias e, assim, interromper a ameaça de seca prolongada, enquanto se assiste à hecatombe dos adversários, é melhor do que cachaça, é melhor do que champanhe, é um espetáculo digno das melhores óperas do mundo. Artigo de opinião de Bruno Vieira Amaral
Francesco Farioli a levar um banho de água com gelo dos jogadores, durante a conferência de imprensa após o jogo que confirmou a conquista do título
Eurasia Sport Images
Ser campeão é como marcar um golo: não há golo feio, não há campeão feio. Melhor dizendo, até há campeões feios ou quase feios. Eu não me esqueço do campeonato de Trapattoni. Não se pode dizer que tenha sido bonito. Mas ser campeão é também como um filho. Não é muito bonito, mas só aos olhos dos outros. Aos nossos olhos, há sempre um bocadinho de beleza. Com a distância, pensamos nós, não há de parecer tão feio (o campeonato de Trap ainda hoje me parece feio; vá, um feio-bonito).
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